9.9.09

Cruzando o deserto e outras

Esboço e arte-final de ilustrações do livro ABC do mundo judaico, publicado pela Edições SM.



"Não importa o deserto, mas a fé que anima sua travessia", já dizia Joe Camel...
Abaixo, Abraão e Isaac, em diversas fases.



Quem dera os anjos pudessem intervir toda vez que alguém ameaçasse a vida de alguma criança. Aliás, para início de conversa, como pode alguém acreditar que anjos existam?

8.9.09

Categorias de arte


"As obras de arte dividem-se em duas categorias: as de que gosto e as de que não gosto. Não conheço outro critério."

Disse Anton Tchekhov.

3.9.09

RDesign Santa Maria

De partida para o RDesign na Cidade de Santa Maria, a 290 Km de Porto Alegre, para me juntar ao timaço de ilustradores Montalvo Machado e Hiro Kawahara.

Minha palestra será uma versão mais azeitada daquela que proferi no NDesign de Olinda em Julho deste ano.

A importância de participarmos de um evento como esse é algo muito simples de compreender. Já escrevi sobre isso no artigo " O Cérebro do Ilustrador", que você pode ler na íntegra na seção de textos do meu site. Está lá escrito:

"Não há como fugir da realidade dos fatos: o trabalho do ilustrador nasce, respira e existe dentro do território do designer. Nossas ilustrações existem no contexto da linguagem do design, suas estratégias criativas, a influência do cliente e claro, as páginas ou suportes cujo conteúdo é próprio universo do designer. "

E mais:

"Ilustradores e designers, idealmente, devem trabalhar em fraterna parceria, já que compartilham de objetivos semelhantes: produzir conteúdo gráfico memorável. Tanto o primeiro quanto o segundo devem estar conscientes e informados a respeito do universo e das práticas de trabalho do seu colega. O segredo de uma parceria de sucesso talvez esteja nesta relação de respeito e compreensão mútuas."

Tenho certeza que meus colegas compartilham do mesmo ideal: eventos como o RDesign ou o NDesign são uma oportunidade ímpar para semearmos um bom futuro para a nossa profissão. Fazemos este trabalho gratuitamente, justamente por estarmos imbuídos desta certeza e do sentido de "missão".

Vejam aí que legal o video promocional do RDesign. A mocada está fazendo bonito. Quero ver quem vai botar a garrafa de vinho na mesa dos ilustradores, hem?

R Design Santa Maria 2009 from R Design Santa Maria 2009 on Vimeo.

1.9.09

Em setembro o Diário Gráfico aterrissa na POP em Sampa

Foram pouco mais de 10 minutos de divulgação e todas as vagas se foram!

Fico feliz em poder levar minha oficina para a livraria POP. O convite partiu do Roger Basseto, que tem um blog muito bom e um trabalho pessoal melhor ainda. Nos conhecemos quando levei o Diário Gráfico no início deste ano para Sampa.



Então vamos marcar outra dessas em Novembro? Claro que sim. Fiquem ligados.

"Ilustração: Conceito e Prática", o curso




As aulas agora vão acontecer aos sábados no horário noturno (das 18:30 às 21h).

O programa, que agora dura pouco mais de dois meses, permite desenvolver um trabalho mais individualizado, de acordo com a linguagem pessoal de cada participante e com o conteúdo complementado pelas aulas críticas e online.

Este é um curso também focado na inserção no mercado profissional, com aulas sobre auto-promoção para o freelancer, orientação sobre contatos e muito mais.

Com aulas práticas e teóricas, o programa do workshop conta com amplo material audiovisual e bibliográfico, lista de links na internet, análise crítica de portfolios, um pouco da história desta arte, alguns "cases", trabalho em sketchbooks e também exercícios de aula.

As 2 aulas críticas online, somadas às 8 aulas no atelier, formam uma carga horária que cobre a melhor fatia dos assuntos de interesse de quem quer trabalhar com ilustração profissional, seja como ilustrador ou como diretor de arte.

O curso "Ilustração: Conceito e Prática" traz ainda: datashow, videos e slides sobre ilustração contemporânea e do passado, um papo sobre direitos autorais, contratos de cessão de imagens, além de livros, muitos livros para ver.

