9.6.09

Hecate

Hécate é o nome desta mulher de três cabeças e um dos arquétipos mais interessantes da mitologia grega, pois lida com o lado inconsciente do feminino. Representa ainda, o lado feminino ligado ao destino. Manifesta-se em três dimensões: Céu, Terra e no submundo.



One of the most interesting archetypes in greek mythology, for dealing with the unconscious side of the feminine. It represents the feminine related to fate. It manifests itself in 3 dimensions: Sky, Earth and underworld.

6.6.09

Faça uma colagem !

A placa-mãe queimou? Faz uma colagem com o que sobrou dela!

Esboço e arte final (1)

Frequentemente percebo nas pessoas uma grande curiosidade em saber como era uma ilustração na fase embrionária dos esboços. Postarei uma série dessas aqui.
Imagino que, para um diretor de arte que lida diariamente com ilustradores, esta deve ser uma das coisas mais apaixonantes na profissão: acompanhar de perto o desenvolvimento de uma imagem.

4.6.09

Livro Infantil para a editora Candlewick

Saindo do forno da Candlewick, uma das editoras mais perfeccionistas dos EUA, o livro Roberto's Trip to the Top.

O texto, escrito por um famoso escritor americano de best sellers (do qual nunca havia ouvido falar!), narra uma história que se passa na cidade de Caracas na Venezuela.



Os protagonistas são o menino Roberto e seu tio, que partem em um passeio de teleférico até o topo da grande montanha El Ávila.



Antes que perguntem, nunca estive em Caracas, por isso, tive que assistir trocentos videozinhos caseiros postados no You Tube onde pessoas sobem no teleférico para o tal passeio. Parece ser divertido.



O texto escrito em inglês, traz diversas palavras em espanhol. Isso porque hoje, a sociedade americana tem na comunidade latina o grupo mais numeroso dentre as suas "minorias étnicas". É fundamental que desde as idades mais precoces, as criancas se familiarizem com o idioma.

Quem já esteve lá percebeu que nas ruas, fala-se espanhol e o "spanglish" com a mesma frequência que o inglês.



Este foi um projeto no qual a editora me deu um ano para concluir, período no qual estive atarefado com diversos outros trabalhos. Depois, mais um ano de finalização da parte gráfica (scans impecáveis, diagramação e impressão) somado a um cuidadoso planejamento de marketing para o livro finalmente ser lançado em Agosto.

Digam o que quiser sobre quaisquer outros aspectos ligados aos americanos, mas quando o assunto é o seu mercado editorial, os gringos sabem trabalhar direito.

Jam session

Esta foi de presente para um grande amigo.


A arte secreta

Este é o mais novo livro do qual participo.



A caprichada produção gráfica é obra da editora inglesa Laurence King.



Além da presença dos meus diários no prefácio e em 6 páginas, tenho a companhia de artistas pelos quais tenho enorme admiração como Ed Fella, Henrik Drescher, Isidro Ferrer, dentre outros.





Este livro é um livro para estar na biblioteca básica de todo artista visual.



Poeta insano

Em um trabalho recente tive a impressão de ter psicografado algum ectoplasma do poeta Augusto dos Anjos, parnasiano-expressionista dos mais originais que já li. Aliás, também soturno e obscuro.



A imagem feita com tinta de pó de ferrugem mostra apenas um detalhe do spread original. Nela coloquei um pedaço da página de um velho dicionário que era do meu avô (do tempo do telephone).

Agora um poema do poeta para quem "A podridão serviu de evangelho".

Mais atual impossível.

"Idealização da humanidade futura"

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
- Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara eticamente irracionais! -

Não sei que livro, em letras garrafais
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...
E, em vez de achar a luz que os Céus inflama
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

Dupla personalidade

Caminhando no East Village em Manhattan encontrei essa escultura, criada a partir de um único e imenso tronco de carvalho. Exposta aos elementos e às variações de temperatura, sua estrutura ganhou uma personalíssima intervenção natural que a tornou muito mais interessante. A presença próxima de um velho espelho reforçou o conceito Jeckyl and Hyde.

