7.4.08

Quem é esse cara?


Detalhe super ampliado de um trabalho recente, todo feito em bic. Para uma campanha publicitária de telefonia.
Sairá numa página dupla na revista Zupi.
Uma dica: para saber quem é clique no título

3.4.08

Saindo do forno



Mais um projeto saindo do forno. Mais uma parceria com o escritório DDesign, desta vez envolvendo o redesign do restaurante Familia Paludo, em Niterói. Na foto acima, pode-se ver o tapume que, por apenas uma semana, escondeu as transformações que ocorriam a toque de caixa no interior.

(Abaixo um detalhe do painel de 9 X 4 m, instalado no interior do novo restaurante)



A família Paludo tem origens gaúchas (cidade de Ronda Alta), aquela coisa de crescer com o pé no chão da fazenda e, por isso, todo o conceito do projeto sugere esta noção de tradição, familiaridade, herança cultural e raízes históricas.



Como material de pesquisa os proprietários do restaurante me forneceram cartas pessoais de família, fotos antigas, documentos e também solicitaram aos seus parentes do sul que enviassem de lá carimbos dos mais diversos tipos.



De posse deste material, trabalhei algumas composições inspiradas numa colagem que tenho em meu sketchbook. Aliás, desde a primeira reunião com os clientes, levei apenas meu sketchbook "Linen" e mostrei suas páginas com colagens combinadas com desenhos e aquarelas.

Lembro-me bem que em uma das reuniões no próprio restaurante, perguntei a um dos Paludos, "mas porque vocês vão reformar? O interior está impecável ainda!"
Ele respondeu:
"Tá na hora. Já são 8 anos com essa cara e os clientes se cansam."
Visão empresarial é isso.



Os donos do restaurante Família Paludo têm uma história pessoal das mais interessantes. São irmãos, vêm de uma origem simples e sem luxos, têm pouco menos de 40 anos de idade, e, antes de abrirem seu próprio negócio, trabalharam como lavadores de copos, e depois garçom e maitre em uma famosa rede de restaurantes do Rio de Janeiro.

Como acontece nas incríveis lendas de sucesso empresarial, começaram seu primeiro negócio juntos com uma pequena pizzaria que oferecia qualidade e entregas rápidas. Com muito trabalho e visão de futuro foram galgando degraus até chegar ao lugar em que hoje se encontram.
Hoje Niterói possui 3 excelentes restaurantes dos irmãos Paludo.

Boa sorte para eles!

26.3.08

Em Abril o Diário Gráfico vai para Fortaleza.




As vagas para o curso "Diário Gráfico" que vai acontecer em Fortaleza nos dias 25 e 26 de Abril estão esgotadas. Mas não desanimem. Uma turma extra foi aberta. Telefone para lá e garanta sua presença na oficina de desbloqueio criativo que usa o livro como suporte!

Nucad - Núcleo de Comunicação, Artes e Design : (85) 3452.7019
Sesc Senac Iracema: (85) 3452 1242

A atividade é parte da programação do Núcleo de Comunicação, Artes e Design (NUCAD) e integra a palestra sobre processos criativos, às 19 horas no Sesc Senac Iracema - e uma oficina nos dois dias seguintes, iniciando às 10 horas e finalizando às 16h30, com intervalo para almoço.

O Sesc Senac Iracema fica na Rua Boris, 90 C - Fortaleza

Vagas limitadas!

22.3.08

Parábola sobre criatividade e infância

Uma criança estava em sala de aula fazendo um desenho. A professora se aproximou e perguntou:
- O que você está fazendo?
A criança respondeu:
-Estou desenhando Deus.
-Mas ninguém sabe como é Deus!, disse a professora
-Saberão em um minuto, assim que eu terminar meu desenho.


(Quer mais histórias? Clique no título. Mas tem que saber falar inglês. Sorry periferia!)

21.3.08

Inspire profunda e lentamente


Ouço a versão acústica de "See you soon", do Coldplay e sinto saudades não sei do quê. De repente não é nada disso. Essa sensação no peito é só uma árvore brotando.

6.3.08

Diário Gráfico e criatividade

A convite do Senac Moda - RJ o Estúdio Marimbondo abriu o evento "Fresh" com uma palestra sobre processos criativos, caligrafia e diários gráficos. Para ver um pouco do que foi falado, assista ao video sobre Diários Gráficos produzido pela equipe do site Roda da Moda (clique no título que você chega lá). Está programada para breve a inserção da palestra sobre Caligrafia que o Claudio Gil apresentou.





O Fresh é um evento que tem o objetivo trazer o que está acontecendo de mais interessante nas áreas da criatividade, moda, design, publicidade, video etc. Informações e idéias são captadas pelas antenas da curadora Helen Pomposelli e difundidas durante o evento com o objetivo de estimular as cabeças pensantes com as novidades mais "fresh" do momento.
Serão realizados seis encontros ao longo do ano com diferentes profissionais.

Para ver a programação dos próximos eventos visite o site do SENAC-Rio.
O evento é gratuito mas é necessário inscrever-se, pois as vagas são limitadas. As inscrições devem ser feitas pelo telefone (21) 2545-4833.

26.2.08

Diário Gráfico em São Paulo - Março

Caros criativos
O "Diário Gráfico" está a caminho de São Paulo em Março.



Esta é uma oficina de desbloqueio criativo que usa o livro como suporte. O programa é focado na prática de trabalho nos cadernos ou sketchbooks, livros alterados ("altered books") e livros de artista.

