24.9.07

Oficinas no Sul do Brasil em Outubro


Uma mensagem para o povo criativo da região dos pampas gaúchos.

Eu e minha mulher, Rosa Guimarães, levaremos duas de nossas oficinas para o Rio Grande do Sul em outubro: a do "Diário Gráfico" e a "Encadernação: A estrutura do Livro".

Quem participa destas oficinas nunca mais lê um caderno ou livro da mesma forma.

"Os livros e cadernos passam a ser o suporte do "desabafo" criativo. Fazê-los e preenchê-los se tornam ao mesmo tempo uma aventura e uma brincadeira, e muitas vezes dessa forma descompromissada e sem medo saem trabalhos incríveis.
Com a Rosa aprendemos que encadernar também é um trabalho autoral, artístico. Diga-me o caderno que encadernastes e te direi quem és....
No Diário Gráfico aprendemos que tudo pode ser colado, carimbado, escrito, recortado e manchado. Que saber desenhar vale menos do que a coragem de experimentar e de usar materiais inusitados. Aqui o erro tem muito valor: sem a tecla do "undo" do computador você aprende a olhar o erro como possibildade, como um novo desafio, e graças a "acidentes" felizes muitas texturas foram descobertas...
E tem o "coletivo-criativo"-–essa experiência de criar com outras pessoas ao mesmo tempo, trocar, compartilhar.
Além de tudo isso tem um presente no final: um livro feito por você mesmo, a partir de fragmentos dos seus trabalhos. Um livro repleto de possibilidades, de pedaços que se tornarão outros pedaços.
O primeiro livro, quem já fez, sabe, nunca se esquece..."

A oficina "Diário Gráfico" vai acontecer em Passo Fundo nos dias 18 e 19 de outubro e depois em Porto Alegre nos dias 20 e 21, ali no Centro Cultural Érico Veríssimo. Para se inscrever no curso em Porto Alegre, escreva para a Letraria Design em letraria@letrariadesign.com.br ou visite a seção "Cursos" do site deles.
Para participar desta mesma oficina em Passo Fundo entre em contato com o Atelier Ogaraity pelo mailcontato@ogaraity.com.br . Os cursos estão na primeira página do site deles.

A oficina "Encadernação: A estrutura do Livro" vai acontecer somente na cidade de Passo Fundo, nos dias 20 e 21 de Outubro, também no Atelier Ogaraity.

14.9.07

Bienal do Rio

Aos ligados nos biblioassuntos mais recentes, falemos da Bienal do Rio, que começou indagorinha há pouco.

Minha primeira dica é passar no estande da editora espanhola Edições SM (digo, sua filial no Brasil).
Procurem pelos infantis da série ABC, e não deixem de ver os livros ilustrados por artistas excepcionais, tanto daqui do Brasil (Cárcamo, Alê Abreu) e do exterior.
O livro ABC Judaico estará à venda, e o considero o meu melhor trabalho recente. Clicando no "guia de leitura", você vai conhecer mais a fundo o conteúdo do livro.

As outras dicas eu não sei, pois não tive tempo de acompanhar o assunto. Fui!

29.8.07

ABC do Mundo Judaico


Acabo de receber meu mais recente trabalho, o livro ABC do Mundo Judaico, escrito por Moacyr Scliar.

Esta é uma publicação da Edições SM, e veio para juntar-se ao "ABC do mundo africano", e ao "ABC do mundo árabe", este último, primorosamente ilustrado pelo meu amigo Alê Abreu

Um dos melhores aspectos da minha profissão é que, a cada projeto, temos oportunidade de ampliar nossa cultura, e, no caso deste livro, foram muitas horas navegando na internet, assistindo a filmes maravilhosos (não percam Al Pacino como Shilock em "O Mercador de Veneza". Fascinante!) e muitas, muitas leituras interessantíssimas.

Dentre os textos que li, destaco "A Alma Imoral", livro do rabino Nilton Bonder. A peça teatral de mesmo nome, uma adaptação da atriz Clarisse Niskier, é um monólogo profundo sobre diversas questões existenciais sob a ótica judaica. Sozinha no palco, com apenas um tecido sobre seu corpo nu, Clarisse Niskier é uma aparição sábia e maravilhosa. Ela ganhou o prêmio de melhor atriz este ano por esta adaptação.