Me arrependo apenas de...

...ter parado de surfar ondas gigantes.


Ok, vamos falar a verdade. Surfei por 3 meses. E mal. Quando minha prancha quebrou num mar ressacado na praia de Figueiras (perto da Praia Grande em Arraial do Cabo), nunca mais comprei outra.

Cruz e Souza, o poeta

Retrato do Cruz e Souza, para um livro que saiu este ano pela editora Pallas. O design da capa é de Aron Balmas.


Floresta

Não há nada tão prazeiroso quanto desenhar árvores. Estas foram para um comercial de TV, mas como não assisto TV há 6 meses, nunca as vi no ar.

O Arminho Dorme


"...Só faltava uma sepultura por abrir, e ninguém ali podia suspeitar de que a visão que os esperava, por mais que fosse breve como um suspiro, ficaria gravada para sempre no fundo de suas mentes.
Debaixo da laje de mármore, repousava intacto e aparentemente fresco o corpo de uma mocinha que parecia adormecida. Os cachos do cabelo louro, recolhidos numa onda ao redor do rosto de marfim, as feições suaves e perfeitamente desenhadas, os lábios rosados e doces… Tudo nela exalava uma naturalidade e uma calma que levava a duvidar de que realmente estivesse morta. Reforçava aquela imagem o sudário branco que envolvia o corpo e cobria inteiramente o cadáver desde o pescoço, como uma roupa ou uma colcha bem esticada, imaculada, em cima da cama.
Aos pés da moça adormecida, dormia outro corpo diminuto, branco, tão branco quanto o dela. Um arminho, talvez o mascote da jovem princesa, acompanhara sua dama na viagem à cova. Fora por vontade própria ou induzida? Impossível saber.
Embora as pessoas não tivessem ainda percebido, podia-se sentir uma fragrância deliciosa espalhando-se pelo ar..."



O Arminho Dorme é um livro sensível e muito bonito que vai sair este mês pela Edições SM.
A história acontece durante o Renascimento em Florença, mais precisamente na casa dos Médici, a célebre família de banqueiros e mecenas.

13.5.09

O prêmio!



Saiu a lista de indicados ao HQ Mix. A votação começou ontem!

Meu nome está lá na categoria "ilustrador", listado especificamente como desenhista de livros infantis. Foi uma surpresa, admito, já que tenho feito tantas coisas diferentes.

De qualquer forma, ser lembrado pelos meus pares é um sinal de que o trabalho está valendo a pena.

Ah sim, antes que eu me esqueça, vote em mim! Se eu ganhar ficarei ainda mais feliz e generoso (e talvez sorteie mais coisas interessantes aqui no blog, huehe).

O desenho aí mostra o Argos, da maravilhosa história de Jasão e os Argonautas. Está no belo livro "O Herói e a Feiticeira", da editora Nova Fronteira.

7.5.09

Tuitei!

O verbo não consta do dicionário ainda. Quem quiser me encontrar por lá é só clicar no título desta mensagem (que aliás, tem 140 caracteres).

6.5.09

36 Vistas do Cristo Redentor

Agora você pode comprar o livro 36 Vistas do Cristo Redentor diretamente com o autor/ilustrador Renato Alarcão. De quebra você ainda ganha uma dedicatória ilustrada pelo artista.
Encomendas pelo e-mail renatoalarcao@terra.com.br



4.5.09

Um caderno bom é tudo




Aqui em casa não falta caderno bom pra desenhar. Eu mesmo os faço.

Escolho o papel do miolo, formato (horizontal, vertical ou quadrado?), tamanho, tipo de costura, material de forração das capas, enfim, múltiplas variáveis.

Muitos cadernos que usei tornaram-se depois produtos de linha da Zoopress . Trouxemos as costuras coptas de lombada exposta e, desde 2002, nossos sketchbooks já estão nas mãos dos melhores ilustradores e desenhistas brasileiros.

