28.9.10

Eleições no Brasil





















Arte publicada na Folha de São Paulo.
Este é um país na plenitude de sua puberdade democrática.
Votarei na Marina Silva. Mas deve dar Dilma (que não me inspira a menor confiança).

26.9.10

Em Novembro tem Fortaleza e Recife na agenda


É bom lembrar: em Novembro estarei em Fortaleza ("Fortal City" para os íntimos) como convidado do evento Baião IlustradoDe lá desço pra Recife para dois dias dedicados à oficina teórica "Ilustração: conceito e prática". Na cidade de Nassau suas reservas devem ser feitas pelo e-mail: cursos@fazdesign.net 

Fiquem ligados e garantam já as suas vagas. 

Vagas limitadas.



23.9.10

Como anda a ilustração brasileira?

Um ótimo artigo da Patrícia Amorim, designer de Recife, na excelente revista/jornal Pernambuco. Saiu no ano passado mas permanece atual.

22.9.10

Hokusai, o sábio

Desde a idade de seis anos eu tive a mania de desenhar as formas das coisas. Quando cheguei aos 50 anos havia publicado uma infinidade de desenhos, mas tudo o que produzi antes da idade dos 70 anos não vale a pena ser levado em conta. Aos 73 aprendi um pouco sobre a verdadeira estrutura da natureza - dos animais, das plantas, das árvores, das aves, dos peixes e dos insetos. Consequentemente, quando eu tiver 80 anos terei feito progressos ainda maiores. Aos 90 penetrarei no mistério das coisas. E, quando tiver 110, tudo o que eu fizer, seja um ponto ou uma linha, terá vida. Peço àqueles que viverem tanto quanto eu, verificarem se não cumpro minha promessa.

20.9.10

Ciclismo que mata


Ilustração para a revista Go Outside de Setembro. O artigo fala de alguns casos de morte súbita no ciclismo profissional.



































Lembro que há muitos anos atrás eu tinha em casa uma edição americana da Go Outside. Um dos seus principais colunistas chamava-se Jon Krakauer, cujo texto eu havia conhecido no excepcional livro "No Ar Rarefeito" . O mesmo escritor é autor da história que veio a se tornar o belíssimo filme "Into the Wild", por aqui chamado "Na natureza selvagem". A trilha sonora que Eddie Vedder (ex Pearl Jam), fez para este filme é assídua nos meus headphones desde que vi o filme.

Fiquei satisfeito em ver que a qualidade da revista Go Outside brasileira não fica devendo nada à matriz original.

Ao lê-la senti saudade das minhas aventuras nas trilhas de Ibitipoca, Serra do Vulcão, etc...

Estudo em aquarela






















Monique tem a maior cara de governanta má, mas é gente fina e linda. E um tanto marrenta.
E eu adoro a cabeleira black power dela.

19.9.10

Essa noite te farei uma visita

O amor

O amor são na verdade três: Eros, Philos e Agape. O primeiro nos deixa tão desnorteados que acabamos por nos esquecer do valor dos outros dois. O segundo está no sufixo de palavras como bibliofilia, a paixão por livros. E, para aqueles que nunca ouviram falar de Agape, ele apresenta-se em palavras como: paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, perdão e honestidade. Notem que elas correspondem a sentimentos que são também comportamentos. 


Esta terceira forma do amor me parece ser talvez a única que nasce da nossa manifestação voluntária, a vontade de amar à maneira Agape.














17.9.10

A caminho de Recife

Alô Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço!

Estou chegando em Novembro para dois dias dedicados à arte da ilustração. Façam suas reservas de vagas pelo e-mail cursos@fazdesign.net Vagas limitadas (e seis delas já têm dono!)


16.9.10

Tristan e Meathaus

Tristan e o temível Meathaus duelam sobre uma ilha rochosa em Cornwell. Ao longe observa o fiel escudeiro de Tristan. A ilustração ocupa a parte inferior de um spread de página dupla.

Desenhando no friozinho de outono em NY


Surf em Ipanema


Há somente uma coisa na vida da qual me arrependo: ter parado de surfar.

Tenho certeza que isto faria de mim uma pessoa melhor, mais leve, mais saudável, mais bronzeado...

Ficção científica

Capa do livro de ficção científica "Nômade". É bem legal o texto.



