16.5.07

Falando Merda


Este mundo anda muito estranho. É um mata-mata que não acaba. Homens-bombas, tragédias ambientais, ideologias de conveniência, produtos de obsolescência programada, lixo industrial de alta toxicidade, "e-invenções" para nos deixar ainda mais atordoados de informação, e uma infinidade de novidades efêmeras que seguem despejadas às toneladas sobre todos os nossos órgãos sensoriais. É pau, é pedra, é o fim do caminho.

Mas e as artes?
Ufff... voltaram os iconoclastas.
Temos sempre que ouvir um sujeito falar em fim da pintura, fim do objeto artístico, fim da figuração, volta da figuração, como se tudo isso fosse "A" novidade. As artes plásticas só atestam sua própria condição de "a mais perdida e desnorteada de todas as artes". Então é lata de merda pra cá, cubo de esperma pra lá, e tem até artista que dá um tiro no próprio braço e um outro que faz performance suicidando-se de um prédio sobre uma lona estendida na calçada.

Enquanto isso a rapaziada do grafitti, da "Lowbrow art" e do pop surrealismo vão se embrenhando pelas frestas, comendo esse angu de caroço pelas beiradas.

Vá ver o teatro, vá ver a música, vá ver o cinema, a culinária, a moda, qualquer uma das outras artes. Elas inovam, reinventam-se, não picareteiam a si próprias. Parece que o barbante que guiava o caminho para fora do labirinto em que as artes plásticas se meteram foi usado numa instalação que ninguém vai ver (nem o minotauro!).

Nesta vida tudo muda e se transforma. As artes morrem apenas para renascerem diferentes no dia seguinte, no mês seguinte, na década seguinte. Ou não.
(e, que bom que inventaram esse "ou não", rota de fuga que redime a gente de qualquer sandice)

Viram a foto? Aquela belezinha recheada de cocô custou 22.300 libras ao Tate Museum de Londres. Pelo câmbio de hoje cada grama custou o equivalente a 3.054 reais.

Vai, clica lá no título e continue esse assunto que é tão divertido.

6 comentários:

Fabiano disse...

Já tinha ouvido falar nessa performance em que um cara se jogou do alto de um prédio para "pintar" uma tela com seu próprio corpo espatifado. Se não me engano foi em uma aula de história da arte. Mas essa história me parece tão absurda que chego a duvidar da minha memória. Isso é realmente verdade, houve mesmo essa performance?

Aline Bottcher disse...

Ó que legal aqui....
adicionadérrimo em meus favoritos, amei seus textos!
e as ilustrações!
abraços!

vânia disse...

hahahaaha!
é muita merda mesmo, alarcão!

sou ilustradora tb e venho sempre aqui curtir seu blog. : )

bem bacana.

Henrique disse...

Agora em que prever a morte da pintura é regra, de iconoclastas só sobraram os artistas - que continuam pintando.

nérdi disse...

esses caras devem tomar um café da manhã bem reforaçado, uma latinha dessas e 500 ml de esperma por dia, antes de sair de casas e se jogar de cabeça de um predio!
li seu texto e o da época, e me lembrei de uma frase:
"o mundo teria muito mais sábios, se muitos desses sábios ñ se julagassem sabios, antes de se tornarem sábios"
acho que trocando a palavra 'sábio' por 'artista', seria bem aplicada ao caso!

Fabiana disse...

Frequentando a escola de Belas Artes, conheci as artes visuais, toda a sua confusão e auto picaretagem. E o que mais me machucou foi o preconceito. Preconceito pois a Arte pra ser ARTE na visão contemporÂnea tem que ser desprovida de utilidade. Desse modo não se enquadra na categoria ARTE: ilustração,artes gráficas, artesanato e outras "artes menores".
Ora, se não deve ser útil, se não deve ser bela, se não precisa dizer nada, serve pra quê?

Sob essa ótica melindrosa prefiro não me autodenominar artista.