No site que vamos lançar em junho você pode conhecer muito mais sobre estes cadernos de artistas. Veja lá o texto que fala da nossa devoção e respeito pelo livro.

Primeiro dia útil meeeesmo...





Vamos torcer para o ano engrenar uma terceira agora em maio.


(artes para a Folha de São Paulo)

3.5.09

A Moda Genética


Saiu o livro infantil "A Moda Genética", escrito pelo Ricardo Silvestrin e que conta com o trabalho de 14 ilustradores, dentre eles o meu camarada Daniel Bueno, e mais uma penca de feras como Andres Sandoval, Fido Nesti, Fê, Gabriel Silveira, MZK...

O texto, cadenciado como um poema, fala de um experimento muito doido que mistura bicho com gente, ali pelo ano 3000. Vai agradar aos pequenos, com certeza.

Minha ilustração fala de uma moda de traços de gatos (um olhar gateado...) e também olhos de mosca ("comparado aos olhos da mosca, nossa visão é bem tosca...".

30.4.09

Uma campanha de saúde



Minha irmã enfermeira explicou em linhas gerais essa gripe suína. O porco não fica necessariamente doente, mas é um portador são, que não manifesta sintomas.

(Que bom que eu já estava mesmo parando de comer presunto desde que assisti ao filme Earthlings...)

Ela explicou também um lance que eu não sabia. Epidemia é um termo que relaciona-se a país ou região. É geograficamente mais limitado. Pandemia é um lance digamos, mais universal, que atinge o planeta, e que, por isso causa um alarde mais histérico. Ela completou a explanação dizendo que acredita-se que esse vírus é um upgrade letal dos seus primos antigos, os vírus da Influenza e da Gripe espanhola, responsáveis por dizimar a população da Europa em tempos idos.

Me pergunto se esta porqueira atual não seria mais uma invenção dos laboratórios para ganhar uns cascalhos a mais em tempos de crise econômica. Pânico gera prejuízo para uns e lucros para outros, isso é fato.



Lembram-se da gripe aviária (já ia escrever "aviática", quá, quá, quá...), a que matou um número ínfimo pessoas mas ainda assim causou o maior rebuliço no nosso galinheiro planetário? Nunca antes soletrou-se tanto "apocalipse" em matérias de jornais...

Sabemos que, hoje e sempre, morre mais gente de malária, febre amarela e aborto com agulha de crochê infectada, do que dessas doenças exóticas. Mas nem por isso os jornais vão gastar tinta e papel para imprimir desgraças de pobre em letras ultra bold (ia escrever garrafais, mas, refletindo, não sei porque inventaram este termo).

Para espantar essa urucubaca de doença, lanço aqui junto aos meus 5 leitores uma campanha. Divulguem junto aos seus amigos desenhistas, criativos e demais espíritos de porco.

Máscara cirúrgica anti-uruca!



Copiem o arquivo e postem em seus blogs, twitters e demais invencionices midiáticas interpessoais. Vamos ver se coisa boa se espalha com a mesma velocidade que bosta de urubu quando cai do céu.

Não deixe de conferir o excelente link sugerido pelo Bernardo, ali no box de comentários deste post. Leitura fundamental para este momento tão esquisito da espécie humana.

28.4.09

Desenhando com intuição e ousadia


O desenho é uma importante ferramenta de expressão e de comunicação para quem cria. Através dele damos visualidade ao pensamento, corpo às idéias e ainda expandimos nossa capacidade de percepção do mundo que nos cerca.

Por isso desenhar é fundamental!

A partir do dia 10 de Maio as manhãs de domingo no Estúdio MArimbondo (no Rio) serão do curso Desenho Dinâmico.

O programa traz uma proposta bastante original no ensino do desenho de observação, inspirada nas aulas "Drawing on Location" que cursei na School of Visual Arts.

No Desenho Dinâmico vamos trabalhar com o modelo-vivo basicamente na forma de siluetas. A modelo – uma artista circence – veste malha preta e os alunos usam pincel e nankim sobre papel offset, kraft e similares de baixo custo.

