10.5.13

Curso de criatividade começa no Rio em 10 dias

O curso Diário Gráfico está com inscrições abertas para a próxima turma no Rio de Janeiro (Gávea). 
Serão 5 encontros de 3h e a aula inicial é uma palestra com projeção de centenas de imagens sobre o tema do curso e assuntos correlatos como neurociência, acasos felizes, e processos criativos.
Nos últimos 10 anos temos trabalhado não somente com artistas visuais e designers, mas também atraído o interesse de iniciantes e curiosos em explorar na prática seu universo particular de ideias.  Neófitos e leigos de outras profissões não-visuais também divertem-se bastante aqui conosco e no caminho exploram sua auto-expressão.


No final do curso aprendem a costurar um livro que reúne o registro de toda a sua experiência nas 5 aulas: o seu Diário Gráfico

Práticas aos sábados, das 10 às 13h. Somente 8 vagas. Informações e inscrições pelo e-mail alarcao_workshops@gmail.com

7.5.13

Do outro lado tem Segredos

A editora Alfaguara acaba de publicar uma reedição do livro " Do outro lado tem segredos", da escritora Ana Maria Machado.




A história é uma parábola que se passa em uma vila de pescadores, fincada no encontro entre o oceano e a floresta. 

Este é, desde já, um dos livros que mais me fizeram mergulhar nas minhas lembranças de infância, quando aos treze anos de idade costumava acampar com meu tio e primos nas areias da praia de Tarituba, próximo a Parati (RJ). 

Coloquei em cada uma das ilustrações um pouco das memórias felizes daquelas aventuras que vivi: as pescarias, as incursões na floresta, os banhos de rio, os mergulhos de caça submarina, enfim, as muitas experiências que tivemos juntos em contato com a natureza. 
(Lembrei-me agora até do café que o meu tio certa vez coou na minha meia usada - mas esta é uma história para o MEU livro!)

A história que Ana Maria nos conta traz dois protagonistas Bino e Maria, descendentes de africanos e indígenas, respectivamente. Duas crianças praieiras, duas faces do mundo brasileiro, oceano e floresta, com seus mistérios dizíveis e indizíveis.

Gostei muitíssimo de trabalhar com a Daniela Duarte, editora da Alfaguara, e tive também a alegria de ter minhas ilustrações figurando neste bonito livro na companhia elegante do projeto gráfico da Luísa Baeta.

(Aos meus caros 7 leitores: por enquanto vai apenas uma imagem. Colocarei outras assim que possível. Agradeço a sua visita novamente)


13.3.13

A grande Sabat Eleitoral

Essa história chegou aos meus ouvidos assim:

Um senador sofre um ataque cardíaco e morre.  A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada. "Bem-vindo ao Paraíso!" diz São Pedro, "Antes que você entre, há um probleminha.  Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você". O senador então diz:  "Não vejo problema, é só me deixar entrar", e São Pedro responde: "Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte:  Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade". O senador retruca: "Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso!".  "Desculpe, mas temos as nossas regras", São Pedro então o conduz ao elevador que desce até o Inferno.  O Senador entra e após um certo tempo a porta se abre e, como mágica, ele se vê no meio de um lindo campo de golfe.  Ao fundo está o clube onde reunem-se todos os seus amigos e também outros políticos com os quais havia trabalhado em vida.  Todos estão muito felizes e elegantemente vestidos em trajes sociais.  Ele é cumprimentado com reverência, abraçado e, agora bem à vontade entre os seus, começa a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo.  Jogam uma partida descontraída de poker, bebericam umas doses de whisky Logan e depois almoçam uma lauta refeição que inclui lagosta e caviar.  Quem também está presente é o grão-diabo, um cara muito amigável, bom anfitrião e que passa o tempo todo entretendo os convivas, dançando e contando piadas.  Eles se divertem tanto que, antes que o político perceba, já é hora de ir embora.  Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.  Ele sobe, sobe, sobe até que a porta se abre outra vez. São Pedro está lá novamente esperando por ele.  Agora é a vez de visitar o Paraíso.  Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e entoando cantos gregorianos.  Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.  "E aí? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora já pode escolher a sua casa eterna". O senador pensa um minuto e responde: "Olha, o Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou querer ficar no Inferno mesmo".  E assim São Pedro o leva de volta ao elevador, que novamente desce, desce, desce o longo percurso até o Inferno.  A porta se abre e as narinas do excelentíssimo político são inundadas por um um ar mefistotélico, o odor fétido e nauseabundo da podridão do ovo de quinhentos anos. Ele então se vê no meio de um enorme lixão onde todos os amigos de outrora caminham cabisbaixos, com as roupas esfarrapadas e imundas, alimentando-se vorazmente de qualquer coisa que encontram no chão.  O diabo vai ao seu encontro e, sorridente como antes, passa o braço pelo ombro do senador enquanto o conduz. O senador gagueja " Não estou entendendo..." olhos fixos em seu anfitrião, "Ontem mesmo estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, caviar, amigos... Nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!".  O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:  "Meu caro, ontem estávamos em campanha. Agora que já conseguimos o seu voto..."


