15.10.10

Assunto aleatório e desinteressante
























Caros amigos,

Eu estava convicto de que meu voto era um anti-voto. Não era orientado pelas qualidados de um candidato, mas pela total rejeição ao outro. 

Recebi e continuo recebendo diariamente e-mails eleitorais de todo tipo, principalmente uma guerra digital anti-Dilma, em geral petardos enviados por gente que sempre teve uma orientação política diferente da minha.

Votei no Lula todas as vezes. Lembro-me que, logo depois do mensalão vieram as eleições e eu disse a mim mesmo: "se eu votar nesse cara de novo troco meu nome". Fui lá e apertei Lula. Não troquei de nome.

Na Dilma eu não voto. É pessoal, é uma rejeição ao Zé Dirceu, ao PMDB, à política que se faz em coligações de chiqueiro, que coloca no cabresto os miseráveis com bolsa-disso-e-daquilo, é a politica das conversas em mesas de pôquer regadas a uísque Logan, é a política que cabe na frase do Lula: "Se Jesus voltasse à Terra buscaria manter boas relações até com Judas Iscariotes" (ou algo assim). É a política que, me parece, todos os partidos fazem.

Eu até acreditava que o PV era diferente, mas depois que o Gabeira se coligou com o DEM do Cesar Maia, perdi as esperanças. Acho o imperador César um fanfarrão que joga para os holofotes.

Este ano votei na Marina, no Minc e no Alessandro Molon (dois deputados petistas). Anulei o voto para senador (deu o evangélico Crivella e o, o... carapintada de bosta Lindbergh). Um parênteses: Lindbergh e seus asseclas saquearam Nova Iguaçu, cidade onde meu pai presidiu o Plano Estratégico, um projeto parceria com Barcelona e Curitiba, e que resultou num livro que, em teoria, seria o mapa para futuros administradores conduzirem a cidade à plenitude do seu potencial. O PT em Nova Iguaçu jogou no lixo todo o trabalho do Plano Estratégico.

Mas voltando aos meus candidatos no primeiro turno, lembro que meu tio, velha águia aposentada da política (fundou o MDB com Ulisses Guimarães, partido que na década de 70 combatia a Arena) até elogiou minhas escolhas. No fundo mesmo, tenho quase certeza de que a Marina e o PV não teriam quadros técnicos para preencher os cargos importantes do governo. Acreditava bastante na capacidade empresarial do vice dela, o presidente da Natura. Notem: foi um voto insólito, onde a esperança do eleitor foi depositada na figura do vice.

Chegaram há poucos dias novas informações que comparam o governo FHC e o do PT. Pensei comigo, "que merda o que FHC fez com as universidades, que omisso...não construiu hidrelétrica alguma, estradas...Será que fecharam as torneiras porque estavam cuidando de zerar as dívidas, buscando estabilizar o Real?". Claro que não, pois, sabemos, as dívidas aumentaram. Será verdade ou mentira que a estabilização da economia (tão alardeada como conquista do PT) é uma herança da política econômica do FHC?

A esta altura, separar a verdade da calúnia é como separar água doce da água salgada. Resta-nos uma meia-verdade com gosto de água salobra.

Então veio a entrevista do Ciro Gomes no programa Jogo do Poder, que vi recentemente no You Tube. Aquilo me cutucou. Ali ele fala que até o Maluf, um sujeito cuja biografia é um prontuário policial, fez mais coisas que o FHC. Ciro lembrou que o Serra ficou ali no governo FHC por 8 anos... Vejam bem, Ciro Gomes e Maluf não são propriamente políticos que contam com minha admiração, mas os fatos listados são inquestionáveis, pois saíram nos grandes jornais.

Leram a última frase? Percebem a importância do que se publica nos jornais? Se estivesse publicado num blog, seria algo passível de questionamento. Mas num jornal, tinta no papel, ah, de jeito nenhum. Notem que isso só ilustra a responsabilidade dos jornais no Brasil (e muitos deles estão vendidos a um ou outro lado da disputa).