Serão 3 tardes de segundas-feiras: dias 10, 17 e 24 de Março (das 14 às 17h).

Objetivos do Curso
A prática de trabalhar em cadernos, seja para registro das fugazes idéias, seja como suporte para experimentação gráfica e conceitual, continua mais acesa do que nunca. Nem mesmo a incorporação das novas mídias digitais, e as suas infinitas possibilidades de experimentação, apagou o interesse pelo potencial do mundo analógico das páginas dos cadernos.
Os Diários Gráficos, como assim vêm sendo chamados, têm se mostrado um local de ilimitada liberdade para expressão criativa, experimentação e descobertas. Livres da promessa de redenção proporcionada pelo botão de UNDO, os indivíduos criativos nascidos na era pelo computador, arriscam mais, experimentam novas possibilidades, tomam contato com a fisicalidade dos materiais, e neste processo colecionam acertos, erros e acidentes felizes. É justamente na possibilidade de encontrar-se com o acaso, o não-planejado, que enriquecemos a experiência do processo criativo.

A prática e a Teoria
Em "Diário Gráfico", serão praticadas diversas técnicas (colagem, monotipia, caligrafia, e trabalhos de desconstrução e fragmentação) e também exercícios que propõem a experimentação intuitiva com materiais, achados gráficos, fotografias, transferências, desenhos, colagens e fragmentos do cotidiano. Tudo isto em um contexto onde não imperam as regras, os "certos e errados" e os "sins e nãos" que tanto tolhem a criação artística.

A parte teórica, com apresentação de diversos exemplos reais de sketchbooks, livros de artista e livros alterados, inclui também uma projeção em datashow com mais de 100 imagens relacionadas ao tema.

Os participantes aprenderão a costurar um livro em estrutura "Códex" (o Diário Gráfico) , a partir do material produzido em aula.

2 Lobos

25.2.08

Créu!

Cresci numa casa onde meu pai e meus irmãos (Lílian e Flávio) eram Fluminense e minha mãe Flamengo. Na família, meu tio mais bacana era Vasco, e todos os primos com quem brincava, Flamengo.



Na verdade, ter um time não era assunto da maior importância para mim. Se meu pai me levasse para ver um jogo na torcida do Fluminense, eu achava sensacional estar ali no Maraca no meio daquela nuvem branca de farinha que envolvia a arquibancada no momento em que o time entrava em campo ou fazia um gol. No dia seguinte, lembro-me bem, meus olhos eram verdadeiras fábricas de remelas, tão grandes que poderiam ser usadas como massa de pão.
Aquelas experiências me faziam Fluminense por uns tempos...

Se um tio me levasse à São Januário ver um jogo, eu voltava falando do Vasco, do Roberto Dinamite, claro. Virava Vasco por no máximo dois dias!



Haviam os primos e tios mais legais, todos Flamengo, e que não me davam sossego no caso de eu não pertencer ao time deles.

Eu tinha um tio brabo que assistia aos jogos na TV sem volume, mas com um radinho de pilha ligado em cima dela. Meu tio dizia que não aguentava ouvir o Galvão Bueno. Ele preferia aqueles caras do rádio. Eu achava que no rádio os locutores de futebol falavam tudo enrolado, de um fôlego só, e para mim aquilo parecia mais o som que a garrafa dágua fazia quando era enchida no filtro da cozinha.

Como era supersticioso aquele tio flamenguista...Do tipo que chamamos de "torcedor doente". Em dia de jogo do Flamengo na TV ele nos obrigava, a mim e ao meu primo, a assistir tudo em silêncio ao lado dele, vestidos com seus meiões de futebol que encobriam nossas pernas até a virilha. Era um calor danado e aquelas meias puídas pinicavam à beça! Ai de nós se as abaixássemos, daria azar!

E quando o Flamengo fazia gol? Era uma coisa de louco, o meu tio pegava o 38 dele e dava vários tiros para o alto. Eu achava legal o barulhão e aquele fogo que saía na ponta do cano, então torcia para o Flamengo fazer mais e mais gols.

Optei finalmente por ser Flamengo (embora hoje não saiba dizer o nome de qualquer jogador que tenha vindo depois da era Zico, Junior, Adílio, Leandro, Claudio Adão...). Hoje desconheço até quem seja o técnico deste time que ganhou uma Taça Seiláqual ontem. Posso dizer que em assuntos de futebol não ligo para nada, mal torço pelo Brasil na copa.

No domingo à noite estava dentro do Túnel Rebouças quando me vi cercado de carros que retornavam do Maracanã em direção à Zona Sul. Motoristas-torcedores comemoravam com buzinhas, trombetas, camisetas e bandeiras. Costuravam sua alegria entre os carros aos gritos de "é campeão!" e também algo que soava parecido com "crééuuuu...". Mas foi tudo tranquilo, até divertido. Daria um desenho bacana aquela cena.

Apesar deste meu desinteresse quase completo pelo universo futebolístico, notei na minha ida à banca hoje que existe algo entre essa palavra "créu" e a vitória do Flamengo naquela final. Parece que é uma dancinha de comemoração de gol, inspirada num funkizinho tipicamente carioca ao qual está associada uma certa coreografiazinha de duplo sentido.

O Brasil é fértil nessas manifestações... êita povo criativo pra coisa que não presta!

De volta para casa, jornal no suvaco e pão no saco plástico, passei em frente à um prédio já em fins de construção quando de repente ouvi o motorista de um caminhão estacionado dizer alto entre um largo bocejo:

"Créééu!!"