A partir da terceira aula pratica-se o desenho de percepção das inter-relações figura/fundo, através do trabalho com tinta PVA branca sobre papel preto. Desta vez, os participantes devem fazer a modelo surgir no papel através da pintura das "contra-formas" ou do chamado "espaço negativo".

No Desenho Dinâmico não há espaço para hesitação, mas sim da intuição e da ousadia.

As poses são rápidas e a produção intensa: um mínimo de 30 desenhos em 2 horas, dos quais os melhores serão usados para trabalhos de livre criação.

As vagas são limitadas a apenas 7 pessoas e já estamos formando a turma que começará em algumas semanas. Restam poucas vagas e você pode reservar a sua escrevendo para estudiomarimbondo@terra.com.br .
Coloque no título do seu e-mail: "Desenho Dinâmico - Reserva de Vaga"

27.4.09

Dá até pra sentir o cheirinho de tinta...



Viva a impressão artesanal! Clap, clap, clap...

24.4.09

Um presente



Foi na última cúpula das Américas que Hugo Chavez presenteou Obama com o livro "As Veias Abertas da America Latina", do uruguaio Eduardo Galeano. O gesto catapultou imediatamente a obra para a lista de 20 mais vendidos da Amazon, o que deve ser interpretado como bom sinal: mais pessoas de língua inglesa tentarão compreender nossa América Latina (e a reboque os próprios EUA).

Dar livros de presente é sempre um gesto bem intencionado. Ponto para o venezuelano. E sorte para o Galeano.

Na verdade estou aqui para recomendar um outro livro, chamado "Livro dos Abraços". Encontrou-me numa lojinha no aeroporto em São Paulo junto com o Mercador de Veneza de Shakespeare. Entreguei-me à leitura deste último e guardei o Galeano para um pouco mais tarde.

"O livro dos Abraços" foi uma das minhas mais prazeirosas leituras recentes. Li-o a contagotas ao longo de várias manhãs, enquanto aguardava meu filho aprender a dar suas braçadas na aula de natação. Cada página traz contos e causos curtos, concisos, emotivos, mágicos até. As ilustrações em colagem são todas do próprio Galeano.

Começa com este:

"Um homem de uma aldeia Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus.
Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
- O mundo é isso - revelou, - Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com uma luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas.
Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo."

(Me pergunto, que tipo de fogueirinha seria eu?)

Finalmente, o livro fecha sua última página com "A Ventania":

"Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara.

(É justamente assim que me sinto ultimamente: mais vento do que fogueirinha)

Informação e conhecimento

"A maioria de nós já ouviu dizer que estamos vivendo na era da informação. Já não somos fundamentalmente uma cultura industrial, mas de informação.

Vivemos numa época em que novas idéias, movimentos e conceitos mudam o mundo quase diariamente, quer sejam profundos e de importância, físicos ou mundanos, como o hamburguer mais vendido. Se há alguma coisa que caracteriza o mundo contemporâneo é a corrente maciça de informação e, pois, de mudança. Essa nova informação vem a nós por meio de livros, filmes, internet, como uma tempestade de dados para serem vistos, sentidos e ouvidos.

Nesta sociedade aqueles com a informação e os meios para comunicá-la têm aquilo que o Rei costumava ter: poder ilimitado. Como Kenneth Galbraith escreveu: "Dinheiro é o combustível da sociedade industrial. Mas na sociedade da informática, o combustível, o poder, é o conhecimento.

Vê-se agora a estrutura de uma nova classe dividida entre aqueles que têm informação e os que devem atuar na ignorância. Esta nova classe não tem seu poder no dinheiro ou na posse da terra, mas no conhecimento.

O que há de notável é que a chave do poder é acessível a todos nós. Nos tempos medievais, se você não fosse o rei, teria grande dificuldade em tornar-se um. Se não tivesse capital no começo da Revolução Industrial, as possibilidades de consegui-lo eram muito poucas. Mas hoje, qualquer rapaz de jeans tem condições de criar uma corporação que pode mudar o mundo. "

disse Anthony Robbins, o cara cujo blog está a um clique do título deste post. Veja a palestra dele no TED.