Lembro-me que, logo no início da peça "A Alma Imoral", a protagonista revela-se uma judia-budista, e conta que, num programa de TV, o rabino Bonder foi um dos únicos que a defenderam em um debate acalorado que se seguiu à esta afirmação. É importante buscar - e encontrar - identificação com os aspectos positivos presentes em todas as religiões, já que, a princípio, elas buscam a elevação espiritual do homem.

Neste momento, graças a este trabalho no ABC judaico, percebo-me um admirador muito mais consciente das causas do povo judeu. E sinto-me também mais à vontade para crer-me um católico-budista-judeu, curioso sobre isso e aquilo etc e tal.

O prefácio do ABC do Mundo Judaico é do Bibliófilo José Mindlin, que diz, dentre outras coisas, o seguinte:

" Este ABC vai mostrar a vocês a tradição de um povo que tem perto de 6 mil anos e de uma religião com a mesma idade. Nesse tempo foi-se desenvolvendo uma cultura bastante variada, que se apóia no gosto pelos livros e pela leitura. Fala-se até dos judeus como o "povo do livro""

E ao final ele completa:

"Depois de ler este livro, leia também o ABC do mundo árabe. Na briga entre judeus e árabes da Palestina, os dois têm razão e os dois estão errados, brigando como agora. Espero que, após a leitura, vocês percebam o que está errado e se convençam de que todos os povos do mundo devem viver em paz."

A capa que você vê na foto é uma releitura do trabalho em vitrais criado pelo pintor Marc Chagall para uma sinagoga em Jerusalem.

13.8.07

Tô na TPM



Nada de tensões pré-menstruais. Tô na paz e sem chorinho (apesar da carranca na foto).
Falo da revista "Trip para Mulheres" (que é muito boa!)
A edição de Agosto (com o Gianechinni photoshopado na capa) tem excelentes matérias. Destaque para as da Cynthia Howlett (de quem partiu a sugestão do meu nome) e também uma outra sobre senhorinhas de 60 e 70 anos com passado de guerrilheiras.

Ilustrando em Revista


Vai até 26 de Agosto a exposição Ilustrando em Revista, promovida pela editora Abril.
Acontece em Belo Horizonte, no Museu de Artes e Ofícios.
Estão lá, além de 506 ilustrações, 177 ilustradores e 39 anos de história, uma pequena mostra paralela chamada "Arte como Ofício", com trabalhos de 7 artistas e seus processos criativos: Cárcamo, Marcelo Gomes, Benício, Carlo Giovani, Negreiros, Fernando Vilela, e eu (com meus sketchbooks).

Para visualizar as ilustrações, fotos e etcéteras, clique no título.
Aproveito para deixar aqui um beijo para a Bebel Abreu (na foto junto com Alceu Nunes, designer fera e mentor da idéia). Ela é quem cuida com todo amor e carinho da itinerância desta exposição, e me contou que este evento é o maior recorde de público desde a criação do museu. Aliás, a exposição tem batido recordes de público em todas as cidades por onde passou. Quero ver essa festa no Rio em 2008!

Não quero a linha reta e inflexível



"Quando uma forma cria beleza tem na beleza sua própria justificativa."

Entendo que Niemeyer é o criador não somente de estruturas e espaços incrivelmente originais, mas também o arquiteto de frases belíssimas, que contrastam simplicidade e profundidade.

Ao longo dos anos venho registrando em cadernos tudo aquilo que capta minha atenção: imagens, palavras, desenhos, colagens aquarelas, coisas que encontro, enfim, toda e qualquer matéria que estimule a educação do meu olhar. Neste ponto acredito e sigo a máxima do mestre: procuro não me limitar å aprendizagem do meu metier, mas também ler bastante, ir ao cinema, ouvir boa música, enfim, tudo que me permita melhor conhecer meu ambiente cultural. Também me agrada muito mais a curva livre e sensual do que a linha reta e inflexível!
Estas páginas do meu sketchbook refletem justamente este contraste entre a beleza das curvas da mulher, e a rigidez dos cânones arquitetônicos. A aquarela livre e gestual emoldura a frase do arquiteto-poeta, e combina-se com o croqui das colunas clássicas.
A arte destas páginas participou de uma exposição sobre Niemeyer, homenageado este ano pelo Festival Internacional de Quadrinhos, realizado em Belo Horizonte.
(Para conhecer um pouco mais sobre o arquiteto, clique no título e vá ao site inacreditavelmente humilde da Fundação Niemeyer)

Processo de Criação

Aproveitando a data festiva de Agosto, aproveito para relembrar um artigo publicado numa revista. Para ler, basta clicar no link do título.

