6.5.08

Quem me dera estar no mar



Por conta de um trabalho, passei alguns dias flanando por ali pelo coração de Ipanema a desenhar a fauna e a paisagem do lugar que, dentre outras histórias, foi berço da bossa-nova. Deus foi generoso com aquela parte do Rio!

Bem próximo ao limiar do stress (e nem chegamos ao meio do ano...) minha mente vagueia, rateia e titubeia e fico a lembrar de tempos mais tranquilos, quando tinha mais intimidade com o mar.

Nadar em mar aberto é a lembrança da qual meu corpo mais sente saudades. Mas não me convide para ficar sentado na areia da praia! Prefiro o cheiro de óleo e o som do motor de 2 tempos de uma velha traineira de pesca.

Preciso cuidar da minha saúde... Sentir o sal dissipar a naftalina dos pulmões, o sol a iluminar os lugares empoeirados da mente, e deixar que os ouvidos se inundem com o som de ondas grandes a quebrar.

Saudades dos jacarés em dia de ressaca, dos mergulhos em costões de pedra em busca de mariscos, dos corricos de pesca sendo arrastados no rastro de espuma branca da traineira.

Sob a água, tantas lembranças dos tempos de caça submarina...Me faz falta o relaxante estalar dos ouriços, o azul (todos os azuis!) e a visão dos cardumes prateados espelhando o sol ora aqui, ora ali no fluxo e refluxo do mar contra as pedras.

Viver precisa ser muito mais do que o convívio com lápis, pincéis, tintas, computadores, e-mails... Talvez no ano que vem eu consiga me resgatar.

Um comentário:

Henrique Abreu disse...

Pois é Alarcão, as vezes me sinto assim, cheio de idéias e projetos... mas as vezes quero parar e desenhar, o dia inteiro, tudo q vem na minha mente... mas parece q atualmente preciso marca um horário para mim mesmo...
e se para não pago as contas...enfim...dilema sem fim!

Abração