29.8.10

A grande Sabat eleitoral

Essa história chegou aos meus ouvidos assim:


Um senador sofre um ataque cardíaco e morre.  A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada. "Bem-vindo ao Paraíso!" diz São Pedro, "Antes que você entre, há um probleminha.  Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você". O senador então diz:  "Não vejo problema, é só me deixar entrar", e São Pedro responde: "Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte:  Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade". O senador retruca: "Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso!".  "Desculpe, mas temos as nossas regras", São Pedro então o conduz ao elevador que desce até o Inferno.  O Senador entra e após um certo tempo a porta se abre e, como mágica, ele se vê no meio de um lindo campo de golfe.  Ao fundo está o clube onde reunem-se todos os seus amigos e também outros políticos com os quais havia trabalhado em vida.  Todos estão muito felizes e elegantemente vestidos em trajes sociais.  Ele é cumprimentado com reverência, abraçado e, agora bem à vontade entre os seus, começa a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo.  Jogam uma partida descontraída de poker, bebericam umas doses de whisky Logan e depois almoçam uma lauta refeição que inclui lagosta e caviar.  Quem também está presente é o grão-diabo, um cara muito amigável, bom anfitrião e que passa o tempo todo entretendo os convivas, dançando e contando piadas.  Eles se divertem tanto que, antes que o político perceba, já é hora de ir embora.  Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.  Ele sobe, sobe, sobe até que a porta se abre outra vez. São Pedro está lá novamente esperando por ele.  Agora é a vez de visitar o Paraíso.  Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e entoando cantos gregorianos.  Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.  "E aí? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora já pode escolher a sua casa eterna". O senador pensa um minuto e responde: "Olha, o Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou querer ficar no Inferno mesmo".  E assim São Pedro o leva de volta ao elevador, que novamente desce, desce, desce o longo percurso até o Inferno.  A porta abre e o excelentíssimo é recebido nas narinas por um odor fétido de podridão. Ele se vê no meio de um enorme lixão onde todos os amigos caminham cabisbaixos, com as roupas esfarrapadas e imundas, alimentando-se vorazmente de qualquer coisa que encontram no chão.  O diabo vai ao seu encontro e, sorridente como antes, passa o braço pelo ombro do senador enquanto o conduz.  " Não estou entendendo...", gagueja o senador, "Ontem mesmo estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, caviar, amigos... Nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!".  O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:  "Meu caro, ontem estávamos em campanha. Agora que já conseguimos o seu voto..."

E para fechar com chave de ouro, deixo aqui as palavras de Niccolo Machiavelli: 
"Eu desejo ir para o Inferno e não para o Céu. No inferno desfrutarei da companhia de príncipes, reis e papas, enquanto que no Paraíso encontrarei apenas mendigos, eremitas e apóstolos."

8.8.10

Caos Aéreo


Ilustração para a Folha de São Paulo, feita a partir de imagens de um livro de mecânica de aviões Lockheed que era do meu avô. 

29.7.10

Conversa Ilustrada


A Conversa Ilustrada é o "encontro de sinapses" que realizo regularmente visando a integração entre profissionais de ilustração, estudantes, designers e público aficcionado de artes visuais em geral.

Funciona assim:

Um artista gráfico profissional abre seu portfolio, apresenta originais e faz comentários sobre o processo de cada trabalho, seu conceito, leituras ou interpretações. Ele fala também da sua formação, de técnicas e responde às perguntas dos participantes.

Sempre um encontro intimista e informal, a "Conversa Ilustrada", traz uma proposta de pequeno formato e que, permite um máximo de trocas de informações e experiências com seus artistas convidados. 

A "Conversa Ilustrada" já trouxe como convidados Rico Lins (http://www.ricolins.com/) Mariana Newlands (http://www.interludio.net/), Walter Vasconcelos (http://www.drawger.com/vasconcelos/), Rui de Oliveira (www.ruideoliveira.com.br), André Dahmer (http://www.malvados.com.br/) , Mário Bag (http://mariobag.blogspot.com/), dentre outros.

Para participar dos encontros, é necessário confirmar presença por e-mail.
São apenas 20 vagas, a serem preenchidas pela ordem de chegada dos e-mails. Escreva para  workshops@alarcao.com.br
Ingresso: 20 reais (a caixa do evento é inteiramente revertida ao artista)


PROXIMO CONVIDADO:

A próxima Conversa Ilustrada será na quinta-feira 5 de Agosto terá como convidado o designer Yomar Augusto que vai falar de seus trabalhos em design, tipografia e cadernices.