"Eu desejo ir para o Inferno e não para o Céu. No inferno desfrutarei da companhia de príncipes, reis e papas, enquanto que no Paraíso encontrarei apenas mendigos, eremitas e apóstolos."
Niccolo Machiavelli

5.2.13

Diário Gráfico - O Video

Vejam que bonito o video que o Fausto Uehara fez durante a passagem da minha oficina Diário Gráfico pela cidade de São Paulo. 

Oficina Diário Gráfico: Unlocking Creativity from Fausto Uehara on Vimeo.

As inscrições estão abertas para a próxima turma, em Abril no Rio.

15.1.13

Algo de incrível no reino da Dinamarca

Por volta do ano 2000 encontrei na estante da biblioteca pública de Nova York um livro com um portfolio de ilustrações fenomenais a nankim. Trazia metáforas visuais surpreendentes e que, invariavelmente me conduziam a um mergulho interpretativo visceral e não-objetivo. 

Eram desenhos virtuosos e enérgicos, desconstruídos, seguros, intelectuais e ao mesmo tempo emotivos. Coisa de quem sabia muito, de trás pra frente, de cima a baixo e ainda fazia pirueta dupla carpada Daiane dos Santos na arte do desenho em preto e branco.

Na capa preta daquele livro encontrei apenas um nome estranho:  Per Marquard Otzen. Na apresentação, palavras de Andres François, o que em si era um atestado da "poderosidade gráfica" do indivíduo em questão.

Pesquisando no oráculo digital do Google nada encontrei que se parecesse com aquelas imagens que havia visto na publicação. Descobri no Google apenas alguns desenhos que, nem de longe, tinham a força daquela primeira revelação. 

Como poderia ser? Um artista daquele naipe e inexistente na internet? Nem uma fan page? Será que ninguém o conhecia?

Da pesquisa na internet concluí apenas que o nome estranho é originário da Dinamarca, e isso aliviou a impressão que eu tinha, de que o texto na capa onde se lia "Per Marquard Otzen" tivesse por tradução a frase "A maravilhosa arte de...".

Um dos clichês mais batidos na ilustração conceitual é o desenho da cabeça. Cabeças da qual saem objetos, cabeças com rodas, cabeças em forma de árvores, cabeças cujos olhos projetam luzes, cabeças com o tampo aberto, com projetores de cinema, enfim, o símbolo está mais gasto que sandália de romeiro. Na obra de Otzen ele abusa do uso de cabeças, e consegue o impossível: ser original e inusitado.

Este é, de fato, o portfolio a nankim que mais me impressiona até hoje. 













1.1.13

Life of Pi

Em 7 de Julho de 2002 o caderno de literatura do jornal New York Times publicou uma resenha sobre um livro que havia acabado de ganhar o Booker Prize, um dos mais renomados prêmios literários do Reino Unido. 


