23.11.09

Em Dezembro tem Diário Gráfico em São Paulo

O Diário Gráfico voa até São Paulo nos dias 12 e 13 de Dezembro para a última rodada criativa de 2009.

Esta é uma parceria com o Ideafixa, que ficará responsável pela divulgação e pelas inscrições do workshop. Então, pra começar olha aí em cima o promo que a Janara fez.

As aulas vão acontecer na Ponto de Contato, Rua Fradique Coutinho, 137 - 3º andar

O Diário Gráfico é uma oficina de desbloqueio criativo que usa o livro como suporte. O programa é focado na prática de trabalho nos cadernos ou sketchbooks, livros alterados (“altered books”) e livros de artista. Serão praticadas diversas técnicas (colagem, impressão, stencils e trabalhos de desconstrução e fragmentação) e também exercícios que propõem a experimentação intuitiva com materiais, achados gráficos, fotografias, transferências, desenhos, colagens e fragmentos do cotidiano. Tudo isto em um contexto onde não imperam as regras, os “certos e errados” e os “sins e nãos” que tanto tolhem a criação artística.

Teremos dois dias inteiros com o seguinte conteúdo:

• aula teórica com projeção das imagens
• manuseio de diversos sketchboks, livros alterados e livros de artista
• técnicas como colagem, impressões, transferências
• uso de stencils com latas de spray e outras formas de experimentação gráfica
• desconstrução e edição do Diário Gráfico
• encadernação (costura de um livro de estrutura “códex)


São apenas 20 vagas e cada participante receberá seu certificado ao final do curso.

Para saber mais Informações escreva para cursos@ideafixa.com ou ligue (011) 6760 6101

(Pessoal de outros estados do Brasil interessados nas oficinas, escrevam p/ alarcao_workshops@terra.com.br para saber como colocar a sua cidade no mapa)

Domingo de sol

22.11.09

A melhor vista do Rio

Dizem que Niterói tem a melhor vista do Rio...
No feriado de Zumbi aproveitei o tempo bonito para levar meu filho para curtir o Parque da Cidade, point da rapaziada que gosta de voar. A paisagem que se vê de lá de cima é inigualável...


Voa moleque!


17.11.09

Argumentação pelo fim do atual sistema de educação

Até hoje eu nunca havia ouvido falar no casal Toffler (Alvin e Heidi). Então recebi um link pelo twitter e assisti a este video com pouco mais de 6 minutos.


Outro dia desses mesmo estava conversando sobre o assunto Educação com uma amiga. Disse à ela:

"Acho uma pretensão e uma arrogância as escolas dizerem que preparam as crianças para o futuro. Principamente porque hoje o futuro muda vertiginosamente a cada ano, paradigmas caem como dominós graças à revolução digital, que trouxe a reboque uma revolução ainda maior na comunicação, nas relações de trabalho e na produção. O futuro precisa de gente criativa, inventiva, que pensa fora da velha caixa de fórmulas."

Alvin e Heidi Toffler são escritores e futurologistas.

Imagino que, se alguém no Brasil recebesse a qualificação de "futurologista", na hora imaginaríamos um turbante na cabeça, um tabuleiro de búzios, uma bola de cristal, pinturas cafonas de avatares luminosos dependuradas nas paredes e umas pirâmides decorando o ambiente. E as declarações que sairiam de sua boca?

"Em 2012... a Grazi Massafera terá um filho com Cauã Reymond!"

Acredito que um futurologista não é nem um mago, nem um intuitivo e muito menos um adivinho. Ele prevê o futuro quando soma o seu vasto conhecimento do passado com uma arguta observação do momento presente.

Tenhamos todos um bom futuro.


16.11.09

E o Oscar foi para...um ladrão!

Eu tinha 10 anos quando assisti ao curta "The Fly" pela primeira vez. Até hoje ele me dá coceiras...


Uma busca rápida no "pai dos burros digitais" (Google), e me deparo com uma insólita história em torno de Ferenc Rofusz, criador desta incrível animação vencedora do Oscar em 1981.

Parênteses: aquele foi o ano em que Reagan levou um teco, para sorte do Sebastião Salgado, único fotógrafo ali para documentar o atentado.