 

O local é  Jaime Portas Vilaseca Galeria. Av. Ataulfo de Paiva, 1.079, subsolo 109

A Conversa Ilustrada agora tem o apoio luxuoso da Addict 

_________________________

Sobre o designer Yomar Augusto:

Yomar nasceu em Brasília, mas cresceu no Rio de Janeiro, onde se formou em design após um curto período em Nova Iorque onde também estudou fotografia da School of Visual Arts.  Mudou-se para a Holanda para cursar um Mestrado em desenho tipográfico pela Academia Real de Arte de Haia. Atualmente continua morando e trabalhando em Roterdam e desenvolvendo workshops em diversas escolas de arte no mundo, como China, Rússia, Dinamarca, Espanha e Bélgica. 

Seu projeto mais conhecido, em parte devido à Copa do Mundo de Futebol, é a tipografia UNITY, que está na bola Jabulani e em todos os uniformes de futebol oficiais da marca Adidas.

27.7.10

Diário Gráfico, a oficina criativa começa em Agosto

A oficina criativa do Diário Gráfico começa na primeira semana de Agosto no Rio de Janeiro. 
Serão 2 turmas: manhã (das 10 às 13h) e tardes (das 14 às 17h). Apenas 8 vagas por grupo.


Tenho promovido a oficina do Diário Gráfico há vários anos e os resultados têm sido muito felizes. Por instilar nos participantes um estado de espírito mais propenso à criar, sem tempo para os diálogos internos castradores, vejo uma evolução qualitativa da produção e principalmente na atitude diante da página em branco: antes uma muralha, depois uma avenida de possibilidades.

__________________________________________________

Diário Gráfico (com www.renatoalarcao.com.br)
“Uma oficina de criatividade que usa o livro como suporte. Teoria e prática intensivas”
1 aula teórica na sexta (19:30h) + 4 práticas aos sábados das 10:00 às 13:00h, ou das 14 às 17h. Grupo de até 8 participantes. 
Investimento: R$ 440,00 à vista ou em 2X de R$240,00
Materiais básicos fornecidos. 
Participantes irão criar sobre 3 biblio-suportes. 
Na aula final aprenderão a confeccionar um caderno em estrutura “códex” com o seu material produzido em aula.
__________________________________________________

Criatividade, técnicas, embasamento teórico, incentivo à expressão prática pessoal (e diversão!)  são os principais focos dos nossos cursos de artes visuais.

20.7.10

O orgasmo delas

Página dupla na revista científica "Ciência Hoje". Uma abordagem sobre uma das questões mais misteriosas envolvendo o universo feminino: o orgasmo.

4.7.10

O que é feio e o que é bonito é só uma questão de costume











Há uns meses atrás assisti ao filme Helvetica. Não vou me alongar em elogios mas apenas deixar um breve comentário antes de seguir adiante: é um filme fundamental.

Em dado momento ao assisti-lo, chamou-me bastante atenção o depoimento de um jovem designer holandês, que disse algo mais ou menos assim: 

"...desde pequenos estamos tão envolvidos pelo universo do bom design, desde a capa do catálogo telefônico, passando pelos meus livros escolares, os selos, os mapas urbanos... a maioria deles criados pelo Wim Crouwel... então crescemos com este olhar. A presença do bom design é algo tão natural em nossas vidas..."

Isso me fez refletir sobre este olhar que construímos e desenvolvemos desde pequenos. Ele acostuma-se com a paisagem, absorve-a de tal forma que faz dela parte de nossa própria identidade.

Da mesma forma, nos acostumamos também ao que é feio, à abundante feiúra que nos cerca. Ela está onipresente desde o nosso primeiro minuto.

Fiz um teste outro dia. Falei para minha mulher: "repare só os fios dos postes. Note como atravessam por cima de nossas cabeças, veja como são caóticas as conexões quando saem dos transformadores e distribuem-se para os prédios comerciais. Note a feiúra e desorganização em toda parte..."

Fiquei em silêncio dirigindo o carro e, um minuto depois, veio o comentário:

"Noooossa, eu nunca havia reparado nisso! Quero dizer, eu sabia que eles estavam ali e que eram feios, mas nunca havia refletido como poderia ser a ausência deles, coisa que fiz agora".

Quem viaja a países do chamado primeiro mundo nota de cara a ausência destes postes e fios elétricos. Percebe que o ambiente é mais organizado e limpo, o calçamento das ruas é uniforme, os meio-fios padronizados, as calcadas lisas. E então imagina que tudo seja assim apenas "porque se está no primeiro mundo". 