15.9.10

Três

Spread do sketchbook preto. Postal do Mutter museum, da Philadelphia, que reúne uma vasta coleção de assuntos ligados à medicina.

14.9.10

Picasso aos 15 anos

"levei 15 anos para pintar como Raphael e uma vida inteira para fazê-lo como uma criança"
























Aos 15 anos de idade Picasso pintou esta aquarela de seu pai.
Maldito.

Leveza

13.9.10

Arte da Folha




O blog anda um pouco sem novidades, eu sei. O motivo é aquele que todo mundo sabe: tempo.

Muitos trabalhos em produção, outros mais encaminhados para o final, 5 oficinas em andamento e já me programando para fazer a próxima Conversa Ilustrada, desta vez sobre o meu próprio trabalho.

No dia 13 saiu esse desenho na Folha de São Paulo. Desta vez ilustrei um texto que levanta um ponto de vista que não é exatamente ou 100% o meu. Coisas que acontecem na vida do desenhista de opinião.

Cá entre nós, por mim esse Cesare Battisti ganhava o asilo aqui e pronto. Fez-se escritor, e não acho que precise arrastar como um peso morto pela vida inteira as besteiras que pode ter feito na juventude. Além do mais, me parece que a direita do Berlusconi quer fazer uma caça às bruxas do passado. Não confio em políticos que pintam o cabelo.

Admito que em assuntos da política, não sou de direita nem de esquerda, mas sim do endireita. Se respeitarem os direitos humanos, roubarem menos (!) e não ficarem comprando votos com sacolas de compras, jogo de camisas de futebol e laqueaduras de trompas, já estaremos caminhando numa boa direção. Simples e raso assim.

Mas retornando ao ponto, concordo com alguns momentos do artigo. Por exemplo aquele em que é citada a rapidez do governo em devolver aos seus países os atletas cubanos que deserdaram durante o Pan do Rio, e, por outro lado, a total morosidade em decidir o destino do italiano.

Então o texto fala disso, da benevolência do estado para com o Battisti.

Querem saber? Deixem o cara ser escritor! Eu faria a capa dos livros dele numa boa.

Você tem todo direito de discordar de mim. Ou pode só ficar olhando o desenho.




9.9.10

O feriado cívico já se foi e vamos ao assunto que mais nos interessa: colocar as catracas da criatividade em movimento!



Se liga: esta semana começa aqui no Rio o curso que há tempos vem sendo chamado pelas bocas benditas de "disciplina eletiva da PUC" (tamanha a quantidade de filhos da PUC que atendemos nesses anos!).

Estou falando, obviamente, do Diário Gráfico. 



























Desta vez, atendendo a pedidos, traremos também o Diário Gráfico 2.0, só que este é somente para quem já passou pela experiência da oficina antes.

O Diário Gráfico 2 traz de volta a oportunidade para chamar de volta o quase adormecido ímpeto criativo, e recorta uma fatia do seu tempo para começar ou completar projetos pessoais, iniciar novos ciclos ou simplesmente dar aquela chacoalhada nas ideias novamente.

Serão 5 dias intensivos de pura mão na massa. Tudo isso para acabar também com velha desculpa da falta de tempo ou de espaço para trabalhar.


Ao final do workshop o participante do Diário Gráfico 2 produzirá um livro com encadernação do tipo "Case Binding" ( Lombada quadrada forrada em tecido e com capas forradas em papel) a partir da sua produção.


Quem for fazer o Diário Gráfico pela primeira vez, além de tornar-se membro da comunidade virtual do Diário Gráfico (com membros de toda parte do Brasil) concorre ao sorteio de um sketchbook Zoopress e também de uma gravura minha.

Para se inscrever, envie um e-mail para workshops@alarcao.com.br . Restam 2 vagas somente na turma da tarde (das 14 às 17h).

2.9.10

Sete de Setembro

No desfile de Sete de Setembro de 1979 minha escola foi a vencedora graças ao luxo do casal mirim Dom Pedro e Dona Leopoldina. O imperador sou eu aos 9 anos e 2 dias de idade. Minha mãe, costureira de mão cheia, fez a indumentária com toda atenção aos mínimos detalhes. As medalhas vieram da coleção do meu pai, grande esportista na juventude, e as botas foram emprestadas de um amigo (e estavam grandes no meu pé).