Leitura de domingo levemente triste


Acabo de ler o livro Caligrafias, de Adriana Lisboa.
Lindo, lindo, lindo. Até o espaço entre as palavras.

Certa vez participei de um curso de contos em que ela era a professora. Não consegui escrever uma linha sequer. Clique para se aquecer com as coisas que ela escreve.

10.8.07

Le Monde Diplomatique, alimento pra cabeça (e para os olhos)



Já está nas bancas a primeira edição do Le Monde Diplomatique em sua versão brasileira, que veio preencher um espaço que estava vazio na nossa imprensa, oferecendo um olhar crítico e analítico sobre o mundo e o país.

O projeto gráfico está nas mãos de Daniel Kondo, ilustrador e designer, que me deu a honra de criar a ilustração que está na capa desta edição histórica.

Além do melhor do jornalismo mundial, com análises aprofundadas sobre grandes temas econômicos, sociais, políticos, culturais e filosóficos, o mensário traz uma proposta visual que apóia-se firmemente no uso de ilustrações. E os desenhos estão em quase todas as páginas, com trabalhos de Claudius, Seymour Chwast (do legendário Pushpin Studio), Tide Hellmeister, dentre outros.

Graças à experiência do Kondo, que conhece bem o lado de cá, todo o trabalho de criação da capa foi desenvolvido da forma certa: o ilustrador teve total liberdade para sugerir uma imagem que melhor traduzisse o tema "América Rebelde". Melhor dizendo, nenhum jornalista se meteu a "brifar" o conteúdo do desenho.



Desta maneira, apresentei 3 idéias, das quais partimos para a finalização desta que representa uma realidade na atual sociedade americana: o desconforto dos cidadãos americanos com a apropriação dos seus símbolos mais sagrados por uma classe política que tem em Bush seu sacerdote-mor.
Vejam só essa... meus amigos americanos contam que desistiram de pendurar a "star and stripes" nos mastros à porta de suas casas depois de constatar que sua bandeira tornou-se escudo moral para os desgovernos republicanos.



Então é isso. Corram para comprar a sua edição do Le Monde Diplomatique. São 40 mil exemplares e, pelo que fiquei sabendo, as bancas já estão pedindo reposição de estoque.

A ilustração editorial brasileira merecia este espaço!

26.7.07

Vem aí a quarta edição do Ilustra Brasil!


Vem aí a quarta edição do Ilustra Brasil!, organizado pela SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil e pelo Senac-SP para celebrar o universo destes artistas que, trancados em seu estúdios, inventam o mundo onde antes havia apenas o papel, a tela, o mapa de bits em branco.

Novamente o evento acontecerá no Senac Lapa-Scipião (Rua Scipião, 67 – Lapa – São Paulo-SP) entre os dias 6 de agosto e 6 de setembro com uma programação que inclui palestras, oficinas, debates e, claro uma super exposição de mais de 90 ilustrações com idéias, técnicas e estilos tão diversos quanto o próprio Brasil.

Convido a todos a fazer uma visita ao site http://ilustrabrasil.sib.org.br/

Este ano o IB!4 traz ainda o convidado internacional Hermenegildo Sábat, legendário cartunista argentino.
Conheci o Sábat pessoalmente no XV Salão Carioca de Humor de 2005, quando ele me entregou em mãos o prêmio de melhor cartum com a ilustração "Lava Jato", o primeiro e único desenho de humor que fiz na vida (é só clicar no título)

Quem quiser ver, que olhe


"muitos artistas olham os ilustradores com um certo desdém porque trabalhamos por dinheiro, com prazos a cumprir, e frequentemente nossos temas são prescritos por um editor. Nossa arte é "legível" e muitas vezes carece de complexidade de conteúdo, o que a afasta do discurso das artes plásticas"

Se, no passado, afirmações como estas eram como regras que segregavam a ilustração como mera decoração, entretenimento visual ou em última análise, o "primo pobre nas artes visuais, hoje vemos uma verdadeira revolução na importância que nossa arte assume na cultura visual contemporânea.

Olhem ao redor e percebam: neste início de século as artes plásticas, a fotografia, o cinema, a moda, o design de interiores, os brinquedos, os museus e até os muros das cidades fazem reverência à ilustração!

19.7.07

Corte fora a sua cabeça!


Essa é do meu mestre, o ilustrador Marshall Arisman:

" When illustrators get creatively stuck I offer the advice given to me by writer friends: cut your head off and start working with your hands!"