Steve Heller, então diretor de arte do NY Times, me passou a missão de ilustrar aquela crítica. Foi o meu primeiro trabalho para o jornal e, sabendo da bagagem do Mr. Heller, autor de mais de 100 livros sobre design e ilustração, senti de cara o "peso da responsa". 

No mesmo dia tratei de pegar na biblioteca perto de casa o livro de Yann Martel e, antes que o sol raiasse, já havia devorado a extraordinária e mágica história do menino e do tigre náufragos.


Logo nos primeiros minutos com o livro nas mãos (e passado o deslumbramento com a capa), atraiu minha curiosidade um agradecimento do autor canadense ao gaúcho Moacyr Scliar na página de dedicatória. Somente muitos anos depois dei-me conta do motivo (veja no video).




Dez anos atrás, o diretor Steve Heller trabalhava de uma maneira peculiar com os novos ilustradores: marcava a apresentação do portfolio e folheava-o em 10 minutos sem dizer uma única palavra. Se gostasse do que havia visto nos entregava o texto para ilustrar e a entrega da arte final ficava marcada para ser feita pessoalmente dois dias depois. Com mais experiência, vim a aprender que trabalhos para jornais, pelo escasso tempo, não passam pela etapa de aprovação de esboços. 

No dia combinado levei o desenho protegido na pastinha e, apreensivo entreguei-o nas mãos do sisudo diretor e lenda-viva do caderno Book Review do Times..

"What a lovely drawing!", disse ele com um sorriso.

Saí de lá feliz e aliviado. E nunca mais esqueci a história do tigre e do menino aprendendo a sobreviver juntos em um bote salva-vidas.



Feliz 2013


Em uma bela manhã de sol tiramos uma folga na rotina e fomos todos bem cedo à praia de Itacoatiara, aqui perto de casa. A foto foi feita pela minha mulher e mostra nosso filho mais velho, Vicente, levitando com o olhar fixo no horizonte.

14.11.12

O fim do mundo será em Goiânia

Quem acompanha este blog já deve ter ouvido falar do Feijão Ilustrado”, o já famoso encontro mensal de ilustradores que ao longo dos últimos 2 anos vem reunindo no Rio de Janeiro uma média de 150 artistas e aficionados das artes do traço.


Dentro desta mesma filosofia, o evento pioneiro é o Bistecão Ilustrado, encontro paulista que abriu caminho para o Baião Ilustrado de Fortaleza, o Rabiscão de Brasília, o Trem Bão Ilustrado mineiro e também o EMPADÃO ILUSTRADO de Goiânia (que é assunto destas linhas)

O projeto goiano acontece desde 2009 e é realizado pelo Coletivo FAKE FAKE. O Fim do mundo é o mote criativo para o encontro FAKE FAKE ILUSTRACIONES 4,  que contará com diversas FAKE FAKE ACIONES  para o público (como foi o ARTEMÓVEL domingo passado).

Estarei lá como convidado para ministrar a Oficina Diário Gráfico e fazer duas palestras (faça sua inscrição AQUI). Tudo com uma temática do caos à criatividade, essa coisa meio fim de mundo...

Para ficar por dentro de toda a programação do FAKE FAKE ILUSTRACIONES 4 - O Fim do Mundo, acesse: http://www.fakefake.com.br/site/fakefake-4-fim-do-mundo/

Os desenhistas brasileiros, tanto os profissionais quanto os estudantes, descobriram finalmente o quanto estes encontros são necessários para se conhecer gente fora do ambiente das redes sociais, abastecer-se de ideias novas, compartilhar descobertas, reforçar afetos e, por que não, desestressar da rotina. 

Com a força das redes sociais (Facebook, Twitter) e animados blogs com fotos, videos, ilustrações, concursos e textos, os encontros de desenhistas pelo país afora vêm formando um público fiel - incluindo os não-desenhistas - a cada edição.

O Feijão Ilustrado, assim como os seus "irmãos ilustrados" que existem pelo Brasil afora, é o happy hour mensal dessa gente que passa a maior parte do tempo criando um mundo paralelo na página em branco, seja com o nariz grudado na tela do computador ou debruçados sobre suas pranchetas. E nada melhor para sair dessa rotina do que encontrar seus pares em uma mesa de bar, bater um papo entre amigos e... desenhar, desenhar, desenhar... 