Em seguida, lá de dentro do segundo andar veio outro "Créééu!", depois um terceiro e um quarto "Créééu!".
Daqui a pouco do prédio sem janelas começou a ecoar uma sinfonia de créus de todos os tipos, os trabalhadores da obra como um rebanho de cabritos, cada qual colocando sua entonação e peculiaridade vocal ao cacófono conjunto.

Mais passos adiante, distraído com uma ou outra manchete, ouvi o vento trazer de longe o que parecia ser o grito-bocejo matutino de alguém, talvez colocando para fora a raspa do tacho da ressaca do dia anterior:

-CRÉÉÉÉUUUU...

Sorri.

Créu é a palavra destes tempos. Tá todo mundo créu, a dancinha do créu é o nosso ritmo por excelência, é o gesto "sífu" catarticamente manifesto. É a síntese!

(Para ilustrar este assunto de futebol, coloco uns desenhos do livro infanto-juvenil Figurinha Carimbada, que está para sair pela Editora Girafinha (Produção PB esmerada, em formato parecido com aquele livrinho de poemas do Tim Burton). Vai virar peça de teatro infantil com atores contracenando com bonecos e etc e tal. Obra do hipercriativo Márcio Araújo

24.2.08

Loconomia

Essa foi para a Folha de São Paulo do dia 25 de Fevereiro.


Os muitos desafios do desenvolvimento já não cabem em uma única linha de ação.
Complexas e simultâneas interelações definem o mundo globalizado hoje. As coisas não andam mais em fila, mas sim em ramificações cada vez mais complexas.

As cores mostram que o projeto anterior no qual estava trabalhando deixou sua paleta de cores infiltrada em meu sistema criativo.

18.2.08

Zetes e Calais



Zetes e Calais, membros da tripulação do Argos, combatem as Harpyas.
Do livro "O Herói e a Feiticeira", a ser lançado pela editora Nova Fronteira.

12.2.08

Shibui


Aproveitei meu período de Momo para colocar alguns trabalhos, fome cinéfila e leituras em dia. O ano no Brasil começa depois do Carnaval, todos sabemos.

No domingo após a quarta-feira de cinzas levei-me para passear e arejar as idéias sob a sombra dos bambuzais do Jardim Botânico do Rio. Ali pude finalmente concluir a leitura de Kind of Blue, presente dado por dois alunos-amigos de muito bom gosto.

Era uma tarde quente e preguiçosa. Daquelas que se transformam em tempestade quando o sol começa a se esconder atrás das montanhas da Gávea. Há duzentos anos este parque é testemunha destes eventos.

Entretido com a leitura, vez por outra distraía-me com as texturas que a luz filtrada pelas hastes de bambu imprimiam sobre as palavras. Três saguis se acercaram e lá ficaram a me fitar à distância de um braço (ganharam pão de queijo pela gentileza da visita). Zumbidos e cantos de pássaros faziam companhia às histórias do livro e juntos formavam uma trilha sonora única na minha cabeça. Anestesiado, deixei-me até servir de pasto para os mosquitos.

Aquela tarde não teria sido nada demais, não fosse eu uma pessoa que raramente se entrega a estas indulgências. Poucas vezes dei tanto valor ao ócio criativo.

Cheguei ao final de Kind of Blue e encontrei um belo parágrafo que reproduzo aqui:

"Quando a beleza atinge grande sutileza os japoneses chamam o efeito de "shibui", ou elegância contida. O termo "shibui" não encontra um equivalente fácil na língua portuguesa, mas uma rápida pesquisa revela que ele significa mais do que mera sutileza ou elegância. É mais um efeito do que um atributo e refere-se não a uma tela ou a uma canção, mas ao ato da apreciação em si.
Quando o talento artístico da mais elevada ordem cria uma obra que atinge um equilíbrio ilimitado entre opostos, unindo perfeitamente o yin da emoção e o yang da racionalidade, evoca-se o shibui, reconhecível pela forte reação emocional que suscita. Há melancolia em sua sugestão de impermanência, serenidade em sua profunda reserva e simplicidade."

Desenho Dinâmico começa em 23 de Fevereiro


O curso "Desenho Dinâmico" começou no dia 23 de Fevereiro com 100% de ocupação.

Como expressão visual, o desenho permanece como uma das nossas mais vibrantes manifestações artísticas, talvez a que está mais sinceramente imbuída do espírito de quem cria.

No Desenho Dinâmico trabalhamos com o modelo-vivo basicamente na forma de siluetas. A modelo – uma artista circence – veste malha preta e os alunos usam pincel e nankim sobre papel. Não há meio termo ou hesitação. Ou desenha ou não desenha.

Trabalhamos também com tinta PVA branca sobre papel preto. Desta vez, os participantes devem fazer a modelo surgir no papel através da pintura das "contra-formas" ou do chamado "espaço negativo".

No Desenho Dinâmico não há espaço para hesitação, mas sim intuição e ousadia.

As poses são rápidas e a produção intensa: um mínimo de 30 desenhos em 2 horas, dos quais os melhores serão usados para trabalhos de livre criação, e todos os outros para estudos e experimentações.

Este é talvez um dos meus cursos favoritos.

20.1.08

Se você é um artista, veja este filme. Se você não é veja também


Acabo de assistir ao documentário "Arquitetura da Destruição", do diretor sueco Peter Cohen.