Tenho orgulho em dizer que diversos ex-alunos deste curso já estão no mercado produzindo seus livros infantis, projetos pessoais auto-publicados e ilustrações para diversos veículos de imprensa. (Ah sim, e aprenderam a direitinho como usar contratos!)

Reserve sua vaga pelo e-mail alarcao_workshops@terra.com.br

13.8.09

Quem vive do passado é museu?

Dica de um amigo. Recomendo este texto do Michael Kepp, que saiu na Folha de SP, o Caderno
Equilíbrio, do dia 6 de agosto. Vejam aí.


Quem vive do passado é museu?

" Duvido que muitos brasileiros se identifiquem com o colunista
americano Herb Caen que confessou: "Costumo viver no passado porque minha
vida está quase toda lá." Neste país do futuro, consumidores valorizam o que
é novo ou está na moda e "progresso" é o lembrete inscrito na bandeira.
Aqui, dizem: "Quem vive do passado é museu."

Os brasileiros vão a museus ver arte contemporânea, e não artefatos
culturais. Ao contrário dos europeus, têm pouca ligação com a própria
história. Aqui, cidades coloniais têm sofrido décadas de descaso. Igrejas
de Ouro Preto e Mariana com paredes rachadas e infestadas de cupins correm
o risco de desabar. E o centro histórico de São Luís, no Maranhão, é todo
degradado.

Em comparação, os italianos glorificam seu passado preservando grande
parte da Roma antiga e usando vilarejos toscanos como repositórios de arte
e arquitetura medieval e renascentista. Os alemães confrontam a vergonha de
seu terrível passado do século XX construindo museus do Holocausto e
memoriais em campos de concentração e fazendo filmes sobre atrocidades
nazistas

Os brasileiros, no entanto, vivem no presente hi-tech. O Brasil se
gaba do quinto maior número de usuários da internet no mundo e 50% de todos
no Orkut. O Rio é a capital mundial da cirurgia plástica, que remove traços
do passado do rosto. Brasília, que JK disse ser projetada como “uma ruptura
total com o passado” ainda parece futurista 49 anos depois. E carrões
superequipados são tão comuns que é difícil acreditar que João Goulart fugiu
do país de Fusca.

Por não olharem para trás, os brasileiros não entendem a fascinação
americana com o ritual da reunião de turma. A cada década, centenas de
colegas da mesma escola voltam à cidade-natal para compartilhar lembranças
da adolescência, uma parte crucial de seu passado. Não perdi uma em 40 anos.

O aviso do filósofo americano George Santayana – “Aqueles que não se
lembram do passado estão condenados a repeti-lo.” – é ignorado aqui. Que
outro povo tem memória tão curta que elege para o Senado um presidente que
se retirou para evitar impeachment e mantém coronéis no poder depois de
abusarem do mesmo? Corrupção e impunidade são tradições tão antigas e
enraizadas que expõem uma das maiores contradições do Brasil, que é também o
país do passado.

Esta também é uma cultura centrada nos jovens. Ao contrário das
culturas chinesa e indígena, não venera os mais velhos pela sabedoria e por
serem repositórios do passado. Aqui, os idosos se sentem inúteis. Então,
raramente aparecem em público, como em Pequim, onde praticam artes marciais
nos parques, ou em Amsterdã, onde passeiam de bicicleta. Aqui, assistem à
parada passar de suas janelas.

O idoso vive mais no passado do que outros porque muito mais de sua
vida está lá. Ainda assim, o passado se acumula atrás da gente a cada
respiração. Mas só tem valor se você aprende com ele. Ou, como disse
Kierkegaard: "A vida só pode ser vivida olhando-se para a frente, mas só
pode ser compreendida olhando-se para trás.”

Folha de S. Paulo, 6 de agosto de 2009

12.8.09

Ahhh, a asquerosa e vulgar política brasileira


Nasci em 70 e lembro-me bem da primeira eleição da qual tomei conhecimento, ali por volta de 77. Meu tio era candidato a deputado pelo MDB e saíamos em carreata pela cidade, a família toda jogando papeizinhos pela janela. Era uma festa cívica para o povo (menos para os garis, que com certeza tiveram trabalho quadruplicado nas semanas seguintes).