6.11.12

Aquarela, curso intensivo em Brasília de volta nos dias 1 e 2 de Dezembro


O curso intensivo de Aquarela, que aconteceu em Brasília no último fim de semana de outubro reuniu uma ótima turma, com gente muito interessada, atenta e empenhada em domar esta sublime técnica de pintura. 



O programa do curso incluiu uma aula sobre teoria da cor, onde os participantes aumentaram sua compreensão do assunto a partir da pintura do círculo cromático.

Estudos e demonstrações foram realizados tomando por referência a pintura de grandes mestres desta técnica, como Andrew Wyeth e John Singer Sargent.


Ao final do dia, assistimos a videos com grandes mestres contemporâneos como Charles Reid e Alvaro Castagnet. Todos os participantes receberam ainda uma lista de links super seletos com sites de artistas e videos sobre Aquarela.




Para ver todas as fotos da 1ª edição, visite a galeria virtual da Helena Jansen, uma das organizadoras do curso e também professora de Aquarela no DF. 

Recomendo também uma visita ao blog do Timo Cunha, designer de Brasília.  Nada como ouvir a opinião de quem estava lá. 




A procura pelo curso de Aquarela foi tamanha que já estamos com a data marcada para a próxima edição no Distrito Federal: dias 1 e 2 de dezembro.


Chegou a hora de você finalmente aprender esta técnica tão incrível. Reserve já sua vaga através do e-mail eventos.em.popa@gmail.com.

E lembre-se de divulgar entre seus amigos do Planalto Central.

14.10.12

Em Novembro: Diário Gráfico no Maranhão

A cidade de São Luís do Maranhão vai entrar no mapa das oficinas do Diário Gráfico!

O convite partiu do escritório de design e Branding Karuana Design, que recentemente expandiu suas atividades para a área do ensino com a criação da Karuana Conhecimento

Estaremos lá nos dias 23 e 24, para palestra e curso prático. 

Inscreva-se o quanto antes para garantir o preço com desconto. As vagas são limitadas e a experiência que você vai adquirir certamente pode te colocar em um caminho criativo inteiramente novo.




São Luís é uma cidade que há muito desejava revisitar (conheci apenas quando muito criancinha), pois é lá que estão as raízes da minha numerosa família, berço dos meus queridíssimos Vovô Anthenor e de Vovó Neném. Bença meus queridos!

Imagens e Palavras

Imagens e Palavras é uma exposição que abre no dia 18 de Outubro na Aliança Francesa de Niterói.


A mostra trará os trabalhos de 10 artistas dos quadrinhos, tiras, ilustração e desenho de humor, além de um bate papo sobre nosso métier. Dentre os convidados estão os caríssimos Bruno Drummond, Plinio FuentesMario Alberto e Eduardo Arruda.
A organização desta exposição e a arte do cartaz foi uma parceria minha com meu "brother in arms"  Tiago Elcerdo



28.9.12

Se você quer ser ilustrador

Começou no dia 13 de Outubro no Rio de Janeiro o curso teórico "Ilustração Contemporânea". Esta é a última turma de 2012, fechando o ano com chave de ouro e ocupação total das vagas oferecidas.
Teremos 3 aulas teóricas com projeções em datashow no telão sobre temas como: processos criativos em Ilustração, Ilustração Editorial, e os participantes receberão também orientações sobre auto-promoção e contratos. Esta é a mesma oficina realizada em Brasília, no centro cultural da Caixa Econômica, que você pode conferir no link.


Este é o programa introdutório ao assunto e também pré-requisito para participar do curso de técnicas, marcado para começar em Janeiro de 2013 e com duração de 3 meses. 