Mas voltando ao Rofusz, o cinesta vivia na Hungria, um dos países da chamada cortina de ferro, lugar onde as liberdades individuais e artísticas eram esmagadas sob o peso da ditadura comunista. Obviamente não obteve autorização para ir aos EUA receber seu merecido prêmio.

Mas, para sua surpresa, viu de casa pela TV um sujeito barbudo e completamente desconhecido subir ao palco da academia de artes cinematográficas para receber o Oscar por "The Fly". O cara-de-pau fez-se passar por criador do filme e, de estátua dourada na mão, proferiu com forte sotaque seu breve discurso de agradecimento antes de desaparecer para sempre no éter.

Conheça o verdadeiro Rofusz aqui

11.11.09

O templo


Detalhe de uma arte final que estou fazendo esta noite.
Aliás, ultimamente só mesmo à noite consigo produzir.

Comercial vencedor em Cannes

Gentileza gera gentileza


A mais subestimada das virtudes humanas faz muita falta no mundo. Por ELIANE BRUM

Vivo num prédio em que boa parte das pessoas não dá bom dia. Nem mesmo um grunhido. Nada. Fora o resto. Na semana passada, abrimos o porta-malas do carro para retirar as compras do supermercado, bem ao lado do elevador. Duas mulheres puxaram a porta antes que conseguíssemos alcançá-la, para não ter de dividir o elevador. Puxaram a porta, porque se ela tivesse fechado naturalmente teria dado tempo de entrarmos. Dá para acreditar? Claro que dá. Volta e meia cruzo no pátio, indo ou vindo, com gente que vai ou vem – e abaixa rapidamente a cabeça para não cruzar os olhos e, então, ser obrigada a me cumprimentar. Essas pessoas não me conhecem, nem sabem se sou bacana ou chata, logo, não é pessoal. Até o zelador, cujas atribuições incluem dar bom dia, só cumprimenta quando está de bom-humor.

Então, aconteceu.

Aquele vizinho, em especial, me irritava muito, porque ignorava solenemente meus sonoros bom-dia e boa-noite. Ele simplesmente passava por mim – e por todo mundo – numa marcha militar, olhos fixos em alguma movimentação de tropas no campo adversário. Eu voltava da minha aula de pilates, na manhã de quarta-feira, toda alongada e saltitante, quando o vi avançando em passadas largas na minha direção. “Bom dia!”, eu disse. Nada. Grilos. Cri, cri, cri.

Aquilo me irritou muito. Mas muito mesmo. Não pensei. Simplesmente me virei, marchei mais rápido do que ele, postei-me na sua frente e gritei: “Bom dia! É importante dar bom dia para as pessoas!”. Ele ficou totalmente desconcertado. E o resto eu não vi, porque marchei direto para o elevador, num passo tão marcial como o dele.

Foi uma cena totalmente absurda. Eu fui absurda. Até é possível reivindicar boa educação – embora seja cada vez mais difícil. Mas é impossível exigir gentileza. E não é nada gentil obrigar alguém a ser gentil. Eu fui o oposto de gentil gritando diante do homem que ele deveria ser gentil.

Mas o episódio serviu para que eu pensasse nessa virtude tão subestimada em nosso mundo. Gentileza parece algo menor, descartável. Em alguns casos, até meio otário. Ou fora de moda. Até para escrever essa coluna me pareceu prosaico demais. Pensei: vão achar que estou sem assunto. Então, decidi correr o risco de soar piegas.

“Gentileza gera gentileza”, o título da coluna, foi tomado emprestado dele, o próprio Gentileza. Se você não o conhece, vá atrás de sua história. Garanto, vai ganhar o dia. Eu mesma, na minha ignorância, só sabia que Gentileza havia sido um poeta das ruas que escrevia pelas pilastras do Rio de Janeiro, um pouco maluco, meio folclórico, um tanto extraordinário. E que um dia foi tema de uma música de Marisa Monte. Era bem mais do que isso, descobri. Gentileza foi um grande homem, com um grande legado e uma grande vida.