O outro partido que havia então era a Arena. Tudo bem simples assim, polarizado entre os dois. A Arena trazia basicamente o pessoal da direita e o MDB os da esquerda. Maluf era da Arena, Ulisses Guimarães do MDB, só para dar dois exemplos do que rolava de cada lado.

Um bom tempo depois o MDB virou PMDB. Olhando superficialmente parece que foi só colocar aquele "P" na sigla, para fazer o que era tijolo virar barro. O mesmo barro que o Collor quis esfregar outro dia desses na cabeça de um tal jornalista da Veja, "para melhor engraxar suas ideias".

(Diz o ditado que "a boca é a válvula de escape para o que faz pressão de dentro da cabeça")

O que é o PMDB hoje? Uma massa amorfa, um saco de farinha onde cada grão só quer saber do seu quinhão, um circo de tuberculosos a escarrar na face da moral pública, uma cambada de...(ehn...tirem as crianças da sala).

Ah, como é ingênua minha indignação. Nós merecemos eles. Por mais conscientes, pagadores de impostos, honestos, éticos, inteligentes e articulados que sejamos. Nós os merecemos!

Sabem por quê?

Porque nossa indignação é somente uma manifestação de boquirrotos. Porque ela só ecoa nas salas de nossas casas, nas mesas dos botecos, só se faz notar nos inócuos e-mails pedindo minutos de silêncio, nas tolas faixas de "basta" dependuradas nas varandas dos triplex da Lagoa, só se faz manifesta em linhas virtuais de blogs-para-meia-dúzia-de gatos-pingados (como este).

Achamos que estamos fazendo grandes coisas pelo coletivo quando temos nossa indignação impressa nas seções de cartas dos jornais.

Mas se o lance for ir pra rua atrás de um batuque, uma rave, uma marcha da brenfa, uma parada florida e engalanada qualquer, batemos recorde de público, fazemos bonito, somos os melhores do mundo.

O único resultado dessas nossas passeatas é um rastro de mijo por vários quarteirões.

Sim, nós o povo, somos os culpados dessa merdelança toda aí...

(Coitada da Marina Silva. Se for eleita presidente é bem capaz destes bandidos da política a matarem)

8.8.09

Acústico

Adoro violão... Andy McKee bebeu na fonte do Michael Hedges, do qual já falei aqui.



Tive um irmão que tocava violão maravilhosamente. Saudades de você mano.

5.8.09

Circense


Essa rolou durante a aula de Desenho Dinâmico. Acrílica sobre papel preto.
A modelo foi a artista circense Patrícia Martins.

Aquarela


Há 10 anos atrás fiz esta. Tempos soturnos aqueles.

31.7.09

O que os arqueólogos do futuro intuiriam sobre nós?



Ando pensando muito sobre essa história da durabilidade do suporte onde registramos ou difundimos nossas criações. Todas elas, mas principalmente as de 100 anos pra cá (inclua nesse bolo as suas, as minhas...)

Papel, disco rígido, pen drives, jornais, livros, objetos de design...Em 2 mil anos, quem vier "cavucar nossos escombros" vai achar que os modernos e contemporâneos, fizeram coisas basicamente com pneus, plásticos, asfalto, concreto, aço, vidros e alumínio.

Alguma vez você já parou para refletir sobre os suportes onde está registrada a CULTURA humana?

Filmes, livros, videos, meios digitais, papéis, tecidos...até mesmo materiais plásticos ( também perecíveis apesar de não desaparecerem por completo, ficam quebradiços e fragmentam-se ad infinitum). Como estas coisas ficarão em mil ou dois mil anos?

O que dizer da música, esta que chamam de "arte invisível" ?Nem venham contra-argumentar dizendo que notas numa partitura de papel tornam a música visível. Aquilo são símbolos que somente um músico entende. De mais a mais, notas numa partitura apodrecerão fácil fácil.

