12.4.07

Big Damn Prints - Coisas que só rolam em Nova York


Eu acredito que uma universidade se faz com muitas coisas - verbas inclusive - , mas principalmente com professores com espírito de iniciativa e alunos constantemente motivados e desafiados.
Sou assinante de uma newsletter digital chamada Dart, e a que me chegou hoje traz uma idéia fabulosa de um professor de gravura do Pratt (uma escola de artes visuais de Nova York): o evento Big Damn Prints.
Com o intuito de promover e expandir os limites da gravura como técnica, e também envolver os alunos em um processo criativo colaborativo, este evento realiza a céu aberto a impressão de enormes xilos nas próprias ruas do campus do Pratt. Estas gravuras são na verdade muito maiores do que qualquer prensa jamais poderia conter, e por isso a impressão é feita com a ajuda de um rolo compressor. Sim, um rolo compressor daqueles que aplainam asfalto na rua!
As xilos ficam então em exposição no próprio local onde foram impressas, seja para estimular novos adeptos da técnica ou simplesmente para estar ali e causar uma grande...hum...impressão!
O Big Damn Prints envolve mais de 40 professores, além de artistas convidados, que orientam os alunos e os neófitos nesta grande celebração criativa, todos envolvidos na produção das imensas obras .
Quem já frequentou um ateliê de gravura sabe bem que este é um dos melhores ambientes criativos para se trabalhar, um local onde a generosidade e a amizade são tão parte do cenário quanto as próprias tintas e prensas.
Tive a felicidade de frequentar dois ateliês, e posso dizer que neles encontrei grandes amigos e pessoas-chave na minha formação. O primeiro foi na EBA-UFRJ, onde aprendi com o "samurai da lito", Kazuo Iha, e com amigos como Ronaldo Rocha, Diucênio Rangel e Gian Shimada. Bem depois, já em Nova York, trabalhei no Robert Blackburn Printmaking Workshop, onde tive o amigo Bruce Waldman como meu mestre na arte da Monotipia.
No ambiente dos ateliês de gravura somos apresentados a muitos artistas, inclusive aqueles que já foram para o andar de cima e hoje só estão nos livros. Um exemplo é a alemã Kathe Kollwitz, maravilhosa gravadora, muito ativa no período entre as duas grandes guerras mundiais. Kathe defendia sua opção pela gravura como meio de expressão, por ser esta "a mais democrática das artes". Eu concordo e acrescento que a ilustração autoral (destaque para o "autoral", por favor) também se encaixa neste conceito.

Este ano, o artista convidado do Big Damn Prints do Pratt Institute é Martin Mazzora do atelier de gravura Cannonball Press. Quem quiser ver mais imagens do atelier Cannonball, é só clicar no título do post. Vai, agora corre para se inscrever num ateliê de gravura mais próximo da sua casa!.

5 comentários:

Henrique disse...

Freqüentei o de xilo e gravura em metal na EBA, durante 1 ano. Aprendi bastante com o Adir Botelho, o Marcos Varella e a Lourdes, além do pessoal que freqüentava a aula. As aulas de modelo vivo da unidade também são ótimas fontes de aprendizado.

Na verdade, acredito que qualquer agrupamento para produção, discussão e troca de experiências sobre arte é um catalisador. Garantido sair com a cabeça fervilhando.

Alarcão disse...

Henrique, como bom leitor, você precisa conhecer o livro "Criatividade e Grupos Criativos", de Domenico de Masi. Ele fala exatamente disso que você comentou.
Aliás, não se esqueça de que ter sido aluno de Adir Botelho é uma grande honra. O Adir é uma lenda-viva, e foi aluno de ninguém menos que Goeldi, o cara que trouxe a xilo para o Brasil.

moleskine - 80 pages of art disse...

Achei que se podesse interessar por este site

http://moleskine80pages-art.blogspot.com

Trata-se de um projecto em que um caderno é passado de mão em mão através de correio e cada pessoa tem direito a preencher uma página.

=)

Marcos disse...

...e depois vale a pena dar um pulinho na exposição do CCBB.

Henrique disse...

Alarca, uma das coisas que fez o adir botelho se interessar pelo meu trabalho, quando visitava o ateliê de gravura, foi justamente um sketchbook (aquele cinza com uma print da minha mão na capa) que comecei a usar depois de fazer o teu curso. Ele vivia falando "isso é um tesouro, vc não deve vender pra ninguém" e passava um tempão folheando e conversando comigo. Foi praticamente uma matéria à parte da aula de gravura...

Quanto ao Domenico de Masi, dele já li "O Ócio Criativo". Achei maiszomédio. Minha única ressalva quanto ao potencial do grupo é quando ele visa elaborar uma só obra, projeto ou etc em conjunto. Bateção de cabeça é contraproducente! Já não se diz por aí que a melhor maneira de não decidir nada é marcar uma reunião?