23.4.09

Dia de São Jorge



"...e eu estou feliz, porque sou da sua companhia..."

22.4.09

Era uma vez



O Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo recebe até 21 de Junho a exposição "Era uma vez..". Com curadoria de Katia Canton, a mostra traz as visões pessoais dos contos de fadas por diversos artistas. Dentre os poucos ilustradores participantes, estão o meu amigo e mestre Rui de Oliveira e este que vos escreve estas retas linhas cibernéticas.

Estarei lá representado pela digníssima chapeuzinho vermelho abaixo, criada especialmente para o maravilhoso livro de Patricia Santos Marcantonio.

21.4.09

Artistas, este filme é para vocês


Há anos não vejo um filme tão bom! Roteiro impecável, atores excepcionais, e uma trama onde tudo se entrelaça em nós perfeitos.
E mais não direi.

16.4.09

Woody is king!

Assisti neste final de semana passada a "Vicky, Cristina Barcelona". Muito bom (e sensualíssimo!)

Encontrei esse filminho no You Tube e faço questão de compartilhá-lo aqui com meus 7 leitores.

13.4.09

Ora diabos!

Quem assiste novelas deve saber que no horário das 18h a trama global tem um enredo no qual uma certa figura de um diabo na garrafa tem papel de importância.



Paraíso é um remake de um sucesso do tempo em que eu fazia catecismo. Era o início da década de 80, e Kadu Moliterno era o caubói-galã " filho do Diabo", que queria conquistar o coração da doce, bela e recatada "Santinha", protagonizada pela atriz Cristina Mullins. Aquele embate entre polos opostos mexia com minha imaginação de tal maneira que, quando criança, meu sonho era saber tocar berrante só para enfeitiçar uma linda menina de olhos claros que morava na rua do meu primo...

O tempo passou, a cabeleira do Kadu foi-se embora, a santinha da minha infância pegou seu caminho da roça, depois eu virei ateu e... eis que no início deste ano caiu nas minhas mãos a incumbência de recriar o tal cramulhão na garrafa. Fiz uns 40 deles, e me diverti à vera colocando chifres na cara de amigos e parentes!



Acima alguns exus-caveiras e abaixo os estudos aprovados. Estes desenhos foram usados como guia pelo escultor que modelou o chifrudo que está naquela garrafa nas mãos do Reginaldo Faria (ali em cima, na foto do Jornal). O "concept" vai ser usado também para a construção do bicho em computação gráfica.



Mais detalhes só assistindo Paraíso. O coisa ruim aparece neste videozinho aí ó:



( e artista plástico é a PQP!)

Música de um virtuoso

Tem gente que traça sua passagem pela Terra de forma virtuosa.

Descobri o Michael Hedges quando era moleque, talvez uns 20 anos atrás. Foi num disquinho flexível de vinil que veio grátis numa revista Guitar Player. Desde então tornei-me fã da música dele.
Hedges deixou uma obra maravilhosa antes de partir.

12.4.09

18 de Abril é o dia


Em uma semana começo mais uma rodada do Diário Gráfico, a oficina de desbloqueio criativo que usa o livro como suporte.

Este curso já me levou para diversos cantos do país, Porto Alegre, Manaus, Fortaleza, Passo Fundo, Brasília, Recife, cidades onde pude compartilhar experiências e criar oportunidades para que muitas pessoas descobrissem por conta própria novas portas em seus processos criativos.

Muitas "amizades de infância" foram encontradas ao longo deste caminho, o que me faz crer ainda mais no "bom karma" que é criar estas pontes para que as pessoas atravessem.

O Diário Gráfico começou com uma turma de dois alunos e dois professores, eu e o Yomar Augusto, que partiu para a Holanda para estudar tipografia e virou cidadão do mundo.