Imaginemos quais artes, artefatos e artistas sobreviveriam ao esmeril do tempo:

Jóias (tanto as de Nefertiti quanto as de Antonio Bernardo), cerâmicas, a cidade subterrânea da Capadócia, uns artefatos antigos dos museus, uma ou outra peça dos nossos monitores e gadgets, vidros, nossos arranha-céus e estruturas arquitetônicas, e também o traçado das nossas cidades, pontes e estradas.

Da arte contemporânea, penso que sobreviveriam as obras do minimalista Richard Serra , os vidros alienígenas do Chihully, as cerâmicas do nosso Francisco Brennand (e de boa parte dos escolheram este material para sua arte), talvez até as esculturas do Stockinger resistiriam (as inteiramente de bronze, com certeza por uns 3 mil anos)... e também artistas que trabalham em pedra, e mais umas coisas curiosas como o monte Rushmore (aquele com os 4 cabeções dos estadistas americanos...).

Apenas o que estiver registrado em um suporte resistente vai resistir ao esmeril do tempo. São uma ínfima porção das criações humanas.

Nossa literatura, desenhos e todas as criações registradas em suportes perecíveis como o papel ou a telinha do i-phone...estes com certeza não deixarão rastros.

E muitas outras coisas se perderiam.

Então a pergunta que me faço, a que me motivou a tecer estas elocubrações é:

Como saberão quem fomos, como vivemos?

29.7.09

Spread oxidado

A cor da tinta de óxido de ferro é de longe a minha favorita.

27.7.09

De volta do NDesign de Olinda



De volta do Encontro Nacional de Estudantes de Design, o NDesign, mostro aqui umas aquarelinhas despretensiosas direto do sketchbook e também umas imagens que fiz durante o evento.

Aos 19 anos de idade, o "N" dá sinais de vitalidade e maturidade crescentes. Esta foi minha segunda ida ao encontro e já sinto que vou querer ir sempre. Conversando com alguns amigos, um deles, jurássico, me contou que já esteve em 11 NDesigns.



Parabéns aos jovens organizadores!
Foi maaaassa!!!


Originalmente o camping ficava naquele gramadão lá ao fundo, mas 3 dias de chuva torrencial fizeram a moçada compreender bem de perto a dor e a delícia que é a vida dos caranguejos. O jeito foi mudar para o estacionamento ali do lado.



Um rolezinho por Olinda é encontrar a cada passo um bom tema pra se pintar uma aquarela.



Parte da moçada que lotou o auditório da AESO se achegou para trocar umas idéias depois da palestra. Me pareceu que o povo curte mesmo llustração. (Huáhahá, tem um sujeito lá no alto à esquerda da foto que está chorando de emoção...)
Juro que cheguei a ficar preocupado com o cof-cof do auditório. Teria sido apenas uma gripe causada pelo fato de muitos estudantes terem dormido molhados em suas barracas? Com um baby de 3 meses em casa, eu não podia correr o risco de trazer de lembrança de Olinda uma gripezinha suína básica.




VROOOOMMMMMM! Voo rasante do avião do Romero Brito sobre o campo de refugiados das adversidades climáticas de Olinda. Bem que o Al Gore avisou que os dilúvios, furacões e epidemias seriam mais frequentes.

Embaixo está a aquarela que fiz ali no fortim , logo em frente à pousada. Muito sossegado, fiquei ali meia horinha curtindo a paisagem que outrora encantou os holandeses de Maurício de Nassau. Hoje, infelizmente, aquele litoral não é mais próprio para o banho.





Aí na página do sketchbook embaixo tem um causo rápido. Aham...
Vou aguardar os organizadores do N me enviarem por Sedex as garrafinhas de licor de banana que eu comprei em Olinda. Na volta para o Rio, escala de um voo para Buenos Aires, o raio-X do aeroporto de Recife fez uma limpa nas coisas que eu estava trazendo. "According to international flight regulations", tive que deixar pra trás até o meu inocente creminho de barba.



Durante o evento, separei um tempo para ler o texto da folha de São Paulo que seria publicado na segunda-feira. Abri o laptop ali mesmo no ponto de encontro do evento, e, em meio ao burburinho local, que incluía a muvuca de estudantes e o som de bandas sofríveis ao fundo, rabisquei a ilustração. Da primeira à última linha o artigo foi só marretada no Sarney. A frase "O Rei está Nu", no último parágrafo, junto com o título "Outono do Patriarca" formaram o conceito central do desenho".