A falta de ruído visual dá essa percepção de limpeza, e os indivíduos mais desatentos notam isso de maneira subconsciente, sem saber exatamente o que há de diferente. 

Vivi fora do Brasil por quase 4 anos. Na volta, logo na primeira semana, tive um baque. Havia perdido até o "timing" para atravessar a rua e temi ser atropelado. Lembro que o primeiro ônibus que peguei era novinho, e, apesar disso, era também incrivelmente feio por dentro. Havia excesso de elementos: tubos de alumínio fazendo curvas quase barrocas, estampas ridículas nos estofados, conexões e penduricalhos desnecessários... Os motoristas permaneciam os mesmos incivilizados, acelerando em direção ao sinal fechado, logo ali 100 metros à frente.

Aqui no Brasil crescemos e vamos nos acostumando à feiúra que nos cerca. Ela está presente no traçado mal feito das cidades, nas calçadas esburacadas, nos aparelhos de ginástica das praças (os de niterói parecem ter sido importados do Sudão), nos letreiros de lojas, nos banners publicitários, na arquitetura medíocre (que infelizmente vai ficar de pé por décadas), nas tosquíssimas soluções urbanas (pontos de ônibus, brinquedos e bancos de praças). A feiúra está até nas coisas que acabaram de ficar prontas!

Não estou falando das exceções, mas da maioria das coisas.

Um amigo certa vez disse uma frase que, para mim, resume este país:

"O Brasil é o país do provisório definitivo."

Existe aqui uma vocação natural para o tosco e a feiúra. Acho que é assim porque crescemos acostumados à isso.

E nesse contexto, o designer brasileiro é, sobretudo, um forte.

Mitologia

Do livro "As Mulheres da Casa de Tróia".

Esta é a cena em que Hécabe, mulher de Príamo, rei de Tróia, transforma-se em uma cadela negra e foge da embarcação que a levava cativa.

Analista

Do livro infantil "O Casamento da Viúva Negra".

2.7.10

Calaram-se as vuvuzelas

Calaram-se as vuvuzelas. O orgulho canarinho volta amarrotado para o fundo da gaveta. Patriotas da pátria de chuteiras, acordemos para a vida que segue! Mas antes disso, saboreemos o fel da derrota. Que sejam destilados litros e litros de bile esverdeada contra o Dunga, contra aquele pobre rapaz que foi expulso do jogo (nem sei o nome dele...). Falemos mal do Galvão, do Mick Jagger (que nos secou...). Hora de sobrecarregar o Twitter com comentários importantes e relevantes. Inventemos um novo CALABOCA, talvez CALABOCABRASIL. E que sejam proferidas as explicações, as teorias e elocubrações mais contundentes e irrefutáveis para o que poderia ter sido feito, o-que-teria-acontecido-se, e sobre como deveríamos ter atuado para não perder de 2 a 1 para a Holanda. 

Nossa orgia futebolística perdeu mais uma oportunidade de mudar a rotação da Terra. Perdemos, mas ainda temos algo muito importante pelo qual torcer: a derrota da Argentina!  Todas as forças psíquicas juntas, agora, fooooorça ALEMANHA!!!!!

Nestes primeiros minutos de nossas vidas pós-copa de 2010, compartilho uma historinha leve sobre futebol. Texto do Scliar e desenho meu.


25.6.10

As Mulheres da Casa de Tróia

Mais uma vez tive o privilégio de ilustrar o texto da escritora Lia Neiva. Desta vez ela nos conta a história da Guerra de Tróia sob uma ótica bem peculiar: a das mulheres. Boa leitura (das palavras e das imagens!).


24.6.10

Matador de Dragões

Queridos Amigos

Trabalho criado para a minissérie de TV "Queridos Amigos".  

A equipe de produção encomendou este sketchbook original para que o ator o usasse na composição de seu personagem, um cara criativo esquema cineasta-videomaker-publicitário-etc.


Os mais sagazes perceberam que toda a identidade visual deste blog foi construída em cima destas colagens.


23.6.10

Feliz aniversário!

Momento fofo aqui no blog: Vicente faz 5 anos hoje. Te amo, filho.

 
Aqui ele faz cara de preocupado na cela de quase 400 anos. Descobri que essa masmorra de pouco mais de 1 m de altura está abaixo do nível do mar. Aquele lugar era na verdade onde eram aprisionados piratas e corsários , para que se afogassem com a maré cheia. Brrr...