Passou a maior parte dela pregando a gentileza como um modo de existir. Depois que morreu, em 1996, velhinho, aos 79 anos, a Companhia de Limpeza Urbana do Rio cobriu seus escritos nas pilastras do viaduto do Caju com tinta cinza. Não podia ser mais simbólico. O apagamento de Gentileza gerou um movimento de reação chamado “Rio com gentileza”, que resgatou o livro urbano de Gentileza e propõe a gentileza como uma forma de estar no mundo. Comecei a pesquisar sobre o Gentileza na internet e de cara
entrei no site do movimento. Depois de uma delícia de passeio por lá, saí com vontade de propor o movimento Brasil com gentileza para o meu vizinho.

É sério. Parece pouco. É muito. Faz uma enorme diferença. Quando somos maltratados em algum lugar, por alguém, isso já envenena o nosso dia. E desencadeia reações desencontradas em cadeia. Por outro lado, às vezes nem percebemos, mas a beleza de outro dia, nosso suspeito bom-humor num dia comum, começou lá atrás, quando alguém teve um gesto gentil, nos acolheu com simpatia, nos tratou bem. Seja o nosso chefe, o motorista do ônibus, o balconista da padaria. Faz bem para a vida ser tratado com gentileza. E um gesto gentil também desencadeia reações similares em cadeia. Gentileza, o profeta, tinha toda a razão quando respondia aos que o chamavam de maluco: “Maluco pra te amar, louco pra te salvar”.

Gosto muito de observar as pessoas, os enredos. Percebo que grandes desencontros são desencadeados por um detalhe muito pequeno. É como aquelas cenas de animação, em que o personagem tira uma pedrinha do lugar e causa uma avalanche. Você já deve ter visto em alguma reunião de empresa ou mesmo dentro de casa ou numa repartição pública. Alguém fala algo sem nenhuma gentileza, que poderia ser dito de um jeito muito mais cuidadoso. O destinatário daquela mensagem recebe como agressão e retruca um tom acima. Daí em diante, já era. Não acaba em nada de bom.

Se cada um de nós fizer uma reconstituição mental do nosso dia, hoje mesmo, vai perceber que o pior dele foi causado porque não foram gentis conosco nem fomos gentis com os outros. Desde o bom dia que faltou, o por favor que não foi dito, a buzina desnecessária no trânsito, a cara fechada, o sorriso que economizamos, a ajuda que poderíamos ter dado e não demos, ou ainda a que não recebemos, o elogio que não veio, a crítica que deveria ter sido feita para somar, mas foi programada para massacrar, o veneno que escorreu da nossa boca e da dos outros. Uma soma de pequenos e desnecessários gastos de energia que só serviram para nos intoxicar.

Gentileza é o exercício cotidiano de vestir a pele do outro. É cuidar não de alguém, mas de qualquer um. Mesmo que ele não seja nosso parente, mesmo que seja um estranho. Cuidar por nada. Sem precisar de motivo. Cuidar por cuidar.

Por que algo tão essencial se tornou supérfluo? Porque gentileza não se consome, talvez. Não tem valor monetário. Não se ganha nada de material com ela. Também não custa nada.

Esta, em parte, é a insubordinação contida na arte de Gentileza, o poeta das ruas. Ele, que nunca aceitou um centavo pela sua gentileza. Dizia: “Cobrou é traidor – o padre tá esmolando, o pastor tá pastando e o papa tá papando, papão do capeta capital”.

O resgate desta gratuidade, de algo que é dado sem esperar nada em troca, é o que faz nosso mundo estremecer. Como o que Gentileza deu à cidade do Rio de Janeiro: não apenas seus escritos, mas seu existir. Sua estética era sua ética, ele as continha ambas no seu viver.

Era grande o que ele gerava nas vizinhanças do Caju, ao dar algo que ninguém pediu – sem querer ganhar nada com isso. Nos últimos tempos só acenando sorridente ao lado de sua obra física. Suavemente ele punha abaixo a lógica do mundo. Só sendo. E ser era tão subversivo que, na época da ditadura, chegaram a achar que Gentileza era comunista. Teve de dar explicações às autoridades sobre as iniciais PC do estandarte que então carregava pelas ruas: não, não, PC não era Partido Comunista, mas Pai Criador.