18.9.12

Diário Gráfico em Recife

Estamos muito felizes em saber que em Novembro iremos a Recife para realizar o curso Diário Gráfico. O convite veio da Corisco Academia e vamos trabalhar com 100% de vagas ocupadas (com um mês de antecedência!) Obrigado a todos que irão participar e também a Fáfá Finizola, Damião Santana e Matheus Barboza, que estão cuidando dos detalhes deste projeto.



Os Diários Gráficos têm se revelado uma poderosa ferramenta para você exercitar com liberdade a sua expressão criativa, fazer experimentações e descobertas. Descubra aqui o que mais eles podem fazer por você. 

24.8.12

O que pode acontecer com seus olhos depois de alguns anos de bons serviços prestados


Ilustração de André François

Depois de 17 anos de bons serviços profissionais prestados, meus olhos começaram a me deixar na mão (conto 17 anos porque formei-me em Design em 1995).

Foi coisa de uns meses pra cá que dei-me conta de que começava a fazer algumas manobras para poder ver de perto com meus óculos. Frequentemente, deixava a armação estrategicamente posicionada na extremidade do nariz para que pudesse enxergar por fora das lentes.

Das duas armações que tinha, uma se perdeu e a outra estava perneta (como fui perder somente uma perna dos óculos não sei explicar...). Então, para ilustrar meus últimos dois livros precisei trabalhar com uma lupa a um palmo do nariz por várias semanasfeito um Sherlock Holmes. Neste processo ganhei de brinde uma bela enxaqueca.

Antes de encomendar óculos novos decidi ir ao oftalmologista para conferir se algo havia piorado. Foi uma visita de rotina onde constatei que sim, o problema de vista havia evoluído  (e este é um caso típico em que a evolução não é necessariamente uma coisa positiva).

Diagnosticada a vista cansada ("comum a partir dos quarenta anos", disse-me o doutor), recebi a receita médica especificando os dados técnicos para a confecção de uma lente multifocal Zeiss, daquelas "para longe e para perto".

Então, hoje fui lá na ótica, emocionado, mandar fazer meus primeiros óculos multifocais. Emocionado porque são nestas horas fatídicas que ouço mais nitidamente as trombetas do ocaso ecoar ao longe ( e olha que ainda não fiz exame de próstata. Aguardo os avanços da medicina nesta área).

Ao longo da vida seguimos como um automóvel, que ora queima um fusível, fura um pneu, amassa a lataria, pede a troca de uma rebimboca da parafuseta,  ganha um risco na pintura... Da mesma forma, o meu músculo da vista tem andado um tanto cansadinho de tanto abuso.

Mas então, fui hoje à ótica e lá o vendedor me explicou que as lentes Zeiss são alemãs e "as melhores do mercado" (quem é fotógrafo conhece). Quando ouvi este preâmbulo, instintivamente levei minhas mãos aos bolsos, como que para proteger a carteira do que estava por vir. O atencioso funcionário da ótica prosseguiu, e explicou-me didaticamente sobre campos focais, índices de refração e ainda um monte coisas que eu me lembro de haver colado numa prova de física lá pelo ano de 1985. Completou dizendo com pompa e cerimônia que há dois anos as lentes Zeiss começaram a ser produzidas através de um sistema digital laser duplo carpado Daiane dos Santos e tal. Coisa de primeiro mundo, o mundo da Angela Merkel. 

Meia hora antes de entabular esta conversa técnica, eu estava circulando animado pela loja a colocar no rosto todo tipo de armação que havia nos mostruários das paredes. Uma delas, de formato circular, causou-me profundo estranhamento por ter me deixado um tanto parecido demais com o Steve Jobs. Descartei-a de imediato.

Quando a gente é formado em design acaba ficando meio besta e com o alarme permanentemente ligado contra todas as sutis nuances da feiúra e dos projetos ruins. Isso nos acarreta alguns problemas. O primeiro deles é o fosso que se cria entre o almejado e o possível (bom design X bom preço). A regra vale até para simples armações de óculos.