"Quando ilustradores se encontram criativamente bloqueados eu ofereço o conselho que recebi dos meus amigos escritores: corte fora a sua cabeca e começe a trabalhar com as mãos!"

Clique no título, sit back and relax.

Abordagem profissional a uma lenda-viva


Essa quem me contou foi o ilustrador Mirko Ilic, amigo do Milton Glaser, fundador do histórico Push Pin Studios e designer gráfico de fama internacional.

O designer liga para o "gentleman" Glaser para orçar um projeto de cartaz. Sem ter a menor noção de que fala com um profissional que é uma lenda-viva nas artes gráficas, o jovem dá início à sua abordagem profissional.

- "Mr. Glaser, queremos contratá-lo para fazer um cartaz, etc e tal... Quanto o Sr, cobra?"

- "Entre 10 e 20 mil"

- "Whoa! Tudo isso? Será que podemos chegar a um meio-termo? Pense bem, afinal um cartaz terá sua ilustração bem grande, ficará exposto em vários locais de circulação onde muita gente vai poder vê-lo..."

Silêncio do outro lado da linha.

_ "Isso sem contar na divulgação do seu nome, Mr Glaser. Será que conversando podemos chegar a um valor mais em conta, dentro do nosso orçamento?"

_ "Fuck you" , disse o gentleman Milton Glaser antes de bater o telefone.

8.7.07

Maravilha



O nosso Cristo Redentor ficou na terceira posição no concurso das sete maravilhas do mundo, atrás apenas da Grande Muralha da China e das ruínas de Petra, na Jordânia.

Enquanto isso, lá embaixo, longe das nuvens do Corcovado...

6.7.07

Diário Gráfico no Recife





Após uma semana de intensas atividades no Recife estou de volta. Como dizem por lá, a oficina do Diário Gráfico foi MASSA!


36 pessoas trabalhando intensamente por 3 dias, espalhando-se para fora das instalações do centro de Design e invadindo o tablado da festa junina montada no pátio de São Pedro.

Diversas novidades foram incorporadas ao programa itinerante da oficina, dentre elas o sorteio dos 5 cadernos confeccionados a partir do material produzido por todos os participantes. Os cadernos vão rodar na mão de todos até chegarem aos seus respectivos donos (caso estes tenham sorte)

Tivemos no grupo profissionais de design e ilustração, professores, universitários e artistas plásticos. Até umas crianças se infiltraram na nossa oficina! Fiquei sabendo depois que os seguranças do pátio só não nos proibiram de trabalhar ali porque eu estava vestido com uma camisa onde se lia PREFEITURA. Na verdade, esta blusa laranja é o uniforme oficial da Comlurb do Rio, que eu uso como roupa de trabalho (ao invés de frescuras de avental).

No último dia de oficina, já caía a tarde quando chegávamos na fase final de costura dos cadernos. Um trio de artistas de teatro se maquiava enquanto lá fora o forró junino tocava no mais alto volume. Ninguém me arrastou pra tomar cachaça nem arrastar pé, o que é uma grande lástima em se tratando de São João em Pernambuco.

KABUM - Uma escola de sonhos



Além do trabalho realizado nos 3 dias no Centro de Design do Recife, tive a alegria de levar o Diário Gráfico também para a escola KABUM, um projeto social financiado pela OI com assessoria do designer Gringo Cardia, e totalmente voltado para jovens de baixa renda. O convite partiu do João Lin, editor da revista em quadrinhos Ragu e também a Domínio Público. É ele quem cuida dos assuntos de design gráfico na Kabum.
Em apenas uma manhã, projetamos no datashow 100 imagens, e logo depois partimos para o ataque com tintas, pincéis, stencils e latas de spray etc. Pintamos, colamos e imprimimos imagens sobre as folhas coloridas e depois as cortamos, dobramos, costuramos e finalmente fizemos um mega cadernão que vai passar de mão em mão até finalmente incorporar-se ao acervo da escola.


A Kabum é sensacional. Poucas vezes tive o privilégio de trabalhar em um local com estrutura tão privilegiada.

A Gente Boa do Recife (links de gente que faz!)

Em Recife existe o Centro de Design do Recife, dirigido pelo Raul Kawamura (que presidiu a Associação de Designers de Pernambuco até este mês), com o auxílio luxuoso de Renata Galvão e Flávia Lira. A associação de lá realiza o Salão de Design de Pernambuco, que edita um catálogo capa dura porreta. Recife é terra de gente que faz. Alô Rio, alô Brasil, acorda gente!