Hoje, tratar mal as pessoas, marchar pelos corredores, fechar a cara, não dar bom dia e dizer coisas duras sem nenhum cuidado parece ser um atributo dos poderosos. Quase uma virtude. Ao conhecer alguns CEOs por aí, fico imaginando se no currículo deles está escrito: “Há 20 anos grita com quem está abaixo dele na hierarquia”. Ou: “Tem PhD por Harvard em humilhação dos subordinados”. Ou ainda: “Massacra os funcionários em inglês fluente, mas se for necessário pode xingar também em francês e mandarim”.

O conjunto de características que costuma cercar o poder é imediatamente incorporado pelos subordinados. Nessa lógica, há sempre alguém mais ferrado que podemos maltratar, a quem não precisamos beneficiar não com a nossa gentileza, porque gentileza não tem nada a ver com isso, mas a quem não precisamos beneficiar com a nossa bajulação. Canso de ver motoboys ser maltratados por recepcionistas de empresas chiques, enquanto me tratam bem porque numa rápida avaliação da minha roupa acreditam que talvez, quem sabe, posso ser alguém importante. Canso também de ser gentil e, por isso, ser tratada com rispidez, porque confundem minha gentileza com fraqueza. Recuso-me a embarcar nessa lógica que me obrigaria a falar alto e exalar arrogância para ser tratada com deferência. Prefiro falar com delicadeza e exalar apenas o meu perfume.
Acho que ser gentil não é nada prosaico, é um ato de resistência diante de uma vida determinada por valores calculáveis: só faço tal coisa se ganhar algo em troca, seja dinheiro ou um dos muitos pequenos poderes ou um ponto a mais com quem manda. A gentileza vira essa lógica do avesso: sou gentil sem esperar nada em troca. Sou gentil porque sou. Não porque tenho ou porque quero. Apenas sou. E, como sabemos, o ter – o consumir desenfreado – é aquele que vai tentar preencher o buraco aberto pela impossibilidade do ser.

Numa de suas internações porque alguém decidiu que ele era louco, Gentileza passava os dias com os outros internos ao redor, pregando sua gentileza. Até que um psiquiatra teria dito: “Gentileza, você veio aqui para nós te curarmos ou para você nos curar?”. Alguém que, como ele, havia se desfeito de todo o patrimônio para pregar a gentileza só poderia mesmo ser considerado louco nesse mundo. Mas, ainda bem, havia um médico que também era um pouco doido para devolver Gentileza às ruas.

Dia desses flagrei-me sendo indelicada com a moça do telemarketing. Me senti muito mal. É chato, todo mundo sabe. Ela também acha chato, tenho certeza, ter de falar como um robô horas a fio, dia após dia. É bem pior para ela do que para mim. Desde então, tenho me esforçado. Pouco antes de começar a escrever esse texto peguei a mim mesma respondendo secamente a uma assessora de imprensa que ligou, errando o meu nome (Elaine Blum) e perguntando se eu trabalhava com um tema que não tem nada a ver com o que faço. É verdade que não é legal errar o nome e a área das pessoas para quem queremos dar uma informação, mas também é óbvio que ela preferia acertar. Às vezes até nos convencemos que temos razão de sermos incivilizados, mas não temos. Se tínhamos alguma, a perdemos no momento em que agimos mal. E sempre há um jeito de dizer, mesmo coisas muito duras, sem arrasar quem nos escuta.

Tenho uma grande amiga que se apaixonou por um homem numa festa. Foi um dos poucos casos de amor ao primeiro gesto que testemunhei. Ela derrubou comida na roupa e ele imediatamente pegou um guardanapo para ajudá-la a se limpar. Logo depois, a encontrei no banheiro e ela me pegou pelo braço: “Vou casar com aquele cara”. E eu, chocada diante de alguém que era famosa por ser avessa a casamento: “Como assim?” E ela: “Ele é gentil”. Ele era – e é – um homem incrivelmente gentil. Estão juntos há sete anos, e o deles é um dos casamentos mais felizes que conheço. Minha amiga, que tinha alguns cantos bem abruptos, ganhou contornos mais arredondados: descobriu que também havia uma mulher gentil morando dentro dela.