Ao longo dos anos, o interesse no assunto só cresceu, a ponto de alguns alunos da PUC-Rio brincarem comigo dizendo que o Diário Gráfico virou uma "eletiva obrigatória" do curso de design daquela universidade...

Nem mesmo a massiva inserção das mídias digitais em nossas vidas apagou o interesse pelo potencial do mundo analógico dos cadernos. A prática de trabalhar naquelas páginas, seja para registro das fugazes idéias ou da banalidade cotidiana, seja como suporte para experimentação gráfica e conceitual, continua mais acesa do que nunca. Livres da promessa de redenção proporcionada pelo botão de UNDO, os indivíduos criativos nascidos na era do computador, arriscam mais, experimentam novas possibilidades, tomam contato com a fisicalidade dos materiais, e, neste processo, colecionam acertos, erros e acidentes felizes.

É justamente na possibilidade de encontrar-se com o acaso, o não-planejado, que enriquecemos a experiência de criar.

O espaço do Diário Gráfico aqui no Rio de Janeiro agora é na Gávea. O trabalho com pequenos grupos, em uma atmosfera informal, são fatores que reforçam a dinâmica do curso.

No início deste ano as Alarcrônicas sortearam um livro. Conforme prometido, as promoções continuam e esta mensagem é mais uma semente de "good karma" que lanço ao léu.

11.4.09

Aproveitando que a India está na moda...



A India está na moda e parece que foi por causa de uma novela.

Como aqui em casa ninguém assiste TV, não saberia dizer quão acurada é essa Índia da Globo. Conhecer uma cultura tão complexa através de uma versão tupininiquim-folhetinesca é certeza de equívoco.

Acho que nem os filmes de Bollywood (a indústria cinematográfica da terra de Shiva) devem ser confiáveis, e não me animei nem mesmo a ver o tal filme indiano que levou 8 oscar este ano. Neste fui influenciado pela declaração do Salman Rushdie de que era uma besteira. De vez em quando filmes servem apenas de companhia para um balde de pipocas.

Cresci lendo a National Geographic, e aprendi desde cedo a acompanhar com atenção as histórias contadas por gente que conviveu de perto com o seu tema, respirou o mesmo ar e pisou no mesmo chão dos personagens que retratou. Esse olhar etnográfico, sociológico, continua sendo o que mais me atrai quando escolho um documentário pra assistir.

Por isso aproveito a emergência do tema, e deixo aqui minha dica cinematográfica: Nascidos em Bordéis.

A sinopse no blog Cinerama diz o seguinte:

"Em 1997, a fotógrafa de origem britânica Zana Briski aventurou-se no bairro Sonagachi de Calcutá, conhecido pela sua prostituição. O seu objectivo era conhecer algumas das mulheres que aí trabalhavam e fotografá-las. No entanto, deu-se conta de que sendo uma estranha nunca conseguiria o seu propósito. Por isso, decidiu mudar-se para lá.

Como inesperada consequência, Briski acabou por formar fortes laços com as crianças do bairro, muitas delas não desejadas ou amadas. Na tentativa de as salvar da sua própria vida, a Tia Zana, como lhe chamam, decidiu ensinar-lhes fotografia e, entre a pobreza e o trabalho das suas mães (e, para as meninas, a inevitabilidade de um mesmo futuro), as crianças responderam de uma forma voraz e, em alguns casos, esta experiência mudou radicalmente as suas vidas.
Treinando a sua visão através da lente da câmara, as crianças aprenderam a ver o seu mundo de forma diferente e a sonhar com outras possibilidades".

Nascidos em Bordéis é um testemunho do poder transformador da arte.

Com a repercussao do filme, Zana Briski fundou uma ONG cuja missão é ensinar fotografia para crianças marginalizadas pelo mundo afora, como uma forma de estimular sua imaginação, aumentar sua auto-estima e, finalmente criar meios para que elas possam romper com os círculos viciosos de miséria que limitam suas vidas.

No site da Kids with Cameras vocês podem ver as fotografias destas talentosas crianças.

10.4.09