Geralmente descarto 90% das armações que vejo em óticas  Qualquer excesso no design, qualquer logotipo grande demais, qualquer douradinho e firula onde a forma não segue a função, me incomodam. 
Finalmente, quando encontro aquela armação interessante e bem projetada, ela traz consigo uma etiqueta de preço  pra lá de desagradável e nomes que mais se parecem com os de famílias nobres européias: Rodenstock, Pininfarina, Balenciaga, Armani, Azzaro... (claro que nunca usarei uma armação Ana Hickman!)

Pois bem meus caros 7 leitores, esta embromação toda foi pra desabafar e compartilhar com vocês a notícia de que somente a lente multifocal dos meus novos óculos - aquele par de vidrinhos ovais feitos pelo robozinho que fala a língua de Goëthe - me custará 1350 reais. Some-se a isto o preço daquela armação de resina polida por Leprechauns da Bavária e você tem um cliente que, para fazer sua encomenda mais do que necessária, teve que deixar seus olhos míopes sobre o balcão da loja.

Este é mais um motivo para deixar claro que a vida do profissional que usa os olhos tem um custo. E não é barato não.

5.8.12

O próprio Padim Ciço batizou

Este ano estive em Juazeiro do Norte, no Ceará, a convite da Universidade Federal do Cariri (conto depois como foi a oficina do Diário Gráfico por lá).
Aproveitei a ocasião para conhecer as tradições locais, em especial a meca dos devotos do Padre Cícero.  Resolvi então subir a pé uma longa ladeira que serpenteia pelo morro até o Memorial do Padim Ciço, onde há uma estátua gigante do homem. 
Já bem alto na ladeira encontrei uma velha senhora tomando um solzinho na porta de casa. Parei para descansar e aproveitei para bater um papo enquanto fazia uns desenhos e batia umas fotos com meu celular.  Uma bisneta contou que ela estava se curando de uma pneumonia, e nada melhor do que o sol da manhã e um suquinho de acerola.
A velha tinha a risada mais maravilhosa desse mundo, sonora e divertida, e também adornada por apenas um par de dentes. Contou-me que foi batizada pelo próprio padrinho (e eu fiquei a pensar se todas por ali diziam a mesma coisa para os turistas...)
De volta ao estúdio em Niterói (RJ), fiz uma aquarela a partir de uma das fotos daquele encontro. 
PS.: Agora me recordo que prometi enviar uma cópia para a família! Antes tarde do que nunca, vai pelo correio na segunda-feira. 
Com ar novo para encarar a parte final da ladeira ao Memorial do Padim, despedi-me da vovozinha e da família, que aprovou os croquis do meu sketchbook. 
"Vovó está quase cega, moço", disseram-me, "não vai poder ver como seu desenho ficou".


2.8.12

Seeing is believing


Às vezes desenhamos o que vemos. Em outras, desenhamos o que sabemos.
No intervalo entre as duas coisas é que acontece o imponderável, o imprevisível, o improvável.

31.7.12

Onde as árvores cantam

Está nas livrarias o livro "Onde as Árvores Cantam", do qual já mostramos aqui no blog o desenho a carvão que criamos para a capa. 
O miolo traz um texto premiado na Espanha, e não possui ilustrações. Então quem curte desenhos vai ter que se contentar só com a capa mesmo.
Publicado pela Edições SM, que aliás, tem um catálogo cheio de livros in-crí-veis.



Nova versão do livro " O Golem"

Já havia falado aqui sobre esta história muito original que acontece no bairro do Bom Retiro, tradicional reduto onde se concentra uma numerosa colônia judaica em São Paulo. É lá que um grupo de jovens de origem judaica, cansados de serem esculachados e escorraçados por punks e skinheads, decidem invocar os poderes mágicos da Kaballah e criar um vigilante para protegê-los. A criatura, feita de barro, é chamada de Golem, e é baseada em um interessante mito judeu.



Na versão original deste livro das Edições SM o miolo contava com ilustrações em preto e branco. Para esta nova edição todas as ilustrações foram colorizadas e a capa modificada (a nova versão é um layout antigo que não passou na fase de aprovação quando trabalhamos na primeira edição do livro).
Agradecimentos ao Leonardo Carvalho, que topou nossa sugestão.