Gentileza não é mesmo algo que temos, é mais algo que somos. E que nos tornamos. Talvez o verdadeiro poder esteja naquele que pode dar sem esperar nada em troca. Como Gentileza.

Assim como inventaram um dia sem carro, acho que podíamos criar um dia com gentileza. Não precisa ser uma campanha de massa, basta uma decisão interna, silenciosa, de cada um. Só para experimentar. Um dia só tentando ser gentil. Engolindo a palavra ríspida, calando a fofoca ainda no esôfago, olhando de verdade para as pessoas, escutando o que o outro tem a dizer, mesmo que não nos pareça tão interessante, sorrindo um pouco mais.

Pequenos gestos. Segurar o elevador, dar oi e dar tchau, não se atravessar na frente de ninguém nem sair correndo para ser o primeiro, ter paciência em vez de se irritar, elogiar um pouco mais, deixar passar o que não foi tão legal, mas também não foi tão grave e, quando a crítica for imprescindível, abusar da delicadeza. Um dia só, mesmo que seja apenas para experimentar algo diferente.

Quem sabe o que pode acontecer?

ELIANE BRUM é repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo. É autora de A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo). ebrum@edglobo.com.br

9.11.09

Coisas lindas que se fazem em preto e branco

United Snakes from Stephen Walker on Vimeo.

Um lembrete

Ilustradores, por favor:

Deixem as espirais em paz.

Vestibular

Ilustração de capa de caderno de Vestibular da Folha de São Paulo. Ainda sob impacto do filme "Up", como se pode ver.
Lembro-me que o ano em que fiz Vestibular foi justamente o de mudança no formato das provas. Pela primeira vez entraram questões discursivas (antes haviam somente aquelas de múltipla escolha). Passei para a Escola de Belas Artes da UFRJ e para a PUC do Rio. Escolhi a primeira porque era mais perto e de graça. E foi lá que plantei a semente que fez de mim hoje um ilustrador.
As melhores lembranças que tenho são aquelas vividas nos ateliês de gravura do querido mestre Kazuo Iha. Arigatô Kazuuu!

6.11.09

Capa do jornal Le Monde Diplomatique

Nas bancas a edição de Novembro, com uma capa ilustrada sobre os programas assistencialistas do governo Lula. Design e direção de arte do supertalento zen e campeão da simpatia Daniel Kondo


1.11.09

Saúde!

Arte para o jornal Folha de São Paulo.

23.10.09

Cricket

A primeira parte da história "Starchild Wondersmith" acabou de ser publicada.
Serão 3 edições da maravilhosa revista de literatura infanto-juvenil Cricket.




14.10.09

As 9 guerras de Cornwell

Entreguei hoje a nona ilustração para capa dos livros da série "Sharpe", de Bernard Cornwell.

Nove cenas de batalha! Afff... que tema cansativo de desenhar...



Para conhecer melhor a série Sharpe, recomendo uma visita a http://www.sharpefilm.com/home/
Gostaria de poder assistir na TV.

29.9.09

Alma barroca

Estudei no Colégio de São Bento, no Rio de Janeiro. Fiz crisma e até casei-me naquele impressionante mosteiro erguido em 1617.

Igrejas barrocas como aquela são verdadeiras caixas cenográficas que envolvem todos os nossos sentidos numa atmosfera quase opressiva de misticismo e de submissão ao sagrado. Por dentro a talha de madeira em formas de espirais, volutas e rocailles infinitos, o ouro e a prata abundantes, o piso com sepulturas centenárias, os bonecos que nos observam atentamente e até mesmo os bancos, que obrigam nossas costas a ficarem humildes e desconfortavemente curvadas. Por fora, paredes caiadas, uma arquitetura despojada e simples. O conjunto reflete o ideal humano: humilde por fora e rico por dentro. É a alma barroca. A primeira vez que a conheci de perto, ali por volta dos 11 anos de idade, tive medo e respeito.