Divulgo aqui também um link para o flick do Damião, ilustrador, designer, cronista, e fotógrafo que vendeu a alma para a Lomo. Veja não somente as fotos da oficina que aconteceu no Centro de Formação em Artes Visuais, no Pátio de São Pedro, centro do Recife, mas principalmente as fotos do seu acervo pessoal.
http://www.flickr.com/photos/damiaosantana/sets/72157600556263873/
Sua mulher Fátima "Finizola, é designer e também a responsável pelas fantásticas criações "Toy art" que você pode ver em http://www.flickr.com/photos/fafilete/
Tivemos também a presença do Sebba, um dos editores da revista Boca, que trilha os passos experimentais da Rojo, revista de Barcelona. Vejam a Boca em http://www.overmundo.com.br/overblog/uma-revista-sem-palavras
O Sebba, além de ser o maior designer do Recife (2,02 m), é também percussionista da banda Negroove (que tem um bom nome!).
Tem muito mais gente boa por lá, basta chegar.

Calígrafos


O processo de levar meus cursos para outras cidades do Brasil sempre começa com a participação ativa de algumas pessoas-chave nestes locais. São eles que ficam responsáveis pela divulgação, convênios com universidades ou escolas, patrocínios, e finalmente formar um grupo de interessados nos cursos.

O convite para o Recife partiu do Matheus Barbosa, estudante de design, calígrafo (fã do meu cunhado Yomar Augusto cujo link está no título) e tipógrafo cearense porreta. Foi ele quem fechou o círculo com o pessoal do Centro de Design do Recife, que por sua vez abraçou a idéia. O Matheus me levou a um lugar muito especial em Olinda chamado "A Casa de Noca". Lá eu comi a melhor macaxeira com carne de sol de todo o sistema solar. Visitantes de Olinda: é fundamental conhecer a Casa de Noca!
Olinda é também a terra da minha querida colega ilustradora Rosinha Campos.

PS>: Matheus é esse cara aí fazendo lambança com a lata de tinta spray. O cara me contou que não usa cama pra dormir, só rede. Deve ter sangue caboclo!

São João no Agreste Pernambucano



Após 3 dias de trabalho nas oficinas, parti sem aperreios para o Agreste pernambucano para conhecer a famosa festa de São João. Antes de chegar a Caruaru, fiz uma parada básica e necessária no atelier de Cordel dos filhos do lendário J.Borges.


Lá comprei de J. Miguel e Ivan Borges diversas matrizes de xilo (sim, matrizes!) por 5 e 10 reais (veja na foto: sob as mãos dele estão as que eu trouxe comigo), e depois não resisti e fiz um lance na própria caixa de ferramentas do cordelista, todinha xilografada em grafismos de cordel. Agora meus tubinhos de aquarela têm casa nova.


Depois, já em Caruaru, fui conhecer o Alto do Moura, lugar auto-entitulado "O Maior Centro de Artes Figurativas das Américas" e também centro do artesanato em barro (veio de lá o Mestre Vitalino).
Lembrou-me o velho samba: "...e o Mestre Vitalino, molda em barro o destino do povo tão sofredor..."

Cuidado com os tubarões


Em Recife parece que todo mundo tem uma história de tubarão pra contar...
Na oficina do Diário Gráfico um cara me disse que perdeu um amigo devorado pelos tubas. Imagine a tristeza da mãe do pobre sujeito...
Peguei um taxi um outro dia e, enquanto trafegávamos em frente à praia de Boa Viagem, puxei o velho assunto com o piloto.
"Praia boa pra dar um mergulhinho, né irmão?"

Daí a concidência: o taxista me contou que era também surfista e, um dia sentadinho sossegado lá no outside, esperando a série entrar, sentiu a abocanhada no pé direito. Com vários chutes de canhota ele livrou-se do peixe e voltou remando para a areia com o pé todo esgarçaralhado.
Tive que inventar uma palavra para descrever um pé que precisou de 60 pontos para voltar a ser pé.

Então contei para ele dos 23 pontos que eu tenho na palma da mão direita (a que eu uso pra desenhar!) por causa de uma esporada de arraia, quando eu tinha 13 anos e começava a me aventurar na caça submarina. Bem, mas isso é outro causo.

"E então, você desistiu de surfar?", perguntei.
"Quem desiste de surfar é porque nunca surfou", ele respondeu.

Acho que já li isso em algum adesivo de surfwear.