Depois de desfilar de mãos dadas com a princesinha por mais de uma hora, meu coraçãozinho juvenil sucumbiu às flechas de Cupido. O nome da menina eu esqueci mas, lembro-me muito bem dela ter sido minha primeira paixão avassaladora. 


Ah, como são lindos e efêmeros os amores da infância...



29.8.10

A grande Sabat eleitoral

Essa história chegou aos meus ouvidos assim:


Um senador sofre um ataque cardíaco e morre.  A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada. "Bem-vindo ao Paraíso!" diz São Pedro, "Antes que você entre, há um probleminha.  Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você". O senador então diz:  "Não vejo problema, é só me deixar entrar", e São Pedro responde: "Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte:  Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade". O senador retruca: "Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso!".  "Desculpe, mas temos as nossas regras", São Pedro então o conduz ao elevador que desce até o Inferno.  O Senador entra e após um certo tempo a porta se abre e, como mágica, ele se vê no meio de um lindo campo de golfe.  Ao fundo está o clube onde reunem-se todos os seus amigos e também outros políticos com os quais havia trabalhado em vida.  Todos estão muito felizes e elegantemente vestidos em trajes sociais.  Ele é cumprimentado com reverência, abraçado e, agora bem à vontade entre os seus, começa a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo.  Jogam uma partida descontraída de poker, bebericam umas doses de whisky Logan e depois almoçam uma lauta refeição que inclui lagosta e caviar.  Quem também está presente é o grão-diabo, um cara muito amigável, bom anfitrião e que passa o tempo todo entretendo os convivas, dançando e contando piadas.  Eles se divertem tanto que, antes que o político perceba, já é hora de ir embora.  Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.  Ele sobe, sobe, sobe até que a porta se abre outra vez. São Pedro está lá novamente esperando por ele.  Agora é a vez de visitar o Paraíso.  Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e entoando cantos gregorianos.  Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.  "E aí? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora já pode escolher a sua casa eterna". O senador pensa um minuto e responde: "Olha, o Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou querer ficar no Inferno mesmo".  E assim São Pedro o leva de volta ao elevador, que novamente desce, desce, desce o longo percurso até o Inferno.  A porta abre e o excelentíssimo é recebido nas narinas por um odor fétido de podridão. Ele se vê no meio de um enorme lixão onde todos os amigos caminham cabisbaixos, com as roupas esfarrapadas e imundas, alimentando-se vorazmente de qualquer coisa que encontram no chão.  O diabo vai ao seu encontro e, sorridente como antes, passa o braço pelo ombro do senador enquanto o conduz.  " Não estou entendendo...", gagueja o senador, "Ontem mesmo estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, caviar, amigos... Nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!".  O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:  "Meu caro, ontem estávamos em campanha. Agora que já conseguimos o seu voto..."

E para fechar com chave de ouro, deixo aqui as palavras de Niccolo Machiavelli: 
"Eu desejo ir para o Inferno e não para o Céu. No inferno desfrutarei da companhia de príncipes, reis e papas, enquanto que no Paraíso encontrarei apenas mendigos, eremitas e apóstolos."

8.8.10

Caos Aéreo


Ilustração para a Folha de São Paulo, feita a partir de imagens de um livro de mecânica de aviões Lockheed que era do meu avô. 

29.7.10

Conversa Ilustrada


A Conversa Ilustrada é o "encontro de sinapses" que realizo regularmente visando a integração entre profissionais de ilustração, estudantes, designers e público aficcionado de artes visuais em geral.

Funciona assim:

Um artista gráfico profissional abre seu portfolio, apresenta originais e faz comentários sobre o processo de cada trabalho, seu conceito, leituras ou interpretações. Ele fala também da sua formação, de técnicas e responde às perguntas dos participantes.

Sempre um encontro intimista e informal, a "Conversa Ilustrada", traz uma proposta de pequeno formato e que, permite um máximo de trocas de informações e experiências com seus artistas convidados. 

A "Conversa Ilustrada" já trouxe como convidados Rico Lins (http://www.ricolins.com/) Mariana Newlands (http://www.interludio.net/), Walter Vasconcelos (http://www.drawger.com/vasconcelos/), Rui de Oliveira (www.ruideoliveira.com.br), André Dahmer (http://www.malvados.com.br/) , Mário Bag (http://mariobag.blogspot.com/), dentre outros.