Por falar em pelado, esta bela escultura é conhecida no Recife como "O Picão de Brennand".
Quem nunca ouviu falar de Brennand precisa conhecer este que é um dos nossos maiores artistas vivos!
Já falei desta admiração aqui antes.
Pude conhecer o velho pessoalmente e aquela foi uma aula master com uma lenda viva .




Aqui estou fiscalizando o vai-e-vem das ondas do mar e avaliando se elas estavam chocando-se corretamente contra o dique do marco zero.



Ah, Olinda e Recife, prometo que voltarei sempre.

22.7.09

Chegou um livro bonito


Chegou mais um livro. "O Arminho Dorme" da Edições SM, e já comentado aqui antes.

Acabo de descobrir ao ler na contracapa que este foi considerado um dos 10 melhores livros infanto juvenis do mundo em 2006 e também entrou na lista White Ravens, da renomada biblioteca de Munique.

Tá explicado porque eu o achei tão bom... Mas que pena que fiz somente a ilustração de capa. O design é do Leonardo Carvalho, da SM.

14.7.09

A quem aprende e a quem ensina

Escrevi esta mensagem abaixo a um estudante que, antes de abandonar meus cursos, enviou-me um e-mail onde, dentre outras coisas, disse:
"...porque eu acho que seus conceitos mudaram um pouco e eu me identifico mais com os antigos."

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Caro

Houve um tempo em que o ensino de arte era algo escrito praticamente em tábuas de pedra, como se fossem leis perenes. Professores partiam de profundas convicções e as impunham a seus alunos, sem respeito às múltiplas diferenças de personalidade e interesses expressivos de cada indivíduo.

Um cara como Matisse, por exemplo, teve a sorte de estudar com um professor que conseguia enxergar em seus alunos o potencial latente, e assim trabalhava para magnificar o que cada um deles tinha de mais especial e único. Este era um professor que não impunha verdades absolutas, nem a sua própria forma de ver ou de se expressar.

Lá longe no passado, o sábio Sócrates foi o tipo de professor que chegava em seus colóquios com o objetivo primordial de apenas dialogar. A própria estrutura da palavra dialogar explica bem seu significado: as verdades e conclusões mais sólidas nasciam do embate das idéias do mestre com seus discípulos. Tese, antítese e síntese.

Esta forma de educar e, porque não dizer de aprender, é talvez a que mais me entusiasma e inspira hoje. Os tempos são outros, e, como sabemos bem, tudo evolui muito rápido.

Entendo que o ensino e a aprendizagem de qualquer forma de arte deve ser orgânico e não um conjunto de regras pré-estabelecidas para atender às necessidades de todos.

Vejo um surfista que desliza sobre aquela superfície irregular e inconstante e, mesmo assim, tem que tomar decisões a cada milisegundo para traçar sua trajetória ao longo de uma onda. Ouço um solista de Jazz que leva suas notas para passear sobre uma base bem marcada, e percebo também que ele muitas vezes caminha sem saber exatamente onde vai chegar. É justamente assim que a criação artística brota do seu núcleo mais profundo, a pura fonte da intuição. Da mesma forma, compreendo assim o aprendizado de arte: traçar a jornada como se esta fosse mais importante do que o ponto de chegada.

Há apenas uma semana atrás aprendi uma nova com um amigo taoísta e profundo conhecedor do I-Ching:

" Um professor não deve dispender um grande esforço para educar seu discípulo. A prerrogativa do esforço, da disciplina e do interesse, deve partir sempre do aluno."

Por compreender a profundidade de palavras tão simples, vi-me imediatamente arrebatado por este conceito. E por isso já adotei esta mudança.

Vamos falar a verdade. Na maioria das vezes o professor está ali apenas para criar contextos e oportunidades de aprendizagem, ser a ponte para que outros atravessem, mesmo que aqueles venham a conhecer lugares por onde o próprio mestre jamais pisou ou pisará. O mestre não pode caminhar o caminho por você.