Nem em Ouro Preto vi igrejas tão suntuosas quanto aquela do meu colégio.
Confesso que, quando estive naquela cidade mineira, tive mais vontade de conhecer as antigas minas de ouro do que propriamente as igrejas. A curiosidade me fez perguntar sobre isso a um daqueles moleques-guias que perambulavam por ali onde as vans desembarcavam os visitantes. Logo descobrimos uma mina abandonada, meio fora dos roteiros previsíveis dos folders de hotéis. Estava localizada em um bairro pobre, de casinhas simples de tijolos sem emboço. Seus proprietários viviam de explorar "turisticamente" aquele buraco enorme que penetrava no morro que havia no quintal. A uns cem metros acima da boca da mina, estava uma casa muito antiga e bastante destruída.
"Ali morava o capataz", disse o nosso guia.

Éramos um variado grupo de artistas, americanos, franceses, italianos e brasileiros, visitando aquela bela cidade mineira por ocasião de um festival internacional de quadrinhos que acontecia em BH. A idéia maluca de conhecer uma mina foi minha, e alguns gringos acharam aquilo muito estranho.

Antes de adentrar o túnel colocamos toucas semelhantes àquelas usadas no banho, e por cima delas um capacete de plástico. Disseram-nos que a proteção evitaria que pegássemos piolhos. Formamos então uma fila indiana e à medida em que nos aprofundávamos, o teto da mina estreitava-se mais e mais, e nossos pés faziam plocht plocht, pesados de lama. Antes da primeira curva alguns do grupo logo deram meia-volta (o Mutarelli foi o primeiro). No ponto mais fundo do buraco sobraram apenas eu, um francês e o nosso guia, um rapaz negro e grande, voz cantada e olhos vivazes. Como o espaço tinha pouco mais de 1 metro de altura, ele deu um passo a frente e abrigou-se sob um ponto da mina onde o teto era um pouco mais alto. Viámos seu corpanzil somente da cintura para baixo. Ele estava descalço.

O guia perguntou se nós nos importaríamos se ele apagasse a luz.

"Por que você quer apagar a luz?!", perguntei, disfarçando o nervosismo.

"Para que vocês tenham uma idéia mais real do que era trabalhar aqui dentro".

"Mas os escravos trabalhavam com lamparinas, não?" perguntei.

"Não moço, a chama das lamparinas consumia o oxigênio da mina." disse o guia, "imagine só vocês... 18 horas de trabalho aqui nesse breu. Haviam inclusive crianças, que eram usadas para escavar os túneis mais estreitos como aquele ali...", ele então apontou com sua lanterna um túnel de uns 50 cm de diâmetro, que formava uma curva ascendente a desaparecer na escuridão. Aquilo sim metia medo de verdade.

"Tudo bem, apague a luz", concordamos eu e o francês.

E com as luzes apagadas ficamos ali alguns minutos atentos apenas ao som de nossa respiração e ao inquietante murmurejar de nossos pensamentos. Quanto sofrimento e dor estariam impregnados naquelas paredes úmidas, pensei.

"Você conhece todas as igrejas de Ouro Preto?", perguntei, num impulso de espantar os fantasmas que ganhavam forma na minha mente.

"Não, nunca entrei em nenhuma delas."

"Como não?", espantei-me, "vive aqui e NUNCA entrou numa igreja de Ouro Preto?".

"Não entro não moço! Quando eu vejo toda aquela riqueza só consigo pensar no sangue e nas lágrimas que jorraram aqui dentro destes túneis... meus irmãos morrendo para separar ouro do barro. Para quê? Para embelezar uma contrução? Deus não precisa disso."

Desenho de 1991

27.9.09

Um protesto

Alguma aconteceu com o Blogspot. Antes era uma moleza só publicar aqui, Agora tenho que usar um monte de códigos para linkar nomes, etc.

Por conta disso, fazer blog tornou-se uma tarefa meio chata.

O gatinho subiu no telhado.

Um lugar para conhecer em São Paulo

Já ouviu falar de uma cidade chamada São Paulo? Reconhece ela nestas fotos?













Pois é...Nem eu. Mas estive lá para comprovar que este lugar existe. Aconteceu numa segunda-feira atípica, ou melhor, maravilhosa. Qualquer segunda-feira sem trabalho já mereceria este adjetivo, por isso escrevo sobre o que vi e vivi.