Para participar dos encontros, é necessário confirmar presença por e-mail.
São apenas 20 vagas, a serem preenchidas pela ordem de chegada dos e-mails. Escreva para  workshops@alarcao.com.br
Ingresso: 20 reais (a caixa do evento é inteiramente revertida ao artista)


PROXIMO CONVIDADO:

A próxima Conversa Ilustrada será na quinta-feira 5 de Agosto terá como convidado o designer Yomar Augusto que vai falar de seus trabalhos em design, tipografia e cadernices.

 

O local é  Jaime Portas Vilaseca Galeria. Av. Ataulfo de Paiva, 1.079, subsolo 109

A Conversa Ilustrada agora tem o apoio luxuoso da Addict 

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Sobre o designer Yomar Augusto:

Yomar nasceu em Brasília, mas cresceu no Rio de Janeiro, onde se formou em design após um curto período em Nova Iorque onde também estudou fotografia da School of Visual Arts.  Mudou-se para a Holanda para cursar um Mestrado em desenho tipográfico pela Academia Real de Arte de Haia. Atualmente continua morando e trabalhando em Roterdam e desenvolvendo workshops em diversas escolas de arte no mundo, como China, Rússia, Dinamarca, Espanha e Bélgica. 

Seu projeto mais conhecido, em parte devido à Copa do Mundo de Futebol, é a tipografia UNITY, que está na bola Jabulani e em todos os uniformes de futebol oficiais da marca Adidas.

27.7.10

Diário Gráfico, a oficina criativa começa em Agosto

A oficina criativa do Diário Gráfico começa na primeira semana de Agosto no Rio de Janeiro. 
Serão 2 turmas: manhã (das 10 às 13h) e tardes (das 14 às 17h). Apenas 8 vagas por grupo.


Tenho promovido a oficina do Diário Gráfico há vários anos e os resultados têm sido muito felizes. Por instilar nos participantes um estado de espírito mais propenso à criar, sem tempo para os diálogos internos castradores, vejo uma evolução qualitativa da produção e principalmente na atitude diante da página em branco: antes uma muralha, depois uma avenida de possibilidades.

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Diário Gráfico (com www.renatoalarcao.com.br)
“Uma oficina de criatividade que usa o livro como suporte. Teoria e prática intensivas”
1 aula teórica na sexta (19:30h) + 4 práticas aos sábados das 10:00 às 13:00h, ou das 14 às 17h. Grupo de até 8 participantes. 
Investimento: R$ 440,00 à vista ou em 2X de R$240,00
Materiais básicos fornecidos. 
Participantes irão criar sobre 3 biblio-suportes. 
Na aula final aprenderão a confeccionar um caderno em estrutura “códex” com o seu material produzido em aula.
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Criatividade, técnicas, embasamento teórico, incentivo à expressão prática pessoal (e diversão!)  são os principais focos dos nossos cursos de artes visuais.

20.7.10

O orgasmo delas

Página dupla na revista científica "Ciência Hoje". Uma abordagem sobre uma das questões mais misteriosas envolvendo o universo feminino: o orgasmo.

4.7.10

O que é feio e o que é bonito é só uma questão de costume











Há uns meses atrás assisti ao filme Helvetica. Não vou me alongar em elogios mas apenas deixar um breve comentário antes de seguir adiante: é um filme fundamental.

Em dado momento ao assisti-lo, chamou-me bastante atenção o depoimento de um jovem designer holandês, que disse algo mais ou menos assim: 

"...desde pequenos estamos tão envolvidos pelo universo do bom design, desde a capa do catálogo telefônico, passando pelos meus livros escolares, os selos, os mapas urbanos... a maioria deles criados pelo Wim Crouwel... então crescemos com este olhar. A presença do bom design é algo tão natural em nossas vidas..."

Isso me fez refletir sobre este olhar que construímos e desenvolvemos desde pequenos. Ele acostuma-se com a paisagem, absorve-a de tal forma que faz dela parte de nossa própria identidade.

Da mesma forma, nos acostumamos também ao que é feio, à abundante feiúra que nos cerca. Ela está onipresente desde o nosso primeiro minuto.