A partir de uma certa idade, especialmente aquela ali por volta dos 8 anos, começamos a usar mais a borracha do que o lápis quando nos lançamos aos materiais de arte. O processo se dá de forma lenta, porém inexorável, e assim construímos muralhas ao redor daquele centro criativo que pulsa no recôndito mais profundo da nossa alma. Chega um momento em que pouca coisa sai dali sem passar antes pelo filtro do racional. O sentimento que cresce e se apodera do indivíduo se parece com um medo travestido de vaidade, fruto vão de um desejo de ganhar elogios, de ser adulado, uma necessidade boba de recompensa emocional, uma vontade de fazer "certo".

Refletindo sobre o trabalho que venho desenvolvendo nos meus cursos e oficinas, percebo que, primeiro de tudo, busco mostrar à pessoa que ela pode, deve e tem o direito de ousar fazer qualquer coisa que dê na telha. Isso porque somente o fazer prático pode ajudar-nos a perder aquele infeliz medo de fazer "feio", "errado", ou fora daqueles cânones bobos de "buniteza" que sei-lá-quem alicerçou. É preciso sim errar e muito, e aproveitemos que ainda não está escrito em lugar nenhum a temida lista de punições para quem "errar" quando atrever-se a expressar-se criativamente.

Cada aluno que me procura tem um potencial diferente e eu só procuro abanar este fogo pessoal, para torná-lo mais aparente e visível (visível para o próprio dono do fogo, importante que isso fique claro). Ocorre às vezes que a pessoa possui apenas uns "foguinhos" dispersos, umas brasinhas espalhadas, uns fogos de palha...

Jovens com grandes qualidades potenciais em estado ainda imaturo são como uma pedra bruta aguardando apenas o cinzel do mestre. Que nada, não é sempre assim que a coisa funciona. Embora a sorte de encontrar um mestre na vida (eu topei com 3 até agora) seja tão rara quanto a de encontrar o seu amor verdadeiro, o esforço maior para lapidar-se em diamante sempre deverá ser do maior interessado: o aprendiz.

Se eu pudesse voltar aos meus vinte anos, talvez só desejasse acrescentar umas pequenas coisas nos primeiros anos da minha vida de artista: o hábito de manter um diário gráfico sempre ao alcance da mão, a prática compulsiva do desenho e mais alguns quilômetros de leitura. Agora, quase um burro de meia idade, aconselho meus alunos a fazerem isso e me realizo ao ver que eles não estão incorrendo nos mesmos erros que eu cometi durante aqueles importantes anos da minha formação.

Assim, em resposta à frase que parece me acusar de uma heresia ("seus conceitos mudaram um pouco"), digo apenas que a mudança é parte da própria vida, é parte dessa coisa entrópica que a tudo gasta no universo, seja o aço ou as montanhas. O mundo das idéias, mesmo sendo não-físico, não está imune a esta força.

Algumas verdades é que permanecem as mesmas sempre. Um dia vamos morrer, e quando esta hora chegar, talvez o único consolo que nos reste seja o pensamento de que vivemos a vida que realmente desejamos viver. Nesta hora, podemos nos lamentar por não termos ousado mais, corrido mais riscos.

"Não siga a estrada, apenas; ao contrário, vá por onde não haja estrada e deixe uma trilha.", disse Ralph Waldo Emerson.

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PS: Este texto nasceu de uma profunda alegria, causada pela visão da produção das muitas pessoas criativas que passaram pelos meus cursos em diversas cidades do Brasil(clique no título para conferir).

13.7.09

Carta antiga publicada no jornal



Voltei a assinar jornais. Mas às vezes não dá tempo de ler e ele fica ali humilde, apenas esperando para ser usado para forrar o chão e mesas do ateliê.

Sonhei ontem que um amigo de infância havia escrito uma carta a um grande jornal e ela havia sido publicada na edição de Domingo (aquela que todos lêem, inclusive eu)

Folheei a revista dominical, encartada entre as muitas folhas de classificados, e na seção de cartas reconheci a pessoa pela forma como encadeou as palavras, algumas eram ainda as mesmas do nosso tempo. Havia mesmo algo ali naquele breve silêncio entre elas, o que me causou um clique. Mas, intrigado, vi que o nome que assinava era outro.