Em meados de Setembro estive em Sampa a trabalho e meu primeiro "compromisso" lá foi um café da manhã com colegas ilustradores ali na cafeteria da loja Pintar. O papo com o Marcelo Gomes, Luiz Rosso, Montalvo Machado e Ricardo Antunes, criador da Revista Ilustrar, foi ótimo, feliz e caloroso o bastante para quebrar o clima daquela manhã chuvosa e instalar no espírito a sensação de feriado.

Já estava satisfeito com meu início de semana. Mas o que eu jamais poderia imaginar é que o simples convite do Rosso para almoçarmos num "lugar diferente" nos levaria a um tal "Velhão".


Seja você de São Paulo ou apenas um visitante, não deixe de ir lá. Leve seu caderno de desenhos, sua câmera. Se for louco por velharias e antiguidades (eu sou!), e tiver condições de levar alguma coisa para casa (não tive como!), é só fazer uma oferta. Tudo está à venda.


O Velhão
Estrada Sta Inês, 3000
Mairiporã - SP

16.9.09

Paris, cidade-luz

O FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte está chegando. Este ano o país homenageado é a França e, para celebrar os gauleses, a organização está com uma ampla programação.

Este ano faço parte de uma mostra com 15 autores, dentre brasileiros e franceses, convidados a criar uma página de quadrinhos sobre a França.



Embora seja fã de quadrinhos, nunca me aventurei por estas searas. Esta foi, portanto, minha primeira investida no território das HQs. O tema que me encomendaram é "Paris: cidade-luz".





Depois da FIQ postarei aqui a página inteira dessa minha história de fantasma (com o cenário da cidade-trevas, as catacumbas de Paris brrr...) e o auxílio luxuoso do além do aquém adonde vive os mortos (de onde psicografei umas tiradas boas do Mário Quintana).

11.9.09

As histórias (e os desenhos) que as crianças inventam


Aproveitando o momento de Bienal do Livro aqui no Rio, a diretora da escola do meu fillho me perguntou se eu faria um trabalho com as crianças de lá. A atividade consistiria basicamente em ajudar os pequenos a criarem um livro ilustrado.

Perguntei se já havia um texto, e a resposta foi que, tanto o texto quanto a imagem, seriam criados por elas.

Quais as idades?, perguntei.

"O primeiro grupo possui crianças de dois a seis anos (meu fiho entre eles), e o segundo, com a faixa etária de sete a doze." e detalhou, "19 crianças no primeiro e umas 10 no segundo grupo".

Disse a diretora que a avó de uma das crianças é escritora de literatura infantil ( com livros já publicados e tudo o mais), e esta sugeriu que, em dupla, fizéssemos uma dinâmica de uma horinha com as crianças para elaborar juntos, o texto e a imagem.

"Hum, temos que separar as atividades" disse, "uma hora só não dá".

Disse à ela que, com o primeiro grupo eu preferiria que brincássemos de desenhar apenas. Depois transformaríamos os desenhos em páginas de um livro e poderíamos deixar o texto para vir depois, inspirado pelas imagens.
Com os mais crescidos, a escritora poderia sentar-se com eles antes e ajudá-los a bolar a história. Eu viria em um outro dia para trabalhar com elas as ilustrações sobre aquele material literário que elas queriam transformar em livro.

Enfim, fiz esta semana a "dinâmica criativa" com as criancas e tudo correu super bem. Com o primeiro grupo, os mais novinhos, nos divertimos à vera, sem regras, pura e livre expressão, já que toda criança é uma artista.

Com os mais crescidos (7 a 12 anos), antes de começar o trabalho pedi à orientadora pedagógica para dar uma olhada no texto que eles haviam criado junto com a escritora (falo disso depois, preparem-se).

Comecei com eles nossa atividade com a seguinte pergunta:

"Quem aqui gosta de desenhaaaar?"

Todos levantaram a mão.

Então perguntei para um menino de 7 anos: "Você aí, garotão, gosta de desenhar o quê, dinossauros, carros, super heróis?"