As fotos foram feitas na impressionate Fortaleza de Santa Cruz. Há 400 anos ela está a postos em frente ao Pão de Açucar. Recomendo o passeio!

22.6.10

Desenhando na Feira de Livros

Novamente participei do salão FNLIJ dos livros para jovens e crianças.
Este é o quarto ano seguido em que sou convidado para a performance dos ilustradores.  Conversar com as criancas enquando desenho é uma grande diversão. É sempre bom também rever colegas de profissão tão queridos quanto a Rosinha Campos (na foto, me entrevistando)
Chego lá sem saber o que vai acontecer e sempre volto pro estúdio de baterias recarregadas. 

Herbie Hancock e Céu

"That was interesting..."

21.6.10

Einstein na Folha de São Paulo

Hoje na Folha de São Paulo, uma matéria sobre o novo currículo de física nas escolas.

Lembro-me que dos 13 aos 17 anos, esta matéria foi o meu suplício. 

As aulas do Colégio de São Bento eram capitaneadas pelo excelente professor Pardal, que enfiava em nossas cabeças a compreensão do movimento retilíneo uniformemente variado, leis da termodinâmica, da luz e dos espelhos, enfim muitas coisas que simplesmente perderam-se em alguma gaveta da minha mente.

Foram tantos os zeros nas provas que eu poderia fazer com eles um colar. Mas a culpa era minha, que passava a aula inteira a fazer caricaturas e desenhos da Eddie do Iron Maiden.

Pelo que diz o artigo, este currículo de física está parado na década de 50. Agora é hora que quebrar os velhos paradigmas do ensino e trazer para os jovens conceitos mais modernos como os da física quântica e das partículas elementares.

Ainda bem que eu não tenho mais 15 anos de idade.

20.6.10

Carta do Leitor

O título é "Patriotismo". Saiu na Folha de São Paulo neste domingo.

"Em qualquer dicionário "patriotismo" é um sentimento cívico voltado a honrar as glórias, os símbolos e as datas históricas de um país. Já no Brasil é um fenômeno cíclico-social, quadrienal e quadricolor, reunindo a população em torno de onze atletas e uma bola, cuja trajetória parece que vai decidir o destino do país.
Somos o povo que é "penta", mas que não pensa enquanto busca a "hexa-alienação" nacional, ao mesmo tempo em que os problemas crônicos do país continuam os mesmos."

Roberto Castro (São Paulo - SP)

Modelo-vivo

A profissão de modelo-vivo é o tema de uma excelente matéria de capa na revista do jornal O Globo. 
Com ótimo texto de Fátima Sá e belas imagens do fotógrafo Gustavo Pellizzon, o artigo enfoca o universo destes profissonais cujo corpo é o principal foco do estudo e aprendizado de artistas.

Há mais de 500 anos estuda-se a figura humana, um tema inesgotável, repleto de possibilidades tanto temáticas quanto técnicas, e cujo interesse jamais arrefece.


A reportagem veio em momento mais que oportuno, por registrar o momento atual em que cresce o interesse pelo desenho figurativo e por trazer a público uma fatia tão importante do universo das nossas aulas. 

Dentre os personagens no texto estão pessoas muito queridas minhas, como a modelo Patrícia Martins, e o meu mestre - e extraordinário contador de causos - Bandeira de Mello.  Com um legado de quase 60 anos como professor, Bandeira de Mello segue firme em seu "bunker-ateliê, educando sobre todos os segredos do desenho da figura humana. Coincidentemente, a revista saiu publicada no dia de seu aniversário de 81 anos.


A equipe de reportagem encontrou-nos na nossa casual "tertúlia" de vinho com desenho na Urca. Esta tem sido uma das mais prazeirosas atividades com as quais me envolvi nestes anos: estar junto para desenhar, falar de arte e regar com leveza a planta da amizade.

 

Desenhar é preciso. Viver é impreciso.

17.6.10

Palestra no jornal Folha de São Paulo

O que há em comum em figuras como Da Vinci, Galileu, Gutemberg, Thomas Edison e Steve Jobs?

Na palestra sobre Criatividade e processos criativos conectei estes e outros pontos. 

Apresentei-a pela primeira vez ontem em Sampa para a equipe de design do jornal Folha de São Paulo.


Estou cozinhando um curso só a este respeito. Para azeitar as sinapses.
(Em breve em uma universidade, empresa ou NDesign perto de você).