Coisa boa é o sonho. Aqui em meus pensamentos dou um longo abraço em todas aquelas amizades do passado que nunca mais vi.

29.6.09

Mais um desenho de modelo

É só clicar no título que você vê.

24.6.09

Olinda, aí vamos nós



É com a alma lavada e enxaguada em Omo total radiante (aquele da embalagem com hologramas nas 7 cores do arco íris) que informo aos meus 12 leitores que estarei no Encontro Nacional de Estudantes de Design que vai acontecer em Olinda.

Para quem está na faculdade e nunca foi, esta é uma maravilhosa oportunidade para vivenciar os melhores momentos da vida universitária.



Meu primeiro N-Design foi o de Manaus. Tenho grandes lembranças.

Espero que desta vez eu possa ver menos gente bocejando nas minhas palestras (tudo por culpa das concorridas festinhas do N...).

As fotos aí são da minha última ida a Recife, a convite do Centro de Design de lá.

16.6.09

Modelos

Estes são alguns dos modelos com quem já trabalhei (e trabalho).




Daniela Bado (estes dois estudos em cima), é de Porto Alegre, e é professora de Yoga e atriz.


O Christian é chileno e era namorado de uma aluna. Precisava de uma graninha e eu o coloquei para posar no estúdio lendo Pablo Neruda no original em espanhol.


Patrícia posa pra mim até hoje. Em breve teremos um perfil dela no Blog do Marimbondo/.


Tatiane hoje trabalha num circo só para afrodescendentes, baseado no bairro do Harlem em Nova York.


Colagem, desenho e aquarela.

11.6.09

Mesa cheia



Materiais de aquarela na mesa. Mas esta pintura foi feita em acrílica

9.6.09

O Golem (e as capas que não vingaram)

Isso aí é um Golem.



Esquisito o cara, feito de barro como Adão, porém o seu sopro de vida não veio de Deus, e sim de um rabino que sabia os segredos mais obscuros da Cabala.

Ilustrei para a editora espanhola Edições SM um livro infanto-juvenil chamado "O Golem do Bom Retiro".



Aqui estão algumas das capas que não vingaram, além de alguns estudos e artes finais das ilustrações.



Esta de cima é a minha favorita, bem no clima da história.





Todas estas capas são inéditas (até agora, claro) e nenhuma delas foi a escolhida.



A arte final destes esboços está aqui.





O monstro de barro desta história foi criado por garotos do bairro do Bom Retiro, que concentra parte da comunidade judaica de São Paulo. O Golem do Bom Retiro vai protegê-los de um grupo de skinheads.



Ilustração para a Cricket Magazine

Sou fã da revista Cricket. Considero-a uma das melhores revistas de contos para jovens ,por suas ótimas histórias, todas ricamente ilustradas.

Na minha mais recente colaboração com eles, desenhei o conto "Starchild Wondersmith", sobre um menino em busca de sua identidade e cujos pais possuem poderes mágicos. Em breve nas edições de Setembro e Outubro deste ano. (esse ano está voando!)

Nas imagens: o logotipo final e um esboço preliminar da oficina de Puck.

O tempo de planejamento de cada edição é bem antecipado, o que permite ao ilustrador trabalhar com prazos mais humanos.

O resultado estará nas belas páginas desta revista que possui assinantes em mais de 50 países.



I'm a big fan of Cricket magazine. I consider it one of the best publications for the youth, for bringing great short stories, all richly illustrated.
My most recent job for them was illustrating the story "Starchild Wondersmith", which will come out in August and September.
Each issue is planned well ahead of schedule, which allows the artist to work with "humane" deadlines. The result can be seen in the pages of this magazine which has subscribers all over the world.

Images: final logotype and a preliminary sketch for "Puck's workshop".



Aqui um detalhe da arte final. O restante, só em Novembro.

Tarde em Ipanema

Desenhos feitos em Ipanema (posto 9), berço da Bossa Nova. Foram para o letreiro da Chaika, um dos lugares mais perfeitos para aplacar estados desesperadores de larica. Peça o milk shake de pistache.



Afternoon in Ipanema