"O DEMÔÔÔNIO!", respondeu ele engrossando a voz.

Arram...OK. Ehn, e vocês meninas?

Corta.

Finalmente, meus caros 6 leitores, compartilho com vocês a sinopse da história criada pelas crianças de 7 a 12 anos:

"Ladrões assaltam um banco e, na saída, dão tiros para todo lado, ferindo civis etc. Mas antes que pudessem fugir com o dinheiro são presos pelo BOPE.

Na cadeia um deles aproveita um descuido dos policiais na hora do almoço e rouba um uniforme. Disfarçado rouba a chave da cela e solta os amigos presos.

Um policial chamado Rogério descobre a manobra a tempo e pede reforços. Os assaltantes são novamente presos, exceto aquele indivíduo que havia se disfarçado. Ele planeja uma vingança contra Rogério, o policial dedo-duro.

Chegando em casa o policial recebe uma mensagem pelo celular dizendo: "estou com sua filha. Solte meus companheiros se quiser tê-la de volta". Rogério sobe as escadas assustado em direção ao quarto da sua filha de apenas 8 anos, Maria, e descobre que ela não está lá.

Ele se desespera e liga para seus companheiros da polícia.

O BOPE aparece com seus cães farejadores e, com eles vasculham toda a cidade, passando pelo bairro do Ingá, Icaraí, São Francisco e Jurujuba (todos bairros de Niterói), até a fortaleza de Santa Cruz...

Adentrando a mata os cães descobrem uma casa "sinistra" e dentro dela encontram e prendem aquele ladrão que havia anteriormente se disfarçado de policial. Mas, para surpresa geral, a crianca não está ali. O pai se desespera.

Então os cães começam a latir para um velho armário. Policiais o quebram e lá dentro encontram assustada e amordaçada, Maria, a filhinha do policial Rogério. Ela é solta e levada para junto do seu pai e da sua mãe, que, chorando de alegria a abraçam e beijam.

Um bom tempo se passou até que a família superasse aquele trauma, e aqueles eventos tristes nunca mais aconteceram e assim eles foram felizes para sempre."

Fim (claro!)

Como se pode notar, temos aqui um folhetim policial 100% mundo cão, só faltando o super herói Capitão Nascimento.

Onde foi parar a fantasia, a inocência, oh meu São Gianni Roddari?

Em tempo: recebi um simpático e-mail da Fernanda lemos, com um link para o video abaixo. O projeto "É proibido NÃO tocar", fica em Milão e traz uma série de jogos, brinquedos e engenhocas inspirados na obra de Bruno Munari para crianças. Ideias tão simples e eficazes para resgatar a fantasia, a curiosidade, a inventividade.




10.9.09

A terra é um organismo vivo (e em estado febril)

Se você não compreende inglês, deixe que as imagens falem por si.

33 câmeras postadas por meses diante de 16 glaciares, registrando imagens em lapsos de tempo. Postas em sequência, as imagens ganham movimento, revelando aquilo que olhos humanos não podem ver.

A partir de 8:15" você poderá ver evidências irrefutáveis do que já está ocorrendo com os glaciares. Um verdadeiro espetáculo trágico representado pela plataforma de gelo com quase 100 metros de altura (uns 32 andares), a avançar lenta e inexoravelmente para o mar.



Dirão que este é um processo natural, e que sempre foi assim. Pergunto, por que, avestruzes do ceticismo, digam-me por que vocês crêm que enfiar a cabeça neste buraco ideológico vai fazer com que as evidências científicas se dissipem?

Os videos do TED são, sem dúvida, as palestras mais interessantes e instrutivas que já encontrei em todo o universo da internet.

Ao mesmo tempo em que é excitante estar aqui para testemunhar todos estes eventos, admito que adoraria ter nascido no século XIX e já ter cumprido com a minha "missão" na Terra.

Ter me tornado discípulo das idéias racionalistas de Richard Dawkins pode ter sido uma má idéia nesta hora...

(E antes que mais um babaca me chame de profeta do apocalipse, antecipadamente mando-os à PQP!)

Circense 2



Mais uma figura teatral. A outra está aqui.