Chegamos então no momento em que a escolha do candidato é novamente pautada pela máxima "votar em quem rouba MAS faz". Isso porque TODOS vão roubar. Lamentavelmente é um fato no Brasil.

Vou anular meu voto ou mudar de nome. Mas sei que tanto uma opção quanto a outra não farão a menor diferença nessa democraciazinha brasileira.

(aviso: este blog voltará à sua programação normal após esta postagem)

10 comentários:

The Thales disse...

Rapaz, entrei porque você disse que tinha um desenho e nem sei como ele é. Penso exatamente como você. Se formos comparar números e resultados, o governo Lula dá uma surra no FH. Aí falam da corrupção do atual governo como se tivessem passado uma borracha no anterior. Há algumas eleições voto contrariado no PT, mas entre sujos e esfarrapados, prefiro dar meu voto pra quem faz alguma coisa.

Rdreamer disse...

Belo post. Texto bacana embora não concorde com algumas colocações (Ciro que aponta sua arma segundo seus interesses do momento) que não vem ao caso.

É triste a situação brasileira. Eu nunca viajei para o exterior e fico pensando, será que prá lá acontece o mesmo?

O jeito é a gente se comportar direitinho e pedir prá papai do céu não nos mandar para o inferno. Se bem que eu dúvido que exista inferno pior do que esse aqui... rs

Abração.

Anônimo disse...

Ciro Gomes é um excelente argumentador, dos melhores. O problema é que ele fala o que bem entender, de acordo com a ocasião. Também vi esse vídeo, mas vi esse também, que concordo mais:
http://www.youtube.com/watch?v=pOO1M8OZpEI

GOZZO disse...

Grande Alarcão,

Assistindo a Tropa de Elite 2 nessa segunda-feira passada, cheguei a seguinte conclusão: a melhor forma de combater a corrupção ou, o mínimo que podemos fazer é manter um mesmo grupo no poder pelo menor tempo possível: se nessa eleição der PT, na próxima votarei PV, PSDB, ou qualquer outro da oposição. E na próxima o contrárioa, fazendo isso continuamente e de preferência com um impeachment no meio do mandato para cada um... Esse osso roído do governo brasileiro não deve ficar muito tempo com ninguém, principalmete num país onde a cabeça do povo já é voltada para corrupção, disfarçada de Lei de Gérson.

É minha humilde e lamentável opinião.

Abraço.

Anônimo disse...

A grande vitória do PT, como a do partido do Grande Irmão de 1984, de Orwell, foi conquistar a capacidade de reescrever a história a seu bel prazer. Esses números a que se refere são falsos e maquiados, já foram desmascarados diversas vezes. Historicamente, por exemplo, o maior nível de renda do trabalhador na história do Brasil aconteceu em 1996, primeiro ano do governo FHC e início do plano Real - combatido intensamente pelo PT. Quanto à menção a Ulysses Guimarães, o que dizer? O Lula recusou o apoio do velhinho no segundo turno em 1989, em um gesto de grosseria típica dele e de seu partido. Hoje, todos sabemos, Lula é aliado de Collor. E de Sarney, Jader Barbalho, Maluf... Para Lula, o PMDB bom é o de Sarney e Michel Temer. O PMDB de Ulysses não servia. Quanto a Saramago, explica muito sobre a sua opção citar um autor talentoso, mas politicamente equivocado a ponto de apoiar a ditadura sangrenta de Cuba. Enfim, o Brasil ainda é uma democracia, e cada um vota como quer. Ainda bem.

Anônimo disse...

Uma correção: Serra não ficou no governo FHC por oito anos. VAmos estudar um pouquinho de história, ler mais jornais, lavar o petismo da alma...
O mais legal é atacar o governo FHC, que não foi perfeito porque nada é, mas foi o melhor que o país já teve, usando uma ferramenta como a Internet. Será que teríamos Internet se dependesse da Telebras???