Consagrado internacionalmente como um dos melhores estudos já feitos sobre o nazismo, este filme aborda de maneira única a relação que esta ideologia estabeleceu com os ideais estéticos da antiguidade (Roma, Grécia e Esparta), distorcendo-os para servir de alicerce a um plano doentio de embelezar o mundo.

A figura de Hitler é esmiuçada de maneira a mostrar-nos muito além do velho clichê do "artista frustrado e rancoroso". Detalhista e controlador, o furher cuidava pessoalmente de cada detalhe que compunha o Terceiro Reich, como se fosse o diretor de uma grande ópera wagneriana. Ele criou não somente a máquina de propaganda (deixando a Goebbels a tarefa de fazê-la funcionar), mas também desenhou uniformes, bandeiras e estandartes, esboçou monumentos e palácios, atuou como curador de várias exposições de arte alemã, e coordenou cada detalhe dos monumentais desfiles nazistas que levavam multidões à histeria.

O filme mostra também a origem da perseguição às obras expressionistas, com campanhas onde fotografias de pessoas com deformações físicas eram comparadas àquelas figuras representadas nas obras da chamada "arte degenerada". "Somente espíritos doentes poderiam criá-las", diziam aquelas campanhas. (Dentre os "degenerados" estavam Kokoschka, Kirchner e Max Beckman, artistas excepcionais)

(Curiosamente, notamos que nenhum dos artistas que produziram a chamada "arte ariana" deixou seu nome na história!)

Vemos também no documentário raras filmagens de época, que mostram o confisco de obras de arte dos museus da europa e o destino destas quando, já perto do fim da guerra, o imenso acervo é escondido em uma mina abandonada nos Alpes (e houve também um plano de explosão desta mina...). Eram mesmo uns diabos loucos aqueles nazistas!

Diferente de outros filmes sobre o tema, "Arquitetura da Destruição" aborda a estreita relação que esta ideologia estabeleceu com a arte e os artistas.

Rabiscos no museu

2 desenhos rápidos a grafite


18.1.08

Estúdio dos Sonhos


Peter Kuper, ilustrador extraordinário, desenhou aqui o seu "dream studio". Para um novaiorquinho a proposta tá de bom tamanho, bem urbanófila e tal.

Já que ainda não nos cobram impostos para sonhar, eu preferiria um estúdio com pé direito alto, clarabóia, uma bela biblioteca no mezanino, piso de cerâmica Brennand, e um quintal (sim, é uma casa) com grandes pedras, folhas e flores. Talvez uma mangueira com um balanço para arejar as idéias. Tudo bem a cara de um virginiano pé-no-chão.
Qualquer dia desenho isso para focar melhor esta visão.

Foi um sonho e eu tinha tudo isso...

Uma escultura de Giacometti.
Outra de Krajcberg.
Um quadro de Francis Bacon.
Outro de Rauschenberg.
Uma gravura de Hokusai.
O mural "Medicina" de Klimt, salvo intacto das chamas nazistas.
A bengala e o chapéu de Carlitos.
Uma gravura em metal e uma xilo de Kathe Kollwitz.
Um bico de pena de George Grosz.
Uma aquarela de John Singer Sargent. Perto dela uma outra feita pelo meu amigo Gonzalo Cárcamo.
Uma tela de Tápies. Outra, figurativa, de Richard Diebenkorn, mostrando ruas asfaltadas em uma cidade.
A primeira edição de um livro vitoriano ilustrado por Edmund Dulac.
Um original do ilustrador Yoshitaka Amano. Um nankim do Dave McKean e uma aquarela da série Arzach, do francês Moebius.
Uma máscara africana de mais de 300 anos.
Uma página de um dos códex do Leo Da Vinci com o desenho de uma máquina ancestral do helicóptero.
Duas esculturas, uma delas de Ernst Barlach a outra de Xico Stockinger.
Um sketchbook de Peter Beard (daqueles bem grandões e grossos). Perto dele um caderno de Picasso, com todas as páginas de estudos para a pintura "O Rapto das Sabinas".
Uma pequena escultura da deusa da fertilidade em pedra basalto de aproximadamente 10 mil anos.
Um armário chinês de mais de 200 anos.
Uma célula de animação de "Pink Floyd the Wall", feita por Gerald Scarfe.
Outra do filme "Fantasia".
Uma pintura da série Light Runners, do meu professor e mestre Marshall Arisman. Ao lado dela uma pintura do goiano Siron Franco. Há também, na mesma parede, um grande óleo de Kent Williams.
Do outro lado, temos uma gravura em metal de Goya, da sua série Caprichos. Há ainda uma de Rembrandt (um belo auto-retrato) e uma litografia de uma cena urbana, feita por Honoré Daumier.
Um desenho criado pelo cineasta Akira Kurosawa para o seu filme "Sonhos". E bem protegida da luz, uma página ilustrada vinda de algum livro persa do século XIV.
Em uma parede, sozinha e em destaque, a pintura Joan of Arc, que Jules Bastien-Lepage pintou em 1879.
Uma giclee print de uma ilustração do Lula Palomanes. Perto dela um original em preto e branco do Mike Mignola para os quadrinhos do Hellboy ("Seed of Destruction").
Um bico de pena do Lajos Slazay, da série Genesis.
Móveis originais de Mies Van Der Rohe.
Uma caricatura original de James Brown feita por Al Hirshfeld. Ao lado dela uma ilustração feita por Ronald Searle durante o tempo em que foi prisioneiro na Indochina.
Uma peça bordada por Arthur Bispo do Rosário, o manto que ele preparou para quando se apresentasse diante de Deus.
Uma fotografia de Miguel Rio Branco. E outras de fotógrafos como Sebastião Salgado,  James Nachtwey, Ansel Adams, Robert Capa,  Cartier Bresson, e também Sally Mann. Escondida sob um pano preto está uma foto feita por Joel-Peter Witkin. O pano preto é para que meus filhos não a vejam e tenham pesadelos.
Uma grande cabeça de soldado holandês em cerâmica e um desenho em pastel de um nu, ambos feitos por Francisco Brennand.
Um sketchbook de Toulouse Lautrec. Gostou desse?


