6.7.07

Um outro tempo, nem passado, nem presente, nem futuro


Ir a Recife e não visitar o universo de Francisco Brennand é o mesmo que ir a Florença e não ver nada do Michelangelo.
Olhem bem, não vou nem entrar na besteira de "guardar as devidas proporções". Considero-o o mais genial artista brasileiro vivo.
Lá em Minas Gerais conversei sobre isso com o Lourenço Mutarelli durante a FIQ de 2007 (a que trouxe o Gary Panter) e ele concordou de imediato. Então se a minha opinião não vale nada, considere a daquele que é um dos mais originais quadrinistas brasileiros.
Quem pensa que Brennand é somente o exótico personagem de barbas brancas afeito à esculturas cerâmicas de formas fálicas, revela-se um completo desconhecedor do mínimo sobre sua obra.
É nos desenhos e pinturas que Brennand se mostra um artista excepcional. Tenho aqui um livro com seus desenhos e nele há uma série de trabalhos maravilhosos onde ele criou novas composições sobre desenhos muitos antigos, deixando vestígios do original transparecerem sobre as novas camadas. Não deixe de ver estes trabalhos.
Pois então, aproveitando a viagem ao Recife voltei lá na Cerâmica Brennand para visitar sua "menagerie" de criaturas. Foi Rosa, minha mulher, que bem definiu aquilo que vimos:
"Aqui tem-se a sensação de estar em outro tempo, nem passado, nem presente, nem futuro. Talvez todos estes tempos de uma vez só e ainda por cima em outro planeta."

2 comentários:

Marcos disse...

Brennandolândia é muito legal. Fui lá pra ver a exposição do Eckhart, em 2003. O divertido é ver como os recifenses mesmo dão pouco valor ao cara. Meio porque ele é a grande referência das artes por lá, então tudo é Brennand, então dá pra entender que muita gente fique de saco cheio.

E se você não comeu no Parraxaxá, você não foi ao Recife.

Alarcão disse...

Não tenha dúvidas de que eu fui no Parraxaxá. Até comi um lance chamado Suvaco de Cobra, bastante saboroso.
Quanto à exposição do Eckhart, acredito que tenha acontecido nas instalações do Ricardo Brennand, o colecionador de arte holandesa colonial e de armas brancas, e não o velho Brennand, artista.