Denis disse...

Olá Alarcão.

Interessante o seu texto, muito bacana se expor.

O Lula hoje ma parece alguém que se lambuza com poder, e o deixa esparramar bem na nossa frente. Seria como alguém que realmente acredita ser um ser grandioso, com história absolutamente grandiosa, e que de alguma forma (questionável, sempre) "ganha" o poder aos moldes de todos que já o ganharam. Faltou coerência com o que ele pregou durante anos (a tal ética, um troféu), faltou compromisso com quem hoje sofre da mesma política de anos, faltou muito.

Pois bem, quando o dinheiro é farto (e vem sendo durante anos) tudo que se faz ao meu ver acaba sendo pouco no Brasil, e eu utilizo o famoso SUS (saúde), e sei bem do que falo.

Estabilização economica tem sim a ver com o Plano Real, isto é fato também. Mas não quero pender para FHC, só estou constatando, pois me coloco como você, sem opções.

Agora, FHC, uma pessoa muito mais estudiosa e conhecedora de políticas internacionais, que teve ao lado grandes conhecedores tambem (professores, filósofos, escritores), por motivos que não me são claros tambem faltou com seu trabalho. Falta de apoio no senado? Deputados péssimos? Ou se lambuzou com o poder também?

Mas, o que me incomoda é que não vejo no Lula uma pessoa que aprende, se arrepende, ou que consegue sair de sua bolha do "nunca antes na história desse país".

Dilma não dá, Serra é o que resta. E já que o poder merece sempre ter alternâncias, por enquanto descarto Dilma. Anular pode nos satisfazer, mas sabemos que não funciona pra nada, só pra dormir em paz.

(ah, não esqueci do seu livro, só preciso de mais algum tempo e trabalho mesmo, rs...Abraço).

Alarcão disse...

Os anônimos que comentaram, poderiam ao menos assinar suas mensagens.
Um deles diz que citar Saramago explica muito sobre a minha opção. Mas que opção cara pálida? Não optei por ninguém!
O outro fala que Serra não ficou 8 anos com FHC e que "temos que estudar história". Seu moço, eu citei apenas a declaração do Ciro Gomes. Ele é que precisa estudar mais (embora tenha feito uma pós em Harvard...). Eu, euzinho, eu tenho mais o que fazer.
Antigamente dizia-se que os partidos políticos eram todos farinha do mesmo saco. Sabem o que eu acho? Que são todos merda do mesmo vaso de boteco.

Estudio Guerra disse...

Achei este post admirável.
Só queria parabenizar pela sensatez, prudência e coerência dos argumentos.

Só é uma pena o "anonimato" tentar se utilizar de disto como palco eleitoreiro.

Léo Aranha disse...

Olá Alarcão.

Meu nome é Léo e sou estudante de Artes Visuais ( ilustração ) na Pestalozzi ( Aqui mesmo em Niterói ).

Tenho acompanhado seu blog faz pouco tempo mas tenho gostado porque, além dos conselhos, dicas e outras coisas, vocês expõe gostos, etc ( como aquele post sobre o filme A vida dos outros).

Com esse seu post sobre a eleição me senti à vontade para escrever:

A posição que tenho é que houve uma grande virada com o passar dos anos até o Lula chegar ao poder e, chegando ao poder, a virada para a direita não indicou apenas uma " necessidade", indicou má fé.

Sou filiado ao psol e sei que dentor do meu partido deve haver também gente mal intensionada.

Mas eu não posso me cansar e desistir, pois aí é que estarei entregando o ouro. Anulei meu voto no segundo turno ( no primeiro fui Plínio )mas continuo exercendo minha cidadania e tendo o poder de colocar a boca no trombone.

Gostei muito do seu post...

Mas tem gente boa Renato... tem gente boa !

Um grande abraço para você.

Léo Aranha

p.s - Em breve tentarei me escrever em alguma oficina tua.