E mais umas outros objetos e coisas como:
Um capacete de bombeiros americanos do século 19
Um par de baquetas de Stewart Copeland
Um cachimbo de Norman Rockwell, aquele que foi salvo da lixeira onde haviam panos sujos de turpentina, um pouco antes de incendiar todo o seu estúdio.
3 capacetes de guerra originais, um viking, um de samurai e outro medieval alemão.
Um fóssil de um filhote de Tiranossauro Rex.
Um contrabaixo acústico que pertenceu a Charles Mingus.
O violão-harpa (ou harp-guitar) que Michael Hedges usou na gravação da música "Because It's There".
A guitarra Fender que David Gilmour usou na gravação de Time, música do álbum "Dark Side of The Moon". A Gibson SG Double Neck de jimmy Page.
Diversos bonecos: um marionete de 2 metros de altura vindo da Tchecoslováquia (e que foi usado o filme Faust de Jan Svankmajer), um boneco usado na filmagem de "O Estranho Mundo de Jack"(Nightmare Before Christmas, de Tim Burton) e outro em "Fuga das Galinhas"(dos estúdios Aardman).
Em uma moldura de passe partout negro está uma página de partitura com anotações de punho feitas por Miles Davis, e usada por John Coltrane na gravação do disco Kind of Blue.
Um lenço de papel com um beijo em batom e uma dedicatória de Audrey Tatou. 
A claquete e a roupa da morte usadas na filmagem de "O Sétimo Selo" (de Bergman). 
Uma miniatura de um galeão espanhol feita no século XIX.
O diário de bordo de Ernst Shackleton durante a expedição ao ártico a bordo do "Endurance" em 1914.


Não se preocupem com o espaço para caber tudo isso. A casa é ampla, o pé direito alto, com fortes vigas negras. O projeto é de José Zanine Caldas, com alguns pitacos meus, claro.


E se você pensou em segurança, saiba que é nula a possibilidade de qualquer coisa ser roubada do meu sonho.


E você, o que tem na sua casa?

17.1.08

Jazz

Descobri o Jazz tardiamente porém em uma boa ocasião. Na época morava nos EUA e pude acompanhar diariamente na TV pública PBS o lançamento da série "Jazz" do jornalista Ken Burns. Precisei conhecer um pouco da história daquela música antes de me apaixonar completamente.



Perto de casa havia uma biblioteca onde eu pegava vários CDs gratuitamente e assim fui lapidando o gosto. Ainda longe de ser um expert, continuo descobrindo mais e mais no vasto oceano da internet. Clicando na palavra Jazz do título você (neófito ou expert) vai ter uma maravilhosa dose desta música via internet radio ( a KJazz é uma rádio pública dos EUA, de fato a melhor que encontrei até hoje).



Sou fã incondicional do estilo BeBop ( e John Coltrane é o sumo sacerdote desta devoção!), uma vertente do jazz criada há 50 anos e que até hoje soa moderno. Cada músico desta época tinha sua maneira própria de fazer o Bebop, portanto não espere que os sons se pareçam. Começe por um "Kind of Blue", do Miles, depois ouça o "My Favorite Things" do John Coltrane e eu garanto que esse caminho não terá volta.





Pouca coisa se salvou da minha antiga coleção de CDs, fruto do terrível e quase natural mal gosto de quem tem menos de 20 anos. As bandas de progressivo com aquele mis-en-scene todo, as de metal com seus guitarristas cheio de laquê...ugh, como pude aguentar tanto tempo? Meu sobrinho herdou aquela porcariada toda! Metal pra mim hoje é brass: sax, trumpete, clarinete, trombone e afins.
Estes desenhos antigos foram feitos enquanto eu ouvia essa trilha sonora, onde técnica e espontaneidade andam de mãos dadas.

16.1.08

O primeiro



Comecei minha vida profissional com este trabalho.
O convite veio do editor Pascoal Soto, que havia visto uma série de ilustrações minhas publicadas num ensaio na revista Domingo (do falecido Jornal do Brasil). O ano era 1995, e a biografia do Betinho estava para ser lançada em uma versão para o público jovem.

(veja esta série lá no meu site em "Projetos pessoais")

Graças a este livro, tive a feliz oportunidade de conhecer Herbert de Souza pessoalmente,  um cara cujo trabalho faz muita falta ao Brasil de hoje.

Em 2015 Betinho completaria 80 anos de idade.
_____________________________

Ao clicar no título você pode rever o Betinho na plenitude da sua luta contra a fome e a miséria.

"Nós devemos fazer da vida e do tempo o que de melhor nós pudermos, todos os dias"

1.1.08

O último de 2007

Esta foi publicada na página de opinião do jornal Folha de São Paulo no último dia de 2007.
E que venha o novo ano (com leveza, por favor!)



"... a grande maioria dos historiadores se recusa, ou pelo menos hesita, em penetrar no futuro -- um terreno gelatinoso que não lhes é próprio. Aí, parecem acompanhar a sabedoria popular: "o futuro a Deus pertence". Mas como o poeta Drummond, num belo verso, lembrou que "o último dia do ano não é o último dia do tempo", quem sabe valha a pena imaginar o que nos reserva o futuro, pensado em sentido coletivo.
Esse exercício pode ser feito de várias maneiras, seja pela lente das projeções tidas como científicas, seja pelas lentes da imaginação. Há boas razões para se ler com reservas as projeções indicativas do que será o mundo daqui a 50 anos, para não se falar o que será o mundo daqui a séculos. Dito de outro modo, aqui prevalecem esmagadoramente as lentes da imaginação, mas uma imaginação diversa da que se lança ao passado, pois tudo no futuro é nebuloso."
Boris Fausto em artigo no jornal Folha de São Paulo.

25.12.07

Gravuras digitais em edições limitadas

Agora você pode adquirir infogravuras produzidas diretamente a partir das ilustrações que estão no meu site ou as postadas aqui nas Alarcrônicas.



Impressas com equipamentos de última geração sobre papéis de fibra de algodão de marcas respeitadas como Hahnemühle, Arches ou Canson, as gravuras digitais possuem diferentes níveis de textura, gramatura e alvura, e são certificadas para mais de 250 anos de permanência.


O processo de impressão conta com rigoroso gerenciamento de cor, tudo isso sob os cuidados e a atenção dos especialistas da Imagem Impressa. 

Escolha já a sua arte favorita e depois escreva para alarcao@alarcao.com.br para se informar sobre detalhes como o endereço da entrega, a dedicatória, etc. A arte chegará a suas mãos com um certificado de autenticidade, assinada, numerada e muito bem protegida numa embalagem enviada pelos Correios (Sedex ou Carta Registrada).

Ao fazer seu pedido, lembre-se de colocar no título do e-mail a frase "Gravuras Digitais Alarcão".

Preços válidos até outubro de 2012:

30 X 40 cm ------------R$ 125,00
45 X 60 cm ––––––––––––R$ 225,00
Para outros formatos, preços sob consulta.

21.12.07

Então é Natal

Deus segundo Ralph Steadman


Ralph Steadman é um dos melhores desenhistas do mundo. Tão bom que conseguiu desenhar Deus.
Com pedacos de uma foto de um chimpanzé (nós humanos), tesoura, cola e meia dúzia de pinceladas, criou um Deus à nossa imagem e semelhança.
Lançando seus raios, a poderosa divindade atazana a pobre existência das criaturinhas insignificantes que vivem lá embaixo.
Ralph Steadman também tem uns desenhos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Vale a visita ao sitedele.

O Fim do Mundo ( ou "O homem é o lobo do homem")


Assisti esta semana ao filme Apocalypto, de Mel Gibson.

Já havia lido uma matéria a respeito e pensei que ele havia ficado louco depois daquele filme sobre Cristo.

Apocalypto é todo falado no idioma Maia, só tem atores desconhecidos, e é muito violento.

Tem um enredo sensacional, apesar dos já apontados problemas de acuidade histórica. Alguns historiadores dizem, por exemplo, que os Espanhóis só chegaram ao Novo Mundo 400 anos após a última cidade maia ter sido abandonada por seus habitantes.

Mas sigamos adiante. Mel Gibson pede que não tomemos seu filme como um documentário.
A narrativa envolvente, emotiva e tensa, é conduzida por uma excepcional direção (a sequência da perseguição da onça negra é um dos exemplos).

Os puristas, e "artistosos-que-entendem-de-cinema" hão de dizer que é uma ignorância elogiar Mel Gibson, o cara do Máquina Mortífera, o fundamentalista cristão que fez aquele filme sanguinolento, o bêbado que xinga judeus, etc e tal.

Elogio o seu filme sim, mas deixo claro que muito do mérito vai para o cara que escreveu a história contada ali.

Vejam e agradeçam-me por não ter contado mais detalhes.

E antes que eu me esqueça, o calendário Maia termina em 2012, ano em que termina também o protocolo de Kyoto.

(Fiz a arte deste post originalmente para um artigo sobre os Aztecas, publicado em 2005 na revista Cricket)

O Fim do Mundo, ou melhor...

Ilustração do projeto pessoal Archetypal Zoo. que pode ser visto no meu site.

WHOA! Acalmai-vos. Juro que pegarei leve no tema.

Agora o assunto sobre o qual quero falar neste blog-para-meia-dúzia-de-amigos é o fim da espécie humana.

Já ia começar escrevendo "fim do mundo", mas isso seria uma tolice (embora tenha deixado assim no título pra aparecer mais na pesquisa do Google huehe...).

Pra começar: o mundo vai continuar aí sem a nossa presença, sem dúvida.

Vai continuar correndo o mesmo tempo, arredondando pedras, carcomendo ferros, moendo vidros e o que mais restar da nossa civilização.

Outro dia desses estava pintando uma arte e, como sempre acontece, meus pensamentos começaram a divagar por diversos assuntos aleatórios. Enquanto as pinceladas iam e vinham sobre o papel, vi-me envolvido na idéia do quanto aquele material é frágil (mas entenda-se aqui como "fragilidade" simplesmente "a pouca resistência ao tempo").

Pensei em seguida no quanto a nossa vida está registrada sobre suportes perecíveis e frágeis como o papel. Por quanto tempo durariam essas coisas todas aí depois que caísse o último sujeito responsável por manter o ar ligado?

Um livro impresso desses de hoje, caso fosse abandonado para sempre numa estante, duraria o quê, uns 200, 250 anos?
Quanto tempo durariam as HDs, CDs, DVDs, os sistemas magnéticos, fitas, discos, negativos, rolos e bobinas...

Então imaginei todos os meus backups juntos, esmerilhados lenta e inexoravelmente pelo tempo. Uma bosta de pensamento que me fez parar para tomar um arzinho.

Voltei à prancheta e novamente os pensamentos.
O que seria de toda essa informação e cultura que vai no lombo da miríade de i-pods, i-phones, e-books, e-gadget, e-this, e-that?!
"Como são frágeis os suportes que carregam o registro da nossa vida no século XXI !", pensei.

Então, as idéias tomaram uma direção contrária. Danei-me a tentar imaginar quais coisas continuariam por aqui após o fim da espécie humana.

Deixaríamos na Terra talvez os escombros dos arranha céus, o traçado das cidades, alguma coisa em concreto armado, aço - fosse das pontes ou dos prédios - e mais, plásticos e pneus petrificados, carcaças de um ou outro metal, umas esculturas do Henry Moore e do Richard Serra...

Seria isso suficiente para contar a história de quem realmente fomos?

O que você salvaria do fim do mundo?

A obra de Shakespeare?
As pinturas de Klimt?
O design de Raymond Loewy?
As fotos de Cartier Bresson?
O bebop Jazz?
As esculturas de Michelangelo?
Os cadernos de Da Vinci?
Os filmes de Chaplin?
As cavernas de Altamira?
Os desenhos animados da Pixar?
Os quadrinhos de Moebius?

O que os arqueólogos do futuro se felicitariam ao encontrar sob os escombros submersos da humanidade?

A fina camada de verniz que nos protege


E por falar em fim do mundo, recentemente fiz-me o favor de assistir ao documentário do Al Gore, ganhador do Oscar (o filme), e do Nobel da Paz (o homem).

A julgar pelo prestígio das duas academias, tenho certeza de que o que se diz ali sobre o aquecimento global é a versão mais próxima dos fatos que seguem acontecendo lá fora deste meu ambientezinho particular com ar-condicionado.

Al Gore, o ex-futuro presidente dos EUA teve como mestre um cientista pioneiro na pesquisa dos efeitos da poluição através de medições do nível de CO2 na atmosfera. Graças a este registro, foi possível acompanhar claramente a evolução do problema até chegarmos o momento atual. Toda esta história é descrita no documentário como uma envolvente aula audiovisual sobre o Aquecimento Global, que é hoje uma ameaça real à continuação da trajetória do homem sobre a terra.

Por isso o filme "Uma Verdade Inconveniente" é absolutamente necessário. Amigos, vejam o filme, informem-se. Façam isso por favor.

A maioria das pessoas não tem idéia da fragilidade da atmosfera que envolve a Terra. Para efeitos de comparação, se pegássemos um daqueles globos escolares de plástico e pintássemos sobre ele uma leve demão de verniz, aquela seria a espessura relativa da atmosfera terrestre (conforme disse o falecido Carl Sagan, astrônomo, autor da bem sucedida série de TV "Cosmos")

Na mesma semana em que assisti ao filme do Gore, chegou a minha National Geographic, uma revista maravilhosa que há 120 anos vem escrevendo a história do que acontece neste planeta. O aquecimento global é o tema da capa deste mês. Reproduzo abaixo seu parágrafo final, sombrio nas entrelinhas e repleto de inquietantes "talvez":

"Sem dúvida, o aquecimento global vai ser a maior prova com que nós, os seres humanos , já nos defrontamos. Mas estamos prontos para mudar, de maneira dramática e prolongada, a fim de proporcionar um futuro viável às próximas gerações e à biodiversidade do planeta? Se estivermos dispostos a tanto, as novas tecnologias e os novos hábitos talvez consigam nos oferecer uma saída. Entretanto isso só vai acontecer se agirmos com rapidez e decisão - e com uma maturidade que raramente demonstramos enquanto sociedade ou espécie. Esse vai ser o nosso grande rito de passagem durante o qual não teremos nenhuma certeza de ou garantia de êxito. É apenas uma janela de oportunidade que ainda está aberta, por pouco tempo, mas ainda suficiente para deixar passar um raio de esperança."

O que mais entristece nesta história não é a possibilidade da minha morte ou a dos meus descendentes, mas o desperdício do legado da humanidade. O registro da incrível habilidade e diversidade criativa da nossa espécie não devia ficar de herança somente para os arqueólogos do futuro.

18.12.07

O fim do mundo (pela via nuclear)


Certa vez um ilustrador americano das antigas contou-nos a paranóia que era viver nos EUA sob o pânico da ameaça nuclear russa na década de 50.

Nas escolas, as crianças eram submetidas semanalmente aos "nuclear evacuation drills", ou seja, ensaios de evacuação do prédio em caso de catástrofe nuclear. Ocasionalmente fazia-se também o "ensaio de entrada no bunker atômico", um cubículo que era pouco mais que uma pequena piscina subterrânea com paredes de concreto e chumbo, um teto ligeiramente arqueado para cima, com umas escotilhazinhas redondas e estreitas. Coisa para habitar o mundo dos pesadelos daquela molecada (e o menino Marshall ali incluído).

E os filmes? Mostravam testes atômicos, flashes que cegavam momentaneamente as platéias nos cinemas com imagens recentes do grande cogumelo de isótopos a abrir seu túnel nas nuvens mais altas da atmosfera. Cortes cinematográficos para casas, árvores e postes sendo rasgados por ventos de fogo e metal; som altíssimo com ruídos interrompidos apenas pela voz alarmante do locutor.

Havia também o Sputnik que, atrevido, enviava "bips" do espaço acima das cabeças dos americanos. O pequeno satélite russo era a própria materialização dos fantasmas que rondavam aquela época quando o fim do mundo estava tão próximo. E lá se vão 50 anos.

A imagem deste post é parte do ensaio gráfico "Heaven Departed," de Marshall Arisman, onde o artista descreve por imagens o impacto emocional e espiritual da guerra nuclear sobre a sociedade humana.

7.12.07

Cropar, ja entrou no Aurélio esta palavra?

Muitas vezes um "crop" de uma ilustração em formato página inteira se torna uma melhor ilustração de página dupla. Esta abaixo entra na capa, e o detalhe, na dupla.

6.12.07

Esses tipinhos que vemos por ai

A idéia não é original. O próprio Angeli faz algo parecido há tempos, só que mais sucinto e mais genial, claro.
Como prolixo inveterado, resolvi criar historietas para estas pessoinhas que desenho enquanto falo ao telefone. Já são 118 destes humanozinhos mediocremente reais.
Qualquer semelhança com pessoas conhecidas pode não ser coincidência.

5.12.07

O dia em que enterrei meu cão

Já contei esta história aqui ? Acho que não.
Aliás, vou fazer melhor, vou deixar só o desenho.

28.11.07

Um pouco mais de Mitologia

Algumas ilustrações que acabam de sair do forno. Pertencem ao livro "O Herói e a Feiticeira". Adoro desenhar árvores!


10.11.07

Diário Gráfico: quem fez e gostou faz barulho

Bernardo e Aline são as mentes criativas por trás das estampas da Tozco. As camisetas que eles fazem são muito originais e, cada vez mais, estão vestindo por aí os corpos mais interessantes.
Conheci a dupla no meu último workshop intensivo, o D.G "Crash" e depois de ler o blog deles, fiquei com a forte impressão de que mais gente foi inoculada pelo tal vírus diariográfico.

9.11.07

milagre cibernético


"Seu Renato, encontrei seu isqueiro dentro da máquina de lavar", a empregada daqui de casa esticou o braço e me entregou meu pen drive Sony.
"Tava no bolso da bermuda", completou.
"Ai caceta...", pensei.

Conectei o bicho no computador e abri todos os arquivos normalmente.
É isso aí. Pen Drives Sony: à prova de máquinas de lavar e usuários acerebrados.

OU:

Será que todo pen drive é a prova d'agua, fogo, terremoto, e somente o burraldo aqui não sabia?

A foto do post não tem quase nada a ver com assunto. É que eu achei bonitinha...

5.11.07

Moldar o mundo


"A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para moldá-lo".
Falou e disse Vladimir Mayakovsky (na fotografia de outro russo genial, Rodchenko)
Mayakovsky suicidou-se quando tinha a minha idade, 37 anos.

Brinquedoteca do Adulto

Este é o título do "espaço conceitual" desenvolvido pelo escritório D Design para o evento Casa Cor 2007 que acontece no Jockey Club do Rio.





A convite da designer Verônica Valle e equipe, participei com minhas ilustrações emolduradas em 72 quadrinhos que, por conta do jogo de espelhos, são multiplicadas ao infinito.
Há também na Brinquedoteca do Adulto brinquedos arquetípicos da infância, como pião, boneca de pano, livro e cavalo de pau, todos em tamanho gigante.

Os visitantes são convidados a interagir com os brinquedos e eu, criança que sou, tratei logo de montar no alazão de madeira para uma rápida cavalgada rumo aos meus 5 anos.



Acreditem, o vaivém no brinquedo é mesmo hipnótico e relaxante, e por isso devo encomendar um para os meus momentos de stress.

O Casa Cor vai até o dia 18 e quem gosta de criatividade, design de interiores, arquitetura e sobretudo busca inspiração para sair do lugar comum, não pode deixar de aparecer por lá.

Quero dar os parabéns à DDesign pelo imenso talento e agradecer pelo carinho que demonstram pela arte da ilustração.

3.11.07

Produção cenográfica

Na segunda-feira dia 5/11 vai ao ar "Desejo Proibido", novela da Globo que se passa na década de 30. Ainda no tempo em que a obra se chamava "Milagre do Amor", fui contratado para participar de dois projetos cenográficos. O primeiro foi a concepção de diversas vistas em perspectiva, mostrando uma cidade cenográfica que até então só existia em plantas baixas.



Tempos depois fui chamado para fazer desenhos de uma santa de pedra, na verdade um stalagmite de uma caverna, que, por ter a forma de uma santa, foi imbuído de poderes milagrosos pela crendice popular.



Depois de prontos, estes desenhos da santa (em 4 vistas) foram passados para um escultor encarregado de interpretá-los tridimensionalmente.

1.11.07

Cinema Desenhado



Em Novembro o portal UOL trouxe uma matéria sobre a exposição "Cinema Desenhado", da qual participei com uma ilustração baseada na obra prima "O Sétimo Selo", de Bergman.
Esperamos que esta exposição tenha novas edições a cada ano.