Fiz um teste outro dia. Falei para minha mulher: "repare só os fios dos postes. Note como atravessam por cima de nossas cabeças, veja como são caóticas as conexões quando saem dos transformadores e distribuem-se para os prédios comerciais. Note a feiúra e desorganização em toda parte..."

Fiquei em silêncio dirigindo o carro e, um minuto depois, veio o comentário:

"Noooossa, eu nunca havia reparado nisso! Quero dizer, eu sabia que eles estavam ali e que eram feios, mas nunca havia refletido como poderia ser a ausência deles, coisa que fiz agora".

Quem viaja a países do chamado primeiro mundo nota de cara a ausência destes postes e fios elétricos. Percebe que o ambiente é mais organizado e limpo, o calçamento das ruas é uniforme, os meio-fios padronizados, as calcadas lisas. E então imagina que tudo seja assim apenas "porque se está no primeiro mundo". 

A falta de ruído visual dá essa percepção de limpeza, e os indivíduos mais desatentos notam isso de maneira subconsciente, sem saber exatamente o que há de diferente. 

Vivi fora do Brasil por quase 4 anos. Na volta, logo na primeira semana, tive um baque. Havia perdido até o "timing" para atravessar a rua e temi ser atropelado. Lembro que o primeiro ônibus que peguei era novinho, e, apesar disso, era também incrivelmente feio por dentro. Havia excesso de elementos: tubos de alumínio fazendo curvas quase barrocas, estampas ridículas nos estofados, conexões e penduricalhos desnecessários... Os motoristas permaneciam os mesmos incivilizados, acelerando em direção ao sinal fechado, logo ali 100 metros à frente.

Aqui no Brasil crescemos e vamos nos acostumando à feiúra que nos cerca. Ela está presente no traçado mal feito das cidades, nas calçadas esburacadas, nos aparelhos de ginástica das praças (os de niterói parecem ter sido importados do Sudão), nos letreiros de lojas, nos banners publicitários, na arquitetura medíocre (que infelizmente vai ficar de pé por décadas), nas tosquíssimas soluções urbanas (pontos de ônibus, brinquedos e bancos de praças). A feiúra está até nas coisas que acabaram de ficar prontas!

Não estou falando das exceções, mas da maioria das coisas.

Um amigo certa vez disse uma frase que, para mim, resume este país:

"O Brasil é o país do provisório definitivo."

Existe aqui uma vocação natural para o tosco e a feiúra. Acho que é assim porque crescemos acostumados à isso.

E nesse contexto, o designer brasileiro é, sobretudo, um forte.

Mitologia

Do livro "As Mulheres da Casa de Tróia".

Esta é a cena em que Hécabe, mulher de Príamo, rei de Tróia, transforma-se em uma cadela negra e foge da embarcação que a levava cativa.

Analista

Do livro infantil "O Casamento da Viúva Negra".

2.7.10

Calaram-se as vuvuzelas

Calaram-se as vuvuzelas. O orgulho canarinho volta amarrotado para o fundo da gaveta. Patriotas da pátria de chuteiras, acordemos para a vida que segue! Mas antes disso, saboreemos o fel da derrota. Que sejam destilados litros e litros de bile esverdeada contra o Dunga, contra aquele pobre rapaz que foi expulso do jogo (nem sei o nome dele...). Falemos mal do Galvão, do Mick Jagger (que nos secou...). Hora de sobrecarregar o Twitter com comentários importantes e relevantes. Inventemos um novo CALABOCA, talvez CALABOCABRASIL. E que sejam proferidas as explicações, as teorias e elocubrações mais contundentes e irrefutáveis para o que poderia ter sido feito, o-que-teria-acontecido-se, e sobre como deveríamos ter atuado para não perder de 2 a 1 para a Holanda. 

Nossa orgia futebolística perdeu mais uma oportunidade de mudar a rotação da Terra. Perdemos, mas ainda temos algo muito importante pelo qual torcer: a derrota da Argentina!  Todas as forças psíquicas juntas, agora, fooooorça ALEMANHA!!!!!

Nestes primeiros minutos de nossas vidas pós-copa de 2010, compartilho uma historinha leve sobre futebol. Texto do